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sector espacial nacional e a Europa .pdf


Original filename: sector espacial nacional e a Europa.pdf
Author: Jérémy Winter

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Nota: Este trabalho foi realizado para a cadeira de Políticas Públicas, do mestrado de Ciência Política da
Universidade da Beira Interior leccionada pelo Professor Doutor Luís Madeira. O objectivo do trabalho era o
de apresentar um sector que fosse importante para a economia portuguesa ou, pelo menos, um sector
inovador que pudesse vir a impulsionar a economia. Decidi apresentar o sector espacial. O trabalho data de
Outubro/Novembro de 2011, logo, a informação data daquela altura. Peço desde já desculpa pelas eventuais
falhas, bem como pelo facto de a informação se encontrar desactualizada.

Jérémy Silvares Jerónimo

Introdução
Vivemos hoje numa era dos diagnósticos; diariamente, vários estudos e estudiosos
indicam-nos as causas, consequências e soluções da situação em que Portugal se encontra.
Contudo, nunca terão ousado olhar para o Espaço como uma porta de saída, um investimento
com retorno ou até, uma forma de Portugal combater o brain drain contemporâneo. Deste modo,
irei apresentar-vos este lado do espectro. Explicando as suas potencialidades e desafios, com o
intuito de habilitar o leitor a poder tirar as suas conclusões num tema que, eventualmente, poderá
não estar tão familiarizado.
Actualmente, a tecnologia espacial é dos campos mais relevantes de investigação e
investimento. Funciona também como uma “montra”, um indicador do nível tecnológico da
indústria de um determinado país. Pela importância que a indústria espacial tem no Planeta nos
nossos dias, argumento que é necessário ver até que ponto Portugal, país desenvolvido e da
União Europeia, investe e apoia a sua indústria espacial.
Pretendo defender a tese de que o governo português não investe de forma satisfatória na
Agência Espacial Europeia ou nas empresas portuguesas de tecnologia espacial, e tentar retirar a
partir daí conclusões que me permitam prever o resultado da falta de investimento num futuro
imediato. Assim, se à primeira vista esse pormenor parece ser um problema de menor relevância,
o não surgimento de uma determinada indústria, neste caso, a indústria espacial nacional, tornarse-á a longo prazo num problema major, com repercussões em toda a indústria de ponta
portuguesa. Consequentemente, o desleixo de um sector de ponta tão importante no século XXI
como o sector espacial pode vir a repercutir-se na economia nacional a médio ou longo prazo.
O russo Alexandre Tsoilkosvky fora o primeiro a perceber que o futuro da Humanidade
passava pelo espaço, no XIX. Actualmente existe um debate entre os astrónomos, astrofísicos,

físicos e engenheiros espaciais que consiste em saber se o homem vai apostar na
exploração/conquistas espacial ou meramente investir na utilização do espaço para fins
comerciais e económicos. Este debate não me interessa agora explorar, embora queria salientar
um ponto: os segundos, os que afirmam que o espaço deve ser primeiramente utilizado apenas
para fins económicos, parecem estar em vantagem. Hoje em dia, desde que acordamos até ao
momento em que nos deitamos estamos a utilizar tecnologia que, ou foi criada por uma agência
espacial como forma de ajudar os astronautas a sobreviver no espaço, ou foi descoberta por mero
acaso por um engenheiro enquanto participava num programa espacial. A toda o momento
estamos, simplesmente, a utilizar tecnologia que não poderia funcionar caso não existisse
tecnologia espacial (nomeadamente: o caso dos satélites).
O cerne da questão é saber se o actual governo português (governo socialista do PrimeiroMinistro José Sócrates) apoia esta indústria de prestígio ou se prefere secundarizá-la. Para
conseguir defender a minha tese tenho de, num primeiro nível de análise, recorrer à fonte que
melhor me permitirá perceber a realidade: o orçamento da ESA. As informações oferecidas pela
ESA e pelo Gabinete para o Espaço da FCT possibilitarão uma melhor compreensão do objecto
em estudo. É fulcral, para a realização deste pequeno trabalho, que consiga situar Portugal na
Europa espacial, e tentar averiguar até que ponto o envolvimento português na odisseia espacial
europeia tem dado frutos.
Para conseguir responder à pergunta inicial é necessário seguir um encadeamento lógico.
Primeiramente, vou apresentar a história da Agência Espacial Europeia. De seguida, a análise
descritiva do sector espacial português afigura-se fulcral para percebermos se as empresas
portuguesas conseguem ser competitivas no mercado europeu e internacional. Após a análise do
sector nacional e do investimento de Portugal na ESA, a comparação desse mesmo investimento
com os custos do espacial afigura-se fulcral para o leitor poder posicionar Portugal e perceber,
comparativamente, se é ou não um país virado para a tecnologia de ponta, neste caso, a espacial.
Igualmente indispensável será, também, apresentar o actual poder comercial da Europa no
mercado do Espaço, como forma de sustentar que o pouco investimento das autoridades
nacionais no Espaço é um erro crasso. Por último, vou tecer breves considerações pessoais.
Existe um grande número de obras científicas relativas ao papel cada vez maior que a
indústria espacial tem vindo a ganhar no seio de todas as outras indústrias de ponta, desde que o
primeiro satélite artificial foi lançado até aos nossos dias. Muito têm falado de um
amadurecimento das agências espaciais, que deixaram de lado, por agora, o sonho de conquistar
o Sistema Solar e preferiram virar-se para o mercado: estamos a viver a época dos satélites
comerciais, que levaram ao subsequente nascimento da “Era da Informação”; estamos na era do

