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O conflito na Ucrânia assusta os
polacos, que partilham uma fronteira
com a Rússia, e levou a Polónia a
aumentar o orçamento para a Defesa
ocupa neste xadrez. “Estou um pouco assustado.
Não quero entrar em pânico, mas por outro lado
está a passar-se alguma coisa e nós, polacos, não
estamos muito longe disso”, confessa, os olhos
azuis arregalados por trás dos óculos.

O PESO DA HISTÓRIA

HISTÓRIA Russos celebram
conquista de Kaliningrado com
encenação alusiva à época

ao conflito na Ucrânia, em 2014. O epicentro da
guerra pode estar a quase dois mil quilómetros de
Gdansk, mas mesmo assim há quem sinta a necessidade de se prevenir. “Talvez tenha sido uma coisa estúpida, mas no ano passado fui comprar uns
recipientes daqueles grandes com água, só para ter
em casa. Não sei por que o fiz”, confessa-nos Jan
Daniluk, um historiador. O académico cora ligeiramente e encolhe os ombros quando o diz. Se por
um lado, a razão lhe sugere que uma invasão russa
é pouco provável, por outro, a emoção dá sinais do
contrário. Basta ver os caças russos em exercícios
mesmo ali ao pé, em pleno Báltico. Apesar de, por
norma, falar depressa, este investigador especialista no pós-II Guerra Mundial abranda o ritmo
quando aborda a geopolítica atual. Daniluk pensa
no lugar que a Polónia, único país da UE que faz
fronteira tanto com a Rússia como com a Ucrânia,

Percorrendo uma exposição sobre a II Guerra Mundial que ele próprio ajudou a montar, o historiador
vai disparando dados à medida que passa em revista os artefactos espalhados pela sala. A certa altura,
detém-se em frente a um simples cartaz — um antigo papel de propaganda nazi que alguém resolveu
reaproveitar, escrevendo na parte de trás do cartaz
amarelado, a letras vermelhas: “Longa vida à aliança polaco-soviética”. Para Jan, o cartaz ilustra bem
o sentimento da maioria dos polacos, para quem nazismo e comunismo foram faces da mesma moeda.
Se a ocupação germânica não deixou saudades, o domínio soviético, com um Governo nacional a seguir
ordens de Moscovo, também não fugiu dessa linha.
Tudo começou com a libertação do Exército
Vermelho, no final da II Guerra Mundial. Uma “libertação amarga”, nas palavras do historiador. “Os
russos dizem sempre ‘como é que vocês podem ser
tão ingratos? Nós libertámos-vos!’. Sim, libertaram, mas pelo meio destruíram as nossas cidades”,
lembra. “É preciso ter a visão geral da situação. Na
minha família, do lado da minha avó, houve mulheres violadas por soldados russos. E não sei de
nenhuma família que não tenha estado envolvida
de alguma forma nesta tragédia.”
Para um país historicamente disputado e ocupado pelo que hoje chamamos Alemanha e Rússia,
a II Guerra Mundial foi o evento decisivo que marcou a história recente da Polónia. Mas já no século
XIX, o poeta Adam Mickiewicz tinha escrito a peça
“Dziady”, onde homenageava a revolução de novembro de 1830 da Polónia ocupada contra o Império Russo; um século depois, em 1968, as autoridades comunistas proibiam a peça de ser levada à
cena, contribuindo para o descontentamento com
o regime e para a crise política desse mesmo ano.
O fantasma da Rússia, sempre presente.
É deste contexto histórico que muitos polacos
se lembram quando olham para a Rússia de Vladimir Putin. Sobretudo quando ela está já ali, do outro lado da fronteira. Daniluk não foi o único a preparar-se para um futuro incerto. “Eu tenho alguns
amigos que começaram a ir treinar tiro ao alvo.
Eu disse-lhes ‘vocês nunca pegaram numa arma’
e eles responderam-me ‘sim, mas agora quero’”.

E 41

Há quem vá ainda mais longe e queira ter treino
militar. Szymon Gruszecki é produtor de cinema
em Varsóvia e, inspirado pelas histórias de guerra
do avô, juntou-se ao grupo paramilitar FIA há já
alguns anos. Ao Expresso, o polaco confirma que a
sua milícia popular tem recebido muito mais inscrições desde a anexação da Crimeia e avança uma
explicação: “É como se vivesses num bairro e de
repente os teus vizinhos começassem a dar muitas festas. A polícia anda sempre a aparecer e tu ou
trancas a porta ou então mudas de casa. Nós não
podemos mudar de casa... É melhor estar preparado do que ser surpreendido.” O cenário atual já levou o Governo do partido Plataforma Cívica (centro-direita) a colaborar estreitamente com estes
grupos. E esta é apenas uma faceta da tendência de
militarização do Executivo liderado por Ewa Kopacz. Em 2015, a Polónia canalizou 2% do seu PIB
para a Defesa — entre os 28 países da NATO, só os
EUA e a Grécia superam este valor. “Tentamos ser
bons vizinhos, mas por outro lado também queremos estar mais seguros”, justifica o diplomata
veterano e ex-cônsul na região de Kaliningrado
(1992-1994), Jerzy Bahr, num debate em Gdansk onde o Expresso esteve presente. “Esta também é uma situação nova para nós. Há cinco anos
as ameaças não eram tão diretas, tão declaradas.
O nosso trabalho é tentar fazer o melhor possível,
mas mantermo-nos fortes militarmente.”
A somar ao rearmamento da região, surgem os
incidentes diplomáticos entre a Polónia e a Rússia. O último envolveu declarações do embaixador
russo em Varsóvia, Sergei Andreev, que remexeu
na História e acusou os polacos de terem impedido
uma coligação antinazi nos anos 30 — provocando
indignação generalizada na Polónia. Meses antes, a
demolição de alguns monumentos de homenagem
ao Exército Vermelho na Polónia deixou irados os
representantes russos. “A relação oficial mútua entre os dois Estados está pior”, admite Bahr.

VISITAS DOS VIZINHOS RUSSOS

A tensão, contudo, já foi menor. Em 2011, Polónia
e Rússia assinaram um acordo de tráfego local que
permitiu a abertura da fronteira aos habitantes das
regiões fronteiriças, mediante um cartão de autorização. Os locais podem assim visitar Kaliningrado ou as regiões de Varmia Masuria e Pomerânia,
na Polónia, onde se inclui Gdansk. A entrada em
vigor do acordo provocou uma revolução, com a
chegada de centenas de russos a território polaco,
atraídos pelos preços mais baixos. -


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