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LO SPADONE DI FRANCESCO FERNANDO ALFIERI .pdf



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Lo Spadone (O Montante)
por Francesco F. Alfieri

Versão transcrita e traduzida para o Português

Filipe Martins

Introdução
Apresentamos nas páginas seguintes uma transcrição e tradução para a língua portuguesa do livro
dedicado ao Spadone escrito por Francesco Fernando Alfieri e incluída na sua obra mais vasta intitulada
“L’Arte di Ben Maneggiare la Spada”, de 1653.
O uso do spadone, ou montante, iniciou-se em meados do séc. XV e estendeu-se até ao séc. XVII, época
em que terá progressivamente caído em desuso devido à evolução das técnicas bélicas. Encontramos
contudo alguns advogados do seu emprego, quer na vertente militar, quer na civil, como meio de não só
fortalecer fisicamente os esgrimistas como inclusive como meio de se controlar multidões, onde o uso, em
movimentos de larga rotação, desta tão impressionante arma, certamente teria produzido efeitos
decisivos.
Dos proponentes do uso do spadone, ou montante, temos dois exemplos em ambos os extremos do
mundo Latino ocidental, a saber, Diogo Gomes de Figeiredo, em Portugal ,com o seu “Memorial da
Prática do Montante”, escrito em 1651, e o já citado Francesco Alfieri, na Itália. Não deixa de ser notável o
facto das suas obras serem contemporâneas e de ambos os autores serem homens bastante
experimentados nas armas (se Alfieri era Mestre de Armas, Figueiredo, para além de Mestre de Armas e
de instrutor do Príncipe D. Teodósio, era um destacado Mestre de Campo General), pelo que não
podemos presumir que a inclusão do montante, ou spadone, nas suas obras, seja um mero arcaísmo,
desvario ou diletantismo.
Tanto quanto temos conhecimento, esta será a primeira tradução desta obra efectuada para o português.
Este trabalho é totalmente amador, feito por dedicação à arte da esgrima e à História e qualquer erro,
quer de transcrição, quer de tradução ou interpretação, será da responsabilidade exclusiva do seu autor.
Por essa via, será bem vinda toda e qualquer correcção, proposta e bem fundamentada, pois o objectivo
final é e será sempre o do progresso do conheciento e melhoria da qualidade técnica de quem ler e puser
em prática os ensinamentos presentes nesta obra.
Nesta tradução optámos por manter, sempre que possível, a terminologia técnica usada por Alfieri. Por
essa razão apresentamos o presente Glosário, no qual se usou preferencialmente a terminologia usada
pelo contemporâneo Diogo Gomes de Figeiredo. Para os casos em que Figueiredo não nos apresenta
termos compatíveis, optou-se por usar o entendimento dado à terminologia empregue por Camillo
Agrippa, a qual nos foi fornecida pelo nosso Mestre de Armas Fernando Brecha.

Fendente – Altibaixo: Golpe vertical, de cima para baixo
Mandritto – Talho: corte da direita para a esquerda
Molinello – Molinete, iniciando sempre do lado direito e terminando em riverso.
Montante – Golpe vertical, de baixo para cima, neste caso, possivelmente, com inclinação, dito di
mandritto se executado da direita para a esquerda e sottomano se executado da esquerda para a direita
Riverso – Revez: corte da esquerda para a direita
Squalembrato - Golpe descendente em diagonal; se efectuados da direita para a esquerda diz-se
mandritto, se da esquerda para a direita diz-se roverso
Stocatta – Estocada
Stramazzoni (ou Tramazzoni) – Golpes equiparados a talhos circulados, com destaque, terminando
sempre em mandritti.
Taglio – Golpe oblíquo, que pode ser mandritto ou riverso
Tondo – golpe circular horizontal e paralelo ao chão

Por fim, deixo aqui os meus agradecimentos à Exma Sra Directora do Instituto Italiano de Cultura de
Lisboa e Adida Cultural da Embaixada de Itália, Dra Luísa Violo, e ao Exmo Sr. Marcello Sacco, pela
amabilidade e presteza demonstradas para rever a minha tradução. Aos dois, molte grazie!