turismo espacial; da Estação Espacial Internacional; da espionagem através dos satélites.
Portugal, tal como todos os outros países do Mundo, beneficia dos avanços da tecnologia
espacial, sendo por isso mesmo um enorme erro não apostar em algo que já trouxe benefícios
para o país, directa ou indirectamente.
As fontes que eu utilizei são em grande parte relatórios da Agência Espacial Europeia e,
consequentemente permitem um distinto nível de análise visto que para além de disponibilizarem
todo o tipo de informação económica sobre a indústria espacial europeia e portuguesa; são sérias
pelo facto de não serem encomendadas por um governo de um país em particular (onde a
tendência poderia ser a de apresentar os resultados modificados para parecerem melhores do que
aquilo que são), mas sim por todos os Estados-membros. Além do mais, a comissão que avalia a
ESA é independente não só dos Estados-membros mas da própria organização em si. As outras
fontes que eu utilizei são fontes científicas de engenheiros aeroespaciais e astrofísicos também
eles independentes, mas que ao mesmo tempo já trabalharam ou para a ESA, ou para o CNES (a
agência espacial francesa), logo mantendo uma postura de independência ao mesmo tempo que
bem informados do objecto de estudo em si.

O Sector Espacial Português e a Europa do
Espaço
Portugal é actualmente um membro da Agência espacial Europeia (ESA). O nosso país
aderiu no dia 14 de Novembro de 2000. Contrariamente a muitos países europeus membros da
ESA, Portugal não tem uma agência espacial nacional, nem mesmo um instituto estatal cuja
função apenas seja a de desenvolver tecnologia espacial (como é o caso na Bélgica ou na
Dinamarca). Em vez disso o Estado português criou um pequeno gabinete especializado nos
assuntos espaciais, o Gabinete do Espaço da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, cujo
principal objectivo é o de dinamizar as actividades da Delegação Portuguesa da ESA. O
Gabinete do Espaço da FCT tem por missão supervisionar os diferentes programas
implementados pela ESA, programas esses que estão integrados nos Acordos-Quadro ESA-EU.
Desde que Portugal entrou para a ESA, o parque industrial ligado ao sector espacial
aumentou, mesmo tendo em conta o reduzido investimento estatal. De facto, os sucessivos
governos portugueses desde que Portugal entrou na ESA não se preocuparam muito com este
sector, um sector de relevo já que se trata de uma espécie de “montra” da indústria tecnológica
de um país. Logo, o sector espacial, pela complexidade da sua tecnologia, permite a possíveis
investidores estrangeiros medirem a qualidade do know-how das indústrias de ponta de um
determinado país onde queiram investir.
Na última edição do Fórum do Espaço, realizado em Lisboa em 2010, os analistas da ESA
apresentaram resultados positivos relativamente à participação portuguesa na agência europeia
espacial: entre 2000, data da entrada de Portugal na ESA, e 2009, ano anterior ao relatório,
Portugal teve um aumento enorme relativo às actividades espaciais que se repercutiram
positivamente na economia nacional. Por cada milhão de euros que Portugal investe na Agência
espacial europeia, a sua economia de ponta recebe em troca um benefício de um milhão de euros.
O sector espacial português é identificado como um spin-off 2, o que não é de omitir tendo em
conta o facto de apenas ter entrado na ESA há treze anos. A nível europeu o spin-off situa-se
entre o 4 e o 5. Em apenas uma década, o sector espacial português conseguiu, através da lei do
justo retorno, criar benefícios para a economia nacional. Contudo, Portugal terá ainda um longo
caminho a percorrer.
Um factor importante que seguramente os decisores políticos omitiram prende-se com o
facto de que o sector espacial português, tal como aconteceu com os sectores espaciais de outros
países, contribuir fortemente para o rápido desenvolvimento de outros sectores de ponta que,

