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VÁRIOS

DESPORTIVO Transmontano
Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

OPINIÃO  Fernando Parente*

FORMAÇÃO NO FUTSAL E FUTSAL
PASSADO, PRESENTE E FUTURO
A cada dia que passa no
nosso mundo do futsal, refere-se que a nossa modalidade é cada vez mais importante, porém as entidades
competentes (FPF, ANTF,
IPDJ) e os clubes de grande
dimensão pouco fazem por
isso.
É de lamentar que a Federação ainda não tenha
criado uma forma de acabar
com as desistências e término dos clubes ano após ano.
É de lamentar que treinadores e atletas com provas dadas tenham de emigrar para
ter lugar novamente no nosso Futsal. É de lamentar que
não se encontre uma forma
de potenciar a formação nos
clubes. Temos urgentemente de arranjar uma forma de
descobrir novos talentos, de
formar e motivar os atletas
a esforçarem-se para mostrarem o seu valor de forma
a integrar as respetivas seleções, senão quem irá jogar
por Portugal daqui a uns
anos.
Por outro lado no Futebol de 11 existem seleções
e formação para todos os
gostos e feitios, existem torneios no nosso país e lá fora,
e aí já existem recursos financeiros e motivação para
tal. As pessoas esquecem-se
que hoje em dia os jogos de
futsal têm mais pessoas que
alguns jogos da 1ª Liga, o
que pode estar a causar receios aos nossos lobbies.
Se olharmos para os
“nuestros hermanos” aqui
ao lado, existem diversos
torneios de seleções distritais, de categorias até de
sub-13, onde o futsal é algo
levado a sério e que irá continuar a evoluir, mas aqui

não deixam, infelizmente.
Mais, na Copa de Espanha de seniores, existe ao
mesmo tempo uma Copa
do escalão de juniores das
equipas que participam no
escalão sénior, o que é algo
muito aliciante e motivador
para os jovens e para os treinadores da formação, e leva
a que os pavilhões estejam
cheios, ruidosos e se consiga
realizar bons cachet´ s.
A nível dos clubes é de
lamentar que a maioria deles não aposte nos jovens
talentos que tem nas suas
bases, ou porque acham que
estes não estão preparados
para o ritmo da competição
ou porque não têm valor. Se
a 2ª já é uma desculpa aceitável, a 1ª já não, dado que
se não estão preparados é
porque algo está errado, ou
os treinadores da formação
ou o dos seniores não dão o
devido acompanhamento.
Quando comecei no futsal aos meus 19 anos como
atleta dos Pioneiros de Bragança Futsal Clube, no ano
de 1993-94, o futsal era conhecido como Futebol de 5/
Futsal e já existia uma equipa que era denominada na
Zona Norte do Nacional por
papa-títulos, o Miramar do
nosso saudoso José António
Leite e dos Mister´s Jorge
Ferreira e Luís Almeida.
Entre 93 e 97, o Miramar
ganhou tudo o que havia a
ganhar na Zona Nacional
Norte, pois na Zona Sul era
o Sporting quem vencia na
maior parte das vezes. Depois deu-se a fusão na época 1996-97, muitos atletas
tiveram que decidir-se pelo
Futsal ou pelo Futebol de
11 (pois até então podiam

jogar nas duas vertentes,
mesmo em clubes diferentes), e aí as coisas mudaram.
Mas nessa altura enquanto
a maior parte das equipas
jogava no famoso quadrado (2:2), o qual agora nos
nossos dias só se usa quando existe superioridade numérica, já o Miramar jogava
em 3:1, em 4:0, valha-me
Deus, era vê-los passar sem
percebermos de onde eles
vinham. Lembro-me que o
Miramar no seu todo era só
craques (Carlos França, Miguel Oliveira, Raúl Castro,
Toti, Márcio, Miguel Mota,
João Leite, André Lima,
Gilberto Júnior, etc…),
enquanto que, nas outras
equipas (Joarte, Freixieiro, Touguinhó – atual Rio
Ave, Boavista, Coimbrões,
São Lázaro – atual SC Braga/AAUM, etc..), cada uma
delas possuía 2 ou 3 ditos
“craques” que faziam o que
queriam da bola, e assistia-se a jogos muito emotivos,
embora de pouco primor
táctico. De repente estamos
no virar do século e dá-se o
“boom” na modalidade, já
dividida em nacionais de 1ª,
2ª e 3ª, com muitas equipas de Norte a Sul do País,
mas com a entrada do SL
Benfica, o que trouxe outro
tipo de vantagens na altura
para a modalidade, tal como
as transmissões televisivas,
poucas, é claro, mas já se via
o futsal com outros olhos. Aí
também temos de agradecer à geração do Mundial de
2000 na Guatemala.
A profissionalização de
apenas duas equipas (Benfica e Sporting), trouxe durante alguns anos uma qualidade acima da média no
nosso futsal, que só equipas
como a Fundação Jorge An-

tunes, o Freixieiro, e ultimamente o Instituto D. João V
conseguiam equiparar-se,
enquanto que as outras entravam para a experiência e
muitas vezes para não perder por muitos, tal a diferença existente nos plantéis.
Hoje em dia, vejo e assisto a inúmeros jogos e vislumbram-se poucos jogadores de bom recorte técnico,
tendo as equipas prescindido desses atletas em detrimento daqueles que são rigorosamente bons, embora
a nível táctico, tornando os
jogos por vezes mais maçadores e com pouca eficácia.
Atualmente e, de há 3
anos a esta parte tem-se
notado a desistência ano
após ano de clubes (não só
os que sobem, mas também
aqueles que mantêm na sua
divisão), temos perdido um
número gritante de atletas
(que por ventura da crise
emigram ou regressam ao
futebol de 11), e temos o
nosso futsal a perder imensos valores, já para não falar
de outras situações melindrosas.
A questão que se coloca
é, que futuro para o nosso
Futsal e para a Formação do
Futsal?
Não o antevejo risonho,
e terão de ser tomadas medidas em breve por parte
dos clubes e das autoridades competentes de forma
a modalidade poder evoluir
caso contrário irá estagnar,
e não iremos potenciar um
desporto para o qual temos
uma apetência natural.