Lisboa, Abril de 2016

Lo Spadone

O Montante

DELLO SPADONE DI FRANCESCO FERº
ALFIERI
Cap. I
È Cosa certa, che trà tutti gli esercicitii ed arti
humanamente esercitate non è ne la più
eccellente, ne la più illustre, ne la più utile
dell’arte della Militia, poi che con questa si
difendono i Regni, si dilatano de Religioni, si
vendicano le ingiustitue, & si stabilisce la
pace, e felicità de’ popoli. Le antiche, e
famose Republiche, le quali ci serviranno
sempre d’esempio, e di stimolo ad incaminarsi
per la via, che si conduce alla felicità civile,
hebbero in tanto pregio la destrezza, e agilitá,
che riputavano beati queli, che più forti, e più
veloci de gli altri erano nelle loro solennità
giudicati, facevano mostra di quei doni, che
havevano ricevuti dalla Natura, e aggranditi cõ
l’arte; questi esercitii sono stati communi
ancora fin da primi secoli alla Italica Natione:
l’esercitio dello Spadone sarà commendato,
imperoche in esso il piede si fa pronto, si
rende pieghevole la vita, la mano acquista
forza, e di disciolgono le braccia; se
riguardiamo alla sua origine e chi fosse il
primiero, che lo ponesse in uso ed aggrandillo,
dice Salustio, qui fosse nel regnar di Ninno;
poi nel Asia Ciro, in Grecia i Lacedemoni, e gli
Ateniesi, e si passò à Romani, appresso de’
quali havevano publiche Academie, nelle quali
veniva da professori ammaestrata la gioventù,
onde non essendo da dubitare della antichità,
e maravigliosi effetti dello Spadone, e chi
perfettamente vuole ben maneggiarlo, à
necessario
l’esercitarsi
nell’arte,
che
altramente non ad altro serve, che ad intricare
ed inviluppar le mani, in che non accade ad
uno sperimentato, il quale venendo contra il
nimico, haverà pronti i partiti, che faranno
appropriati al caso, e fatto ardito dalla virtù, e
l’accompagnarà con la vendetta. A quello
dunque, che senza altri discorsi conoscono
questa virtù, sara facil impresa l’arrivare alla
parfettione, che si desidera, osservando però
le lettioni delle seguenti Figure, le quali fanno
pelese quelle particolarità, che dificilmente si
possono dichiarare con le parole, & sia il fine
del presente discorso de quest’arme.

DO
MONTANTE
DE
FRANCESCO
FERNANDO ALFIERI
Cap. I
É coisa certa, que de todos os exercícios e
artes humanamente exercitadas não há mais
excelente, nem mais ilustre, nem mais útil do
que a arte da Milícia, pois que com esta se
defendem os Reinos, se dilatam as Religiões,
se vingam as injustiças e se estabelece a paz,
e a felicidade dos povos. As Repúblicas
antigas e famosas, as quais servirão sempre
de exemplo e de estímulo para seguir via que
conduz à felicidade, tiveram tanto apreço pela
destreza e agilidade, que reputavam de
abençoados os que eram mais fortes e
velozes do que os outros [e] eram na sua
solenidade julgados, fazendo mostra dos seus
dons, que haviam recebido da Natureza e
engrandecido com a arte; estes exercícios
ainda eram comuns no fim dos primeiros
séculos na Nação Itálica: o exercício do
Montante será elogiado [recomenda-se – NT],
uma vez que com ele os pés se fazem
prontos [rápidos, responsivos – NT], a vida
torna-se dinâmica, a mão ganha força, e se
desenvolvem os braços; se considerarmos a
sua origem e quem foi o primeiro a dar-lhe
uso e a engrandece-lo, diz Salústio que foi no
reinado de Nino; em seguida na Ásia Ciro, na
Grécia os espartanos e os atenienses, e
assim passou para os romanos, os quais
tinham academias públicas às quais vinham
os professores adestrar a juventude, onde
não sendo de duvidar da antiguidade, e
maravilhosos efeitos do Montante , e aqueles
que perfeitamente querem bem manejar-lo, é
necessário exercitar-se na arte, que de outra
forma se não fará, que a de intrincar e
envelopar as mãos, o que não acontece com
um [homem] experiente, o qual vindo contra o
inimigo, terá prontas as partidas [jogadas,
técnicas - NT], que serão apropriadas às
circunstâncias, e faz da virtude [qualidade,
habilidade - NT] coragem, e a acompanhará
com vingança. Àqueles que, sem mais
discursos [palavras] conhecem essa virtude,
será tarefa fácil chegar à perfeição que se
deseja, observando no entanto as lições das
presentes Figuras, as quais fazem evidentes
essas peculiaridades, o que dificilmente se
pode declarar com palavras e assim se
conclui o presente discurso desta arma.