mesmo não estando ligado directamente à tecnologia espacial, estão interligados pelo seu knowhow tecnológico. Assim sendo, empresas informáticas, empresas ligadas à ergonomia, empresas
de engenheira electrónica, empresas ligadas aos novos materiais e componentes, empresas de
energias renováveis e limpas, e mesmo empresas ligadas ao vestuário ou à cortiça
experimentaram um ligeiro desenvolvimento no nosso país à custa de contratos assinados com a
ESA. Pelo facto da Agência Espacial Europeia ser supranacional e estar ela mesma ligada a
outras agências espaciais (NASA, ROSCOSMOS, a CSA canadiana com quem tem um tratado
de cooperação, e em menor escala, a JAXA japonesa), permite ao sector espacial português
ganhar contratos com firmas e países estrangeiros, dinamizando uma economia pequena que,
tendo em conta a actual crise económica, tanto necessita de se mostrar ao Mundo. Por isso é
importante ter em conta que o carácter supra nacional da ESA possibilita ao sector espacial
português internacionalizar as suas empresas e levar mais facilmente investimentos estrangeiros
para o território nacional, impulsionando vários outros sectores de ponta e permitindo às
empresas nacionais colaborar com instituições científicas e empresas estrangeiras. Quero
também salientar o seguinte ponto: todo o investimento nacional no espacial europeu produziu
um retorno económico de excelência1.
As empresas portuguesas do sector espacial são bastante modestas quando comparadas
com outras empresas europeias do mesmo sector, porém, apresentam níveis tecnológicos de boa
qualidade tecnológica, inovadoras e audazes2. Além das empresas ligadas ao espaço, existem
também alguns institutos de I&DT estatais, que têm um objectivo complementar. Portugal tem
empresas ligadas a vários ramos de tecnologia espacial de ponta, alguns deles a trabalhar em
importantes programas da ESA e até da NASA. Para nos apercebermos melhor da qualidade e da
importância deste sector vou apresentar as actividades de algumas empresas portuguesas ligadas
ao sector comercial espacial.
A Critical Software e a Edisoft são empresas ligadas à informática e ao software
informático dos programas espaciais. Ambas trabalham com a gigante europeia EADS Astrium,
tendo a primeira sido responsável pelo desenvolvimento dos programas informáticos de vários
satélites Sentinel (observação terrestre), enquanto a segunda ocupa-se do desenvolvimento do
software dos satélites de navegação. Tendo já desenvolvido projectos em conjunto com a NASA
1

Ver gráfico 1 em anexo.
. A instituição que reúne as empresas do sector espacial português chama-se Proespaço. É através
desta associação que obtive esta informação. Todavia, o facto de ser uma informação obtida através
de uma associação cujo objectivo é publicitar as empresas espaciais nacionais, podemos questionar
até que ponto não se trata de propaganda. Os números que apresento ao longo do trabalho
parecem, mesmo assim, fazer jus à Proespaço e demonstram empresas inovadoras e com
capacidade de receberem todo o tipo de contratos ligados à tecnologia espacial.
2

no sistema GPS, e está actualmente a trabalhar na futura constelação de satélites Galileo, o GPS
europeu3.
A Amorim Cork Composites, a FiberSensing, a HPS, o ISQ (o Instituto de Soldadura e
Qualidade4), a Spin.work e a Zeugma, estão relacionadas com a tecnologia de novos
componentes e engenharia espacial. A Deimos Engenharia, a GMV, a Logica, a Solscientia, e a
Thales Portugal trabalham na resolução de problemas técnicos e na pesquisa de novas
metodologias técnicas. A Tekever está ligada às telecomunicações. A Activespace Technologies,
a Efacec, a Evoleo, a Kemet estão todas ligadas às componentes electrónicas. Por fim a Omnidea
está ligada às energias renováveis e não poluidoras.
A Indra por exemplo é um exemplo concreto da qualidade do sector espacial português. É
considerada como a segunda melhor companhia europeia no sector onde trabalha, tendo
alcançado ganhos superiores a 2,5 mil milhões de euros em 2010, dos quais 35 milhões vieram
da sua sucursal, a Indra Portugal. A Indra Portugal foi a empresa, de entre todas as possíveis
empresas europeias, escolhida para produzir as antenas emissoras das estações de controlo do
futuro sistema de navegação global europeu: o famoso Galileo. A Lusospace, uma companhia
fundada há apenas nove anos, já produziu no total oito magnetómetros para diferentes satélites
europeus, e está a produzir mais sete, para as missões PROBA-2, AEOLUS, quatro missões
Sentinal, e o satélite SEOSAT. A gigante europeia EADS Astrium tem sido a empresa que mais
trabalho fornece à Lusospace e, tendo em conta o numero de contratos já firmados entre as duas
empresas, a qualidade da empresa portuguesa é evidente. A Novabase por exemplo teve, em
2010, um turnover de 236 milhões de euros, 15% originado fora de Portugal (é uma empresa
nacional e não uma sucursal de uma empresa estrangeira).
Tendo em conta este factor, de quanto é o investimento português na ESA? Diminuto,
mesmo comparando com países mais pequenos e com menor população. Na última década, até
ao ano de 2010 (quando se realizou o Forum do Espaço), foram investidos cerca de 111,5
milhões de euros, tendo o país participado em mais de 1000 projectos científicos e tecnológicos.
O orçamento nacional relativo à ESA é de aproximandamente 15, 8 milhões de euros em 2011 5.
Em termos percentuais, isso representa apenas 0,005%6 do PIB nominal7 portugês, muito pouco
3

Todas as informações relacionadas com as empresas ligadas aos sector espacial foram retiradas do
seguinte documento: Portuguese Space Catalog,FCT, 2010
4
O Instituto de Soldadura e Qualidade é considerado um dos melhores do Mundo. Situa-se em
Castelo Branco, Beira Baixa.
5
Todas estas informações foram retiradas do seguinte documento: Survey of the Economica Impacto
f Portugal’s Participation in ESA from 2000 to 2009.
6
O PIB nominal nacional para este ano (2011) será de, segundo estimativas do Fundo Monetário
Internacional, 340 mil milhões de Euros.

