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O último relatório do Fundo Mundial de Pesquisa sobre o Câncer, que sintetiza
dezenas de milhares de estudos, afirma: “o câncer é uma doença prevenível na maioria
das vezes”.8 Nenhum estudo até hoje avaliou o efeito da combinação de grande parte
das recomendações aqui expostas na prevenção do câncer,9 mas tudo indica que
quase a totalidade dos cânceres poderia ser evitada. Exemplificando, o poder
preventivo da recomendação de se consumir regularmente muitas frutas e legumes
considerada isoladamente é avassalador: um grupo de mais de 160 pesquisas
observou uma diminuição do risco de desenvolvimento do câncer da ordem de 60%
associada a essa prática.10
1.3 O impacto da alimentação e do estilo de vida na luta contra o câncer
Não há pesquisas que analisem o grau de sucesso no combate ao câncer de uma
combinação significativa de recomendações apresentadas neste documento. No
entanto, o acúmulo de incontáveis estudos, entre eles o relatado a seguir, ao constatar
o efeito importante de diversas mudanças simples de estilo de vida, sugere que a
adoção do conjunto de recomendações aqui prescritas aumenta substancialmente a
probabilidade de cura ou de estagnação da doença e promove, no mínimo, melhoria
importante da qualidade de vida e aumento considerável da sobrevida.
Ao longo de 11 anos, 227 mulheres vítimas de câncer de mama estágio II ou III que
haviam passado pelo tratamento convencional pós-câncer foram acompanhadas por
uma pesquisa. Após o tratamento, parte dessas mulheres participou de um programa
de um ano que orientava modificações de hábitos relacionadas à nutrição, à pratica de
exercícios físicos e ao controle do estresse. O resultado foi extraordinário: o grupo que
tomou parte no programa teve mortalidade 56% menor durante o período observado.11
1.4 A interação entre a alimentação, o estilo de vida e o câncer
O desenvolvimento do câncer divide-se em três etapas: iniciação, promoção e
progressão. A iniciação é a danificação irreversível do DNA de células normais. Todos
os dias, centenas de mutações ocorrem em decorrência do funcionamento de um
organismo; elas podem ser causadas, também, pela exposição a substâncias
cancerígenas (presentes em alimentos, no cigarro, em produtos químicos, etc.).
Todos fabricamos células cancerígenas e a iniciação é, portanto, insuficiente para o
desenvolvimento do câncer. Para que células iniciadas tornem-se um tumor maligno, é
necessário que elas driblem os mecanismos corporais de reparação e de eliminação de
células defeituosas a fim de se engajarem num processo de expansão clonal (etapa de
promoção); quanto maior o número de células iniciadas, maior o risco de a doença
progredir. A capacidade das células cancerígenas iniciais de vencer nossas defesas
naturais e a dos tumores de formar metástases (etapa de progressão) dependem de
seu microambiente extracelular que, por sua vez, é influenciado pela alimentação que
temos e pelo estilo de vida que levamos. A ciência já identificou muitos dos fatores que
inibem e dos que estimulam o câncer; fundamentando-se nessas descobertas, as
recomendações do capítulo 2 constituem uma estratégia de combate que visa a