DELL’ARTE INTORNO ALL’OPERARE com lo
Spadone
Cap. II
In quest’arte si considera la Teorica, e la
Pratica; la Teorica è il modo come noi
dobbiamo operare con l’armi in mano contra il
nimico, e como si deve caminar co’ piedi, e
portare le braccia, e ancora sapere tirare i
colpi, che impariamo in varie, e diverse
maniere, che servono, e per offendere, e de
difendere, si com’è il dare de dritti, e di roversi
tondi e fendenti, montanti, stramazzoni,
sgualembri, far sbaragli, e ruote, molinelli,
cambiamenti di corpo, e tirare punte, e tagli in
varie, e diverse guise, e come portate,
slanciate, girate da una parte, e l’altra stando,
andando avanti, e ritirandosi, in molti modi,
che l’arte insegna, e con questo esercitio, e
studio si accresce l’ardire, per difendersi da i
popoli pieni di sangue, litigiosi, pionti à far
l’ingiurie, e chi ben sà valersi di
quest’artifitios’arma dello Spadone, può
andare contra ogni arma nemica, per esser
esso assai avantaggioso, e in ogni luogo
l’huomo si può difendere così in strada larga,
e stretta, come nelle piazze, e in campagna,
che si fosse assalito da nimici e davante e di
dietro. Questo Nobile esercitio è molto
frequentetato nella mia Scuola da Signori
Italiani, Polachi, Francesi & Alemani e da altri
riguardevoli soggetti da diverse Nationi e ciò lo
fanno per acquistar la prestezza, e fortificarsi
con il corpo, e far l’agilità, e svegliare l’ingegno
addormentato per natura; però ogni studioso
armigero nelle occorenze si può valere
dell’eccellenza dell’arte per difesa della vita, e
dell’honore, come mostriamo con i discorsi, e
con le figure, che chiaramente insegnano.

DA ARTE EM RELAÇÃO AO USAR o
Montante
Cap. II
Nesta arte considera-se a Teórica e a Prática;
a Teórica é o modo como nós devemos usar
as armas em luta contra o inimigo, e como se
deve caminhar com os pés, e trazer os
braços, e ainda saber fazer os golpes, que
aprendemos de várias e diversas maneiras,
[para] que servem, e para atacar e defender,
tal como é dar tondi da direita e da esquerda
e fendenti, montanti, stramazzoni, sgualembri,
desbaratar, e romper, fazer molinelli,
mudanças de corpo, e atacar com a punta, e
talhos de várias e diversas formas, e como
trazer, lançar, girar de uma parte a outra
estando [no mesmo sítio], andando para a
frente, e retirando-se, de muitos modos, que a
arte ensina, e com este exercício, e estudo se
aumenta o ardor [coragem bravura], para
defender-se dos povos cheios [sedentos] de
sangue, conflituosos, prontos a cometer
injúrias [danos, malfeitorias], e quem bem
souber valer-se desta artificiosa arma que é o
Montante, poderá ir contra qualquer arma
inimiga, por ser isso por demais vantajoso, e
em qualquer lugar o homem pode defenderse assim numa rua larga, e estreita, como nas
praças, e no campo, em que seja atacado por
inimigos por diante e por detrás. Este Nobre
exercício é muito frequentado na minha
Escola por Senhores Italianos, Polacos,
Franceses & Alemães e de outros avitados
indivíduos de diversas Nações e que o fazem
para adquirir rapidez, e fortalecer-se o corpo,
e ganhar a agilidade, e despertar o engenho
adormecido por natureza; mas todo o homem
de armas estudioso nas ocorrências se pode
valer da excelência da arte para defesa da
vida, e da honra, como mostramos com o
discurso, e com as figuras, que claramente
ensinam.

DELL’USO, E DELLA LUNGHEZZA, e del
forte, e debole dello Spadone
Cap. III
A Tutto mio potere mi sono sforzato, che in
questo picciolo volume non si trova coza
alguma, che non sia approbata dalla
esperienza, ni ne sperienza, che non sia
accompagnata dalla ragione, per tanto lo
studioso Cavaliere vedrà per le seguenti figure
la varietà de’siti, e positure di corpo, e di piedi,
e Spadone, e à suoi luoghi si discorrerà sopra
la natura di cialcuna, e gli effetti, che da loro
possono nascere, & i discorsi saranno tali, che
aguvolmente si potrà comprendere quando sia
tempo valersi hor dell’una, & hor dell’altra
ragione, e con che avantaggio, e modo si
debba andare contra il nimico, ancor che