quando comparado, em termos percentuais, com os investimentos que os outros países realizam.
A situação é ainda mais sui generis quando comparada com o Luxemburgo, um dos países mais
pequenos do Mundo e com meio milhão de habitantes, investe quase tanto como Portugal - cerca
de 12 milhões de euros – mesmo tendo em conta o facto de que o PIB nominal ser de apenas 35
mil milhões8, subsequentemente, tem um orçamento de Estado menor. Dos 111,5 milhões de
euros investidos entre 2000 e 2009, 57% foram para a ciência e o orçamento geral, e 43% para
programas opcionais. As comunicações, o sector que mais dá dinheiro ao sector espacial europeu
e português (e ao sector espacial mundial), representam 26% da contribuição portuguesa.
Se Portugal investe apenas 15 milhões de euros na ESA, a Bélgica, país mais pequeno que
Portugal, com o mesmo número de habitantes, investe mais de 164 milhões de euros. Esse
investimento valeu a pena porque actualmente, por cada milhão de euros investido no espacial a
economia belga recebe em troca uns 4 a 4,5 milhões de euros. Além de que, o investimento da
Bélgica permitiu-lhe receber centros de pesquisa de tecnologias espaciais e de novas tecnologias
bem como centros de pesquisa científica em astronomia, física ou ciências da Terra. Estes
centros pertencem à ESA, foram construídos no território belga à luz da lei do “justo-retorno”,
permitindo ao país ter uma boa oferta relativamente aos seus doutorandos ou pós-doutorandos
que procuram integrar equipas científicas. Existem ainda cerca de quarenta empresas belgas
ligadas ao sector espacial, umas setentas equipas científicas que participam em mais de uma
centena de projectos científicos ligados à conquista espacial, astronomia ou física, a maioria
desses projectos científicos integrados ou sob a égide da ESA. Aqui temos o bom exemplo de um
pequeno país, que sofreu bastante aquando da Segunda Guerra Mundial9, investindo num sector
de ponta, como forma de apoiar as novas tecnologias no seu país. De facto no ano de 2009 o
investimento português representou apenas 0,56% do orçamento total da ESA. Mas mesmo
tendo em conta o pequeníssimo investimento português, o retorno económico é total – segundo
as instituições nacionais que se ocupam do Espaço, a saber, a Fundação para a Ciência e a
Tecnologia, através do Gabinete do Espaço.
Irei agora apresentar alguns números dos custos do espacial actualmente, apenas para
termos uma percepção do quão ínfimo é o orçamento português relativo à ESA. É necessário,
como forma de o leitor compreender os custos pesados relativos à tecnologia espacial, apresentar
os montantes que pode chegar um simples satélite científico.

7

O PIB nominal é o valor total final de bens e serviços produzidos por uma determinada nação em
um dado ano.
8
PIB nominal de 2010 segundo o FMI.
9
Um problema que não afectou Portugal.

Um satélite pode custar entre 100 milhões a 200 milhões de dólares, os preços são
variáveis. Um Satcom custa entre 150 a 200 milhões de dólares. Os satélites fotográficos custam
entre 230 a 250 milhões de dólares (o Spot 4 cerca de 230 milhões de dólares), enquanto outros
podem chegar a preços ainda maiores, como o satélite americano militar Ikonos, cujo preço
ultrapassou os 500 milhões de dólares. Satélites cuja função sejam a observação da fauna e da
flora por exemplo, de enorme importância para a agricultura - logo, também essenciais para o
nosso país, que se depara todos os anos, por época do Verão, com incêndios, e que, a curto
prazo, quer ressuscitar a agricultura nacional - podem custar entre 100 a 120 milhões de dólares
(o satélite francês Végétation custou 120 milhões de dólares). O satélite de observação Terra,
lançado no final da década de 90 e ainda em funcionamento (os satélites podem durar 15 a 20
anos, tornando-se muito rentáveis) custou também algumas centenas de milhões de dólares. Os
satélites militares são ainda mais caros, o seu custo varia entre os 250 e os 1000 milhões de
dólares. As sondas interplanetárias têm custos ainda maiores: a sonda Galileo (não confundir
com o programa europeu de navegação Galileo) custou cerca de 1,5 mil milhões de dólares, e a
famosa Cassini-Huygens cerca de 3 mil milhões de dólares. A ESA tem de repartir os míseros 15
milhões portugueses pelos diferentes programas científicos e técnicos. Alguns destes satélites
são necessários até para garantir o bom funcionamento da nossa sociedade, pois ajudam a
implementação de políticas públicas eficazes (DURET, 2002).
Os lançamentos de foguetões espaciais também não são propriamente baratos. O foguetão
Ariane 5 custa 120 a 140 milhões de dólares por lançamento, um Atlas 2AS da empresa
Lockheed-Martin custa uns 100 milhões de dólares e um Soyuz da ROSCOSMOS custa cerca de
50 a 60 milhões de dólares. Visto que a única forma de enviar satélites para o espaço é através de
lançadores/foguetões, e já que o mercado dos lançadores tem-se tornado cada vez mais
agressivo, com agências espaciais a fazerem dumping, a necessidade de investir em foguetões
cada vez mais poderosos e baratos é fulcral (DURET, 2002). Caso todo o orçamento nacional
relativo ao espaço fosse aplicado nos lançamentos de foguetões, nem sequer chegaria para pagar
um terço do custo relativo ao lançamento de um Soyuz U ou de um Soyuz ST10. Relativamente
aos satélites, os 15 milhões dariam seguramente para pequenos satélites científicos, contudo, não
chegariam para pagar um décimo do satélite francês Végétation, crucial para qualquer Estado
que esteja preocupado com a biodiversidade no seu território11.
Seria compreensível que os decisores políticos preferissem não investir na ESA caso esta
funcionasse mal ou não tivesse contratos, decidissem desprezar este tipo de investimento, mas
10
11

