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Cultura a Quatro.pdf


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O Futuro do Cinema
Por Vitor Guarnieri

O cinema é um laboratório. Modos de chamar espectadores e imergir o público nos filmes são sempre experimentados e criados, como a tecnologia 3D, por
exemplo. Mas como seria o cinema no futuro? Quais
tecnologias nos aguardam com o intuito de deixar a
experiência de ir ao cinema cada vez mais imersivo? Carlos Segundo, diretor de cinema da produtora
Sopro do Tempo, nos responde algumas perguntas
quanto à incerteza do futuro do cinema.
Pergunta: Como a fotografia ajuda o cinema hoje
em dia? E futuramente?
Resposta: A fotografia é parte do cinema. O cinemão, quando a gente filmava em película, ele era
filmado em 24 quadros, ou fotos, por segundo. Então a fotografia tá no princípio do cinema. A imagem
em movimento na verdade não existe. Existe uma
ilusão de movimento. Você trabalha com saltos de
imagens. Como sua retina retem a imagem por muito
tempo, você não percebe que houve a mudança de
uma foto pra outra. Então a fotografia está desde o
início do cinema e, eu acredito, sempre vai estar. O
que pode acontecer é ter alterações de modo de uso
disso, ou como isso vai parar pro espectador, ou pensando como isso vai ser trabalhado para a realidade
virtual, por exemplo. Mas a fotografia é o princípio,
desde essa ideia dos fotogramas até a questão dos
quadros, do plano, como ele é feito. A gente poderia
também falar do que tá fora do quadro e o que ele
constrói. Ou da profundidade causada pelo foque e
desfoque. Da angulação. Do ponto de vista. E assim
por diante. A fotografia constrói o cinema. Ela direciona o olhar do espectador, cria o mise-en-scéne,
que é o movimento entre câmera, espaço e ator. E
eu acho que no futuro vai ser isso também.
P: Você acha que a foto no cinema deixará de ser
útil no futuro, por conta de tecnologias como motion
capture e cinema digital?
R: Acho que não. O motion capture, creio eu, possui
princípios fotográficos. A câmera digital nada mais
é do que uma repetição do que a analógica faz. A
única diferença é trocar o filme pelo sensor. Então
a fotografia tá aí. Talvez a foto em papel venha a
desaparecer, mas a ideia da foto digital não deixa de
ter os princípios fotográficos. A ideia de foto não vai
se perder.

P: O fotógrafo poderá ser dispensado do cinema no
futuro, por falta de utilidade e evolução das câmeras?
R: Se isso acontecer, será uma pena. Porque a fotografia não é simplesmente capturar imagens. O fotógrafo é alguém que consegue posicionar a câmera
no ângulo correto para transmitir emoção. O fotógrafo “still”, o que tira fotos comuns, esse sim possui sua
profissão em risco, porque está cada vez mais fácil
tirar fotos, como câmeras no celular, por exemplo.
Mas o fotógrafo no cinema, não. É um profissional
indispensável, cujo serviço não é qualquer um que
consegue fazer. Talvez uma sobreposição de papeis,
como um diretor também ser um fotógrafo, o que já
é muito comum.
P: O diretor da trilogia “O Poderoso Chefão”, Francis
Ford Coppola, afirma que o futuro do cinema será
“ao vivo”. Você acredita que isso será possível?
R: Eu adoraria ver uma experiência dessa. É possível trabalharmos essa realidade, o ao vivo junto com o gravado. A animação faz hoje um pouco
isso. Ela pode brincar com a imagem capturada que
é transformada em animação, que seria a realidade
aumentada. Ela trabalha com isso, com essa coisa
do ao vivo que trabalha com o que já foi capturado.
São sempre experiências novas que irão surgir de
um mesmo princípio. Não acho que isso vai matar o
cinema, talvez isso construa um novo tipo de relação
com a imagem, e dessa imagem com o espectador,
e eu acho que serão experiências incríveis.
P: Muitos especialistas afirmam que a imersão do
público no filme será um ponto crucial no cinema do
futuro. Uma das técnicas utilizadas são as 3 telas
numa mesma sala. Você concorda com isso?
R: São especulações que vão surgindo e experiências que vão sendo colocadas. A imagem está sendo utilizada em várias experiências. Essas salas
com três telas é uma dessas formas de se colocar
o público para experimentar a imagem, com uma
relação um pouco mais de troca. Você não só recebe informação em imagens, você também provoca
interferência na imagem. A arte tem se utilizado da
imagem para experiências como essa, que eu acho
riquíssimas. Mas acho que não irá substituir o cinema. São experiências paralelas, e o cinema continuará existindo.