DO USO E DA DIMENSÃO, e do forte e fraco
do Montante
Cap. III
Em tudo [o que me foi] possível eu esforceime [para] que neste pequeno volume não se
encontre coisa alguma que não seja
comprovada
pela
experiência,
nem
experiência que não seja acompanhada da
razão, para tanto o Cavaleiro estudioso verá
pelas seguintes figuras a variedade de sitios e
posturas do corpo, e pés, e Montante, e em
seus [devidos] lugares se decorrerá sobre a
natureza de cada uma, e os efeitos que daí
possam surgir, e os comentários serão tais
que facilmente [agilmente - NT] poderá
compreender qual será a altura para se fazer
uso de ora uma, ora outra razão, e qual a sua

l’huomo, che habbia scienza possa andare
come gli piace; perche trovandosi in
qualunque modo farà nascere buono effetto
per la cognitione dell’arte, la quale è padrona
di tutte le offese, e difese, portando però lo
Spadone in debito modo, e secondo le
mutationi, & occasioni date dall’aversario, si
hà da operare diversamente, perche quello,
che è buono per un luogo, non vale nell’altro;
la sua lama si divide in due parte, la prima
vicino alla mano di tutte la più forte, e con la
quale si può difendere, e resistere ad ogni
gagliardissimo colpo; la seconda, che segue
per alquanto più debole, ma nell’offendere è la
principale sopra tutte, nin solo di punta, a di
taglio, tal che esso Spadone viene ad esser
compartito mezo in difendere, e mezo in
offendere, e la sua lunghezza deve esser
tanto lungo quanto è un huomo proportionato,
ne grande, ne picciolo, esso deve haver doi fili
taglienti, e dev’esser molto liggiero, per poter
l’oservatore di quest’arte, tirar i colpi di taglio,
e punta, com maggior velocità, e minor fatica;
ancora deve havere buon fornimento, per
assicurare la mano istrumento principale
d’operare secondo la natura, e regola dell’arte.

vantagem, e modo como se deva ir contra o
inimigo, de forma que o homem que haja
ciência [conhecimento – NT] possa andar
como lhe aprouver; porque encontrando-se
em qualquer situação fará nascer bom efeito
pelo conhecimento da arte, a qual é senhora
de todos as ofensas [ataques] e defesas, mas
trazendo o Montante na forma devida, e de
acordo com as mudanças e oportunidades
dadas pelo adversário, se há-de actuar de
forma diferente, porque o que é bom para um
lugar, não serve para outro; a sua lâmina
divide-se em duas partes, a primeira perto da
mão de toda o mais forte, e com a qual se
pode defender e resistir a qualquer fortíssimo
golpe; a segunda, que fica por onde é mais
fraco, mas na agressão é a principal, acima
de todas, não só de punta como de taglio, de
tal que o Montante venha a estar dividido
meio na defesa, e meio no ataque, e o seu
comprimento deve ser tão longo como o é um
homem proporcionado, nem grande nem
pequeno, deve ter dois fios cortantes, e deve
ser muito ligeiro para o observador desta arte
poder executar os golpes de taglio e de punta,
com maior velocidade e menos esforço; ainda
deve haver boa empunhadura, para garantir
[segurar com] a mão, o principal instrumento
para se operar de acordo com a natureza e
regras da arte.

COMO SI PORTA IL CORPO, E IL PIEDI, per
incontrare il nimico col Spadone
Cap. IV
Il corpo si deve portare ben disposto, e
naturale senza forza, e dritto com faccia
alegra, di modo, che dopo messa mano allo
Spadone si possa andare contra il nimico, per
pigliar qualche avantaggio, liberarsi senza
alcun pericolo di restare dal nemico ferito.
Volendo moversi il Cavaliere per andare
contra l’aversario, deve cominciare, e portare
li piedi di passo ordinario, come per appunto si
portano nel caminare, se bene con alquanta
maggior prestezza di moto, & i passi più brevi,
non dovendosi mai aggrandire esso paso, se
non quando l’huomo é per fare resistenza
contra il nimico, quando lui viene per
offendere, così solo, come accompagnato, e
subito con prestezza, che spesso è madre
della fortuna chiuderli la strada, che non possa
venire innanzi à ferire; Molti tengono opinione
che combatendo si debba mirare gli occhi nel
nimico, in che non so, dove si fondano,
possiache non ho mai veduto, ne inteso, ne
letto, che gli huomini siano Basilischi; io dico,
che noi dobbiamo mirare il luogo della
persona, che intendiamo d’offendere, e non
altramente gli occhi; l’oservatore di quest’arte
può andare contra ogni sorte di arma honesta,