Ver gráfico 2
Ver gráfico 3

aquilo que os números apresentam é o de uma agência espacial competitiva, aliás, a mais
competitiva, que domina os lançamentos espaciais comerciais, que por sua vez permitiu a muitas
empresas nacionais obter contratos com a ESA ou empresas estrangeiras construtoras de
satélites.
Se tivermos em conta o facto de que o sector espacial europeu ser, actualmente, aquele que
domina o vector comercial – embora os norte-americanos sejam os mestres na área do espacial,
sobretudo no que toca à tecnologia militar - o pouco investimento demonstra-se ainda mais
peculiar. Os diferentes governos afirmam que estão constantemente à procura de novos sectores
nos quais investir e de novos mercados para conquistar. Aqui está um sector promissor, que
apenas necessitaria de um investimento de maior relevo. Ora entre 1982 e 2010 o número de
contratos recebidos pelas diferentes indústrias do sector espacial europeu tem vindo a registar um
aumento impressionante12.
O sector espacial europeu experimentou, desde o início dos voos do lançador espacial
Ariane 1, passando pela Ariane 4 e chegando hoje em dia ao Ariane 5, um aumento significativo
das suas actividades comerciais ligadas quer ao privado (comercial) quer aos contratos
institucionais (ou seja os da ESA). Apenas registamos uma queda em 2000, quando se deu a
implosão da bolha especulativa espacial, consequência de muitas agências espaciais terem feito
dumping (DURET 2002). Mas desde aquela data, curiosamente o ano em que Portugal entrou, o
sector espacial europeu voltou a experienciar um bom crescimento do número de contratos
assinados com empresas europeias, um factor que se repercute no bom crescimento de certas
empresas nacionais. Actualmente as duas maiores empresas europeias aeroespaciais dominam
quase 40% do mercado mundial dos satélites13. Já foi demonstrado que muitas das empresas
portuguesas estão a trabalhar com a EADS Astrium, logo, precisam desta multinacional para que
possam sobreviver e subsequentemente enriquecerem a nossa economia. Tendo em conta que, a
EADS Astrium e a Thales Alenia Space necessitam do apoio da ESA para desenvolverem
melhor tecnologia e que, por sua vez, a ESA precisa do financiamento dos países membros, é
fácil perceber onde o meu raciocínio irá culminar: se um determinado país não investir (neste
caso Portugal), pode comprometer a sua própria indústria espacial nacional, já que a ESA se
rege, nunca é demais relembrar, pela lei do justo retorno.
A Europa lança mais de metade dos foguetões com satélites comerciais por ano14, 53%
para ser mais exacto, muito à frente da Rússia que, como já o dissemos, tem foguetões Soyuz por
12

Ver gráfico 4.
Ver gráfico 5.
14
Ver gráfico 6.
13

metade do preço dos Ariane 5, mas com muito menos segurança15. Pelo facto de algumas
empresas portuguesas estarem ligadas aos satélites comerciais (telecomunicações, observação,
outros), argumento que seria do interesse nacional Portugal investir mais.
Se é verdade que a Europa começou a interessar-se pelo Espaço muito mais tarde do que a
Rússia (quando ainda se constituía a URSS) ou do que os EUA, não é menos verdade que um
forte investimento dos vários Estado presentes na Agência Espacial Europeia permitiu à Europa
das Nações tornar-se uma das potências espaciais. O esforço é conjunto, todos os países devem
investir e apostar nas suas indústrias de ponta. Os investimentos, eventualmente, acabaram por
dar frutos.
A OCDE afirma que as inovações nacionais acontecem quando existe uma boa relação
entre empresas, instituições governamentais, universidades privadas e públicas. O Estado
português deveria apostar na criação de pólos tecnológicos e científicos onde se encontrassem
todas estas características, de forma a reunir na mesma área geográfica a massa cinzenta e a
capacidade tecnológica. Sendo esta a única maneira de as várias indústrias tecnológicas poderem
interagir entre elas e partilhar know-how.
Para concluir, existe também uma obrigação de carácter político. O Estado Português deve
investir mais no espaço não apenas pela necessidade económica e pela importância cada vez
maior que a tecnologia espacial ocupa na vida das sociedades do século XXI, mas
concomitantemente pelo fenómeno político em si. Ao longo dos últimos anos foram escritos
muitos artigos científicos, artigos de opinião e livros sobre a importância que a “Corrida
Espacial” teve no sossegar das tensões entre as duas superpotências do pós-Segundo Guerra. A
corrida à Lua entre os dois gigantes revestiu um carácter político, uma luta ideológica entre dois
sistemas socioeconómicos que aspiravam ao domínio mundial mas, no mesmo tempo, permitiu
que as duas superpotências deixassem de lado a corrida ao armamento (e sobretudo, ao
armamento nuclear) e se dedicassem à pesquisa sobre a tecnologia espacial e à tentativa de serem
os primeiros a chegar à Lua. Quem chegasse à Lua primeiro iria demonstrar a superioridade do
seu modelo socioeconómico perante o outro, e o Mundo.
No caso da Europa, existe também um caracter político unificador. O espaço tem permitido
que várias nações europeias cooperem a nível científico e, através da cooperação, tenham
reforçado os laços culturais, económicos e políticos que as ligam entre elas. A Europa política
teve, desde a sua criação, o objectivo de ser um continente de paz e tolerância. O espaço

