PDF Archive

Easily share your PDF documents with your contacts, on the Web and Social Networks.

Share a file Manage my documents Convert Recover PDF Search Help Contact



FredyPerlman ContinuaAtraccaoNacionalismo.pdf


Preview of PDF document fredyperlman-continuaatraccaonacionalismo.pdf

Page 1 2 3 45622

Text preview


Do ponto de vista dos historiadores nacionalistas, os colonizadores iniciais, assim
como os seus posteriores imitadores, pareciam nações: Espanha, Holanda, Inglaterra,
França. Mas a partir de um ponto de vista no passado, os poderes colonizadores são os
Habsburgo, os Tudor, os Stuart, os Bourbon, os Orange – nomeadamente, dinastias
idênticas às famílias dinásticas que tinham lutado por riqueza e poder desde a queda do
império romano ocidental. Os invasores podem ser vistos de ambos os pontos de vista já
que se estava a dar uma transição. Essas entidades já não eram simples estados feudais,
mas também não eram ainda verdadeiras nações; já possuíam alguns dos atributos, mas
ainda não todos, de um estado-nação. O elemento em falta mais notado era o exército
nacional. Os Tudor e os Bourbon já manipulavam o anglicismo e o francesismo dos seus
súbditos, especialmente durante as guerras contra os súbditos de outras monarquias.
Mas nem os escoceses nem os irlandeses, nem os córsicos nem os provençais, foram
recrutados para lutar e morrer por "amor ao seu país". A guerra era um fardo feudal
oneroso, uma corveia; os únicos voluntários eram aventureiros que sonhavam com ouro;
os únicos patriotas eram os patriotas do Eldorado.
Os princípios do que viria a ser a crença nacionalista não atraíram as dinastias
reinantes, que estavam apegadas aos seus próprios princípios já experimentados e
testados. Os novos princípios atraíram os principais servidores das dinastias, os seus
agiotas, abastecedores de especiarias, fornecedores militares e saqueadores de colónias.
Estas pessoas, como Lope de Aguirre e os nobres holandeses, como os anteriores guardas
romanos e turcos, exerciam funções chave, ainda que permanecessem como serventes.
Muitos, senão mesmo a maior parte deles, ardiam de desejo de se livrarem da
indignidade e do jugo, de se livrarem do suserano parasita, para continuarem a explorar
compatriotas e a pilhar as colónias em seu próprio nome e para seu benefício.
Mais tarde conhecidos como burguesia ou classe média, estas pessoas ficaram ricas e
poderosas desde os dias em que as primeiras frotas foram enviadas para oeste. Uma
porção da sua riqueza provinha das colónias pilhadas, como pagamento por serviços que
vendiam ao imperador; esta soma de riqueza seria mais tarde conhecida como
acumulação primitiva de capital. Outra porção da sua riqueza provinha da pilhagem dos
seus próprios compatriotas e vizinhos através de um método mais tarde conhecido como
capitalismo; o método não era de todo novo, mas tornou-se bastante difundido depois
das classes médias terem açambarcado a prata e o ouro do Novo Mundo.
Estas classes médias exerciam funções importantes, mas ainda não tinham
experiência em exercer o poder político central. Em Inglaterra derrubaram um monarca
e proclamaram uma república, mas, temendo que as energias populares que mobilizaram
contra as classes mais altas se virassem contra elas, logo restauraram outro monarca da
mesma casa dinástica.
O nacionalismo afirmou-se apenas no final de 1700, quando duas explosões, com
treze anos de intervalo, inverteram as posições relativas das duas classes mais altas e
alteraram para sempre a geografia política do globo. Em 1776, mercadores coloniais e
aventureiros reencenaram a façanha de Aguirre ao proclamarem a sua independência da
dinastia ultramarina governante, superando o seu antecessor ao mobilizarem outros
colonos e conseguindo separar-se do império britânico hanoveriano. E em 1789,
mercadores iluminados e escribas superaram os seus precursores holandeses ao
mobilizarem, não apenas algumas regiões periféricas, mas toda a população, derrubando
e chacinando o monarca de Bourbon no poder e substituindo os vínculos feudais por
vínculos nacionais. Estes dois acontecimentos marcaram o fim de uma era. Daí em
diante, mesmo as dinastias sobreviventes tornaram-se rápida ou gradualmente