15

A partir de 2012/2013, a Europa vai começar a lançar foguetões Soyuz, num partenariado com a
Rússia que visa ganhar novos mercados. A construção do novo pas-de-tire está quase completa.

apresenta-se como uma oportunidade de a Europa se unir em torno de um objectivo grandioso e
pacífico.
«Á en croire la tradition républicaine française, l’universalisme est aussi la mise en
oeuvre des principles de liberte, de fraternité et d’égalité, das une société une et indivisible,
composée de citoyens égaux en droit. Sans doute l’extension de ces fondements de la société
française ne manque pas de poser des questions à la communauté internationale; ne peuvent-ils
pas du moins aporter matière à réfléchir, dès lors que l’Espace n’est plus seulement le lieu de
compétitions, voire d’anatagonismes entre nations, mais devient celui d’un apprentissage à
l’internationalisation des programes et de leurs réalisations?
L’humanisme, quant à lui, sic her à de nombreus courants de pensée français, n’est pas
seulement le projet de render l’humain vraiment et plus humani; s’il peut rejoindre et interroger
les activités spatiales d’aujourd’hui et de demain, c’est parce que, à l’instar de celles-ci, il est
une maniére de concentrer le monde aux dimensions de l’être humani et de dilater l’humain aox
dimensions du monde.
Au-delà des définitions que donnent les penseurs de l’humanisme et de l’universalisme,
s’offre ainsi à l’Europe, à travers l’expérience et le projet de la France, une perspective qui fait
de l’Espace l’un des élément les plus prometteurs de son avenir.16»

Assim sendo, o Espaço, além de possibilitar o crescimento económico e a inovação
tecnológica, tem também a capacidade de unir várias nações num único objectivo. O objectivo
inicial dos pais fundadores da Europa – Jean Monnet e Robert Schuman – era simplesmente criar
laços entre os países europeus que, através de objectivos comuns, aproximar-se-iam cada vez
mais, permitindo a edificação de um clima de paz permanente. O espaço poderia unir as nações
europeias. Mas para isso acontecer, é preciso uma geração de políticos audazes e corajosos.

16

Citação de Jacques Arnould, encarregado da Missão Ética da Agência Espacial Europeia; Excerto
retirado do seguinte texto: L’Espace Constructeur d’Europe , Collection «De l’espace pour la Terre,
CNES, France, 2011.

Considerações pessoais
Que conclusões se podem retirar após a leitura dos números relativos ao sector espacial
nacional e do investimento português relativamente ao programa espacial europeu. Não será
difícil nos apercebermos do parco investimento estatal a nível do sector espacial. Para que o
sector espacial crescesse, Portugal teria necessariamente de aumentar o seu orçamento relativo à
Agência Espacial Europeia, já que é através da ESA que os países da Europa conseguem adquirir
contratos referentes à indústria espacial, visto que nenhum país da Europa tem (a não ser a
França com a sua agência espacial, o CNES) a capacidade de enviar satélites para o espaço e
naturalmente de fornecer serviços às empresas de telecomunicações, a Estados interessados em
enviar satélites nacionais, ou mesmo assinar contratos com exércitos estrangeiros que queiram
enviar satélites de espionagem para o espaço. O aumento da actividade económica espacial passa
necessariamente pelo aumento dos fundos dados à ESA como forma de usufruir da “Lei do justo
retorno” (DUPAT 2010).
É compreensível também que, se o investimento nacional feito ao sector espacial fosse
apenas num sentido, ou seja, se o dinheiro que Portugal distribuísse à ESA não desse nada a
Portugal nem a nível económico nem a nível de bem-estar, o governo português preferisse deixar
de lado este tipo de investimento. Todavia, os fundos distribuídos à ESA servem ao sector
espacial nacional, bem como a nossa economia. Além disso, os satélites têm várias utilizações
que os tornam fundamentais para Portugal. A nível da agricultura, dos recursos aquíferos, dos
recursos naturais, da imigração ilegal, do planeamento e desenvolvimento urbano, dos incêndios
(um mal recorrente em Portugal), da informação e da defesa (relativamente às Forças Armadas),
os satélites de observação ajudam muito, e não podemos esquecer a navegação (com a futura
constelação de satélites Galileu), que irá beneficiar tanto os cidadãos como os militares
portugueses.
É lamentável ver até que ponto o Estado Português descura a sua ciência. É ainda mais
lamentável a situação quando comparada com investimentos feitos com estádios de futebol que,
em grande parte, não só deram prejuízo a Portugal, como alguns deles se encontram quase ao
abandono.
Os líderes portugueses não têm, como sempre na história do nosso país, uma visão a longo
prazo. A Europa, tal como o demonstrei na primeira parte do trabalho com diferentes números, é
líder no mercado dos lançamentos espaciais comerciais e na fabricação de satélites comerciais,

bem como no domínio de projectos científicos inovadores e importantíssimos para a
Humanidade.
Hoje em dia, as principais agências espaciais (ESA, JAXA, ROSCOSMOS, CNES,
NASA) estão a trabalhar em cooperação, investindo em projectos ousados, alguns deles poderão
até redefinir completamente o nosso modo de vida. Todos sabem que o futuro da Humanidade
passa pelo desenvolvimento de tecnologias de ponta que possam revolucionar o nosso
quotidiano. O sector espacial faz parte do nosso futuro. A necessidade de Portugal investir nesse
sector de ponta torna-se mais do que nunca um imperativo - não uma escolha.
Cada vez mais as telecomunicações ganham importância, sobretudo agora que na Europa e
em muitos outros países do Mundo as televisões de cada lar passaram a ser digitais (o sinal
passou a ser digital, assim alguns países adicionaram canais grátis, não foi o caso de Portugal), a
margem de benefício das empresas detentoras das telecomunicações vai aumentar. A nível do
turismo espacial o futuro parece cada vez mais brilhante: o número de empresas que estão a
desenvolver aviões espaciais de turismo e a preparar planos de futuras estações espaciais de
turismo (hotéis espaciais) aumenta a cada ano (pensemos na Virgin Galactic, a Space-X, entre
outras). A gigante europeia EADS Astrium, por exemplo, está a desenvolver um avião suborbital
bem como a empresa francesa Dassault Aviation. O avião suborbital, apelidado de VHS, será
enviado para o espaço a partir de um Airbus 300 em pleno voo. Existe actualmente, segundo a
revista Ciel & Espace, cerca de cinco mil milionários com vontade de reservar bilhetes para
viagens espaciais. A energia Solar também está a chamar a atenção dos investidores privados,
havendo já planos para a construção de uma central solar no espaço, com vários quilómetros
quadrados. A navegação é hoje em dia cada vez mais importante. Pensemos no número de
pessoas que utilizam o GPS no carro, e a importância deste tipo de sistema para as operações
militares ou para a navegação no mar ou no ar. Lembro que daqui a uns anos vai entrar em
serviço o sistema de navegação europeu Galileo (Portugal irá usufruir dele).
Por fim, a mina de ouro do futuro espacial tem a ver com as jazidas de minérios presentes
no Sistema Solar. Se há uns anos era considerado ficção científica hoje é aceite por grande parte
da comunidade científica como sendo possível levar um asteróide para orbita terrestre e extrair
os seus minérios. Um dos asteróides mais próximos da Terra contem quantidades de minério tão
grandes que os peritos avaliaram-no em cerca de 15 biliões de dólares (o PIB americano é de
cerca de 15,25 biliões), uma soma astronómica (Rihcard Oboussy, entrevistado no Ciel & Espace
nº490).

Concluindo, podemos retirar um conjunto de conclusões:



O sector espacial é importante visto ser uma montra para o resto dos sectores
tecnológicos, devido ao nível de complexidade e know-how que requer às
empresas que trabalham no espacial.



Portugal, como membro da Agência Espacial Europeia, tem uma boa
oportunidade de apostar num sector promissor e fulcral para o futuro da
Humanidade.



Existe um sector espacial em Portugal, algo desconhecido por muitos
cidadãos. É constituído por quase trinta empresas.



Países europeus, mesmo os estados-membros mais pequenos e menos
populosos do que Portugal, costumam enviar mais fundos para a ESA do que
Portugal. Porquê?



O sector espacial português, apesar de reduzido, tem provado ser competitivo
e conseguir responder bem às mudanças tecnológicas.



Um spin-off 2 prova a competitividade do sector espacial nacional, bem como
o facto de que um maior investimento poderá trazer benefícios à economia
portuguesa.



O sector espacial português está a crescer, com novas parcerias com empresas
multinacionais estrangeiras que lideram o mercado mundial dos satélites.



A necessidade do Estado português apostar neste sector de ponta é gritante,
não só para cimentar e reforçar a cooperação com a Europa no sector
espacial, mas também, e sobretudo devido a este factor, tornar Portugal uma
nação virada para o futuro, para as tecnologias de ponta, para a ciência.



Ao apostar no espaço, Portugal estará automaticamente a apostar na ciência e
a apoia-la. Carl Sagan falava na necessidade de as democracias apostaram na
ciência como forma de perpetrarem a liberdade, a tolerância, o saber,
conceitos fulcrais numa sociedade que queira ser realmente democrática e
num país que queira ser um Estado de direito.



Portugal deveria agarrar a oportunidade que tem em ser membro da ESA,
visto a Agência Espacial Europeia ser – por agora – líder no mercado mundial
de lançamentos de satélites de comunicação, posição reforçada com a

construção de uma rampa de lançamento de Souyz na base espacial
francesa/europeia de Kourou.


Tendo em conta a crise económica que Portugal tem vindo a sofrer desde a
crise de 2008, a necessidade de o actual governo, bem como os próximos,
fomentarem novos sectores na economia nacional, é claríssima.



O espaço tornou-se necessário na economia devido ao papel basilar nas
ciências, na meteorologia, na observação, nas comunicações, bem como em
vários outros aspectos, desde a monitorização da mancha florestal, à escolha
de determinadas políticas públicas, através da supervisão da agricultura e dos
transportes, do meio-ambiente; por fim, não esqueçamos que a era digital
precisa dos satélites, e quem sem eles não poderia existir a actual economia
(não no modo em que existe, através da digitalização da economia).

ANEXOS
Gráfico 1.

O impacto económico da participação portuguesa na ESA é, como bem o demonstra esta tabela, positivo. O número de
contratos obtidos pelas empresas portuguesas ou pelas sucursais portuguesas desde o ano de entrada até 2009 foi sempre a
aumentar. Assim do ano 2000 para o ano 2009 passamos de um valor de 1 milhão de euros, relativamente ao valor dos contratos
portugueses assinados com a ESA, para mais de 17 milhões de euros. Fonte: Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Gráfico 2.
Contribuição Portuguesa na ESA e sua comparação com os custos de envio dos
Lançadores Espaciais Europeus (Milhões de Euros)
180
160
140
120
Preço do lançamento
espacial por unidade

100
80

Orçamento português
relativamente à ESA

60
40
20
0
Ariane 5

Soyuz

Fonte: Alain Duret, Conquête Spatiale : du rêve au marché

Gráfico 3.
Contribuição Portuguesa na ESA e a sua comparação com o preço dos Satélites
mais tecnologicamente avançados

100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%

Preço do Satélite Espacial
Orçamento Português
relativamente à ESA

Fonte: Alain Duret, Conquête Spatiale : du rêve au marché

Gráfico 4.
Montante dos Contratos recebidos pela Indústria Espacial Europeia entre 1982
e 2010 (Milhões de Euros)
4000
3500
3000
2500
2000

Comercial

1500

Institucional

1000
500
0

Fonte: Alain Dupas in La Nouvelle Conquête Spatiale

Gráfico 5.

Percentagens dos principais construtores de
satélites no mercado das telecomunicações
espaciais comerciais (2007-2010)
EADS Astrium (Europa)
10%

17%
Thales Alenia Space (Europa,
antigamente conhecida como
Alcatel Alenia Space)

16%

Space System Loral (USA)

23%
12%

Lockheed Martin (USA)

22%

Boeing (USA)
Fonte: Alain Dupas in La Nouvelle Conquête Spatiale

Gráfico 6.
Países que dominam o mercado dos lançamentos espaciais
comerciais: quem controla o mercado dos lançamentos espaciais
comerciais no Ano de 2007
Europa

Rússia

Estados Unidos

Estados Unidos/Ucrânia/Rússia (Sea Launch)
5% 1%

10%

53%
31%

Fonte: Alain Dupas in La Nouvelle Conquête Spatiale

Índia

Gráfico 7.

Fonte: Agência Espacial Europeia www.esa.com

Bibliografia:

VILLAIN, Jacques, À La Conquête DE L’ESPACE, de Spoutnik à l’Homme sur
Mars, 1º Edição, Éditions Vuibert/Ciel et Espace, France , 2008.
DUPAS, Alain, La Nouvelle Conquête Spatiale, 1º Edição, Éditions Odile Jacob,
France, 2010.
DURET, Alain, Conquête Spatiale : du rêve au marché, 1º Edição, Éditions
Gallimard, Collection Folio/Actuel, France ,2002.
L’Espace Constructeur d’Europe , Collection «De l’espace pour la Terre, CNES,
France, 2011.
JOHN, Mariel, SPACE AGENCIES IN LOW INCOME COUNTRIES : EFFECTS
ON DEVELOPMENT, Space Foundation, USA.
PORTUGUESE SPACE CATALOG, documento pdf, FCT – Fundação para a Ciência
e a Tecnologia, Space Office, ESA, Lisboa, Portugal, 2011.
STRATEGIC INITIATIVE, ESA, documento pdf, Lisboa, Portugal, Dezembro de
2011.
SURVEY OF THE ECONOMIC IMPACT OF PORTUGAL’S PARTICIPATION IN
ESA FROM 2000 TO 2009, documento pdf, FCT, Lisboa, Portugal, Novembro de 2011.


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