COMO SE TRÁS O CORPO, E OS PÉS, para
ir ao encontro do inimigo com o Montante
Cap. IV
O corpo deve mostrar-se bem disposto, e
natural sem [estar a] fazer força, e direito com
cara alegre de modo que, depois de se meter
a mão ao Montante se possa andar contra o
inimigo, para obter qualquer vantagem, [e]
libertar-se sem qualquer perigo de ser ferido
pelo inimigo.
Querendo o Cavaleiro mover-se para ir contra
o adversário, deve começar e levar os pés a
passo normal, como em verdade se portam
no caminhar, se bem que com maior rapidez,
e passos mais breves, não se devendo nunca
aumentar o passo, se não quando o homem
quer opor resistência ao seu inimigo, quando
este vem para o ofender [atacar], tanto só
como acompanhado, e de repente com
rapidez, que é frequentemente a mãe da sorte
o fechar-se a rua [para] que não se chegem
adiante para ferir; Muitos têm a opinião que
combatendo se deve mirar nos olhos do
inimigo, em quê não sei onde se
fundamentam, pois que eu nunca vi, nem ouvi
nem li, que os homens sejam Basiliscos; eu
digo que nós devemos mirar o lugar da
pessoa que tencionamos ofender e não, como
diferentemente disposto, os olhos; o

e per resistere contre tutte le mutationi
dell’aversario, fà di mestieri di assituare il
colpo, e lo Spadone, in modo tale, che si sia
più forte dell’arme nimiche, però é necessario
l’esser ricco di partiti, per andare à ferire il
nimico senza fermarsi come diremo à suoi
luoghi nelle seguenti figure.

observador desta arte pode ir contra toda a
sorte de armas honestas, e resistir a todas as
mudanças do adversário, fazer as habilidades
para situar [acertar] o golpe, e o Montante, de
tal modo que seja mais forte [do que ] as
armas inimigas, contudo é necessário ser-se
pronto para tudo [esser ricco di partiti in tutte
l’occasioni ou seja, ter confiança em todas as
ocasiões, conhecer todos os movimentos],
para ir a ferir o inimigo sem parar como
diremos em seus [devidos] lugares nas
seguintes figuras.

IL MODO, CUI SI DEVE TENERE, lo Spadone
caminando
Cap. V
Venendo hora à trattare del modo del portare
lo Spadone, il quale è una arma molto utile, e
tiene il nimico lontano, e non è soggeto ad
alcuna prohibitione; è commune in ogni
Provincia, & da ogni Prencipe è permesso,
molti lo portano como gli piace, e senza
regola: ma perche sono diverse le maniere frà
le quali ne mostraremo solamente una per la
megliore, nella quale si considera il caminar
de’ piedi, e moto del passo, e dispositione del
corpo. Hora volendolo portare senza noia, ne
impedimento alcuno, così di notte, come di
giorno, tanto solo, come accompagnato da gli
amici.
Lo Spadone si deve pigliare con la mano dritta
come più nobile, e con quella si portarà nella
mano sinistra, e con essa s’impugnarà,
appoggiandolo all’istesso braccio, come
insegna la presente figura, stando il Cavaliere
in questa postura può continuare il viaggio, e
venendo assalito da solo à solo, o da molte
genti, può spedientemente senza altro tempo
con la mano destra impugnare, e sfoderare lo
Spadone, valersene à quell’uso, che
dall’occasione si richiede.

O MODO COMO SE DEVE TER, o Montante
caminhando
Cap. V
Vindo agora a tratar-se do modo como se
deve transportar o Montante, o qual é uma
arma muito útil e [que] mantém o inimigo à
distância, e que não está sujeito a qualquer
proibição; é comum em qualquer Província e
por qualquer príncipe é permitido, muitos o
levam como o querem e sem regra: mas
porque são diversas as maneiras só
mostraremos uma que é a melhor, na qual se
considera o caminhar dos pés, a forma do
passo e disposição do corpo. Querendo levalo sem enfado nem impedimento algum, tanto
de noite como de dia, tanto só como
acompanhado de amigos.
Deve-se agarrar o Montante com a mão
direita como a mais nobre, e como tal se o
transportará com a mão esquerda, e com
essa se empunhará, apoiando-o no mesmo
[esquerdo] braço, como mostra a presente
figura, estando o Cavaleiro nesta postura
pode continuar a sua viagem e sendo atacado
num um contra um, ou por muita gente, pode
expedientemente e sem mais delongas
empunhar e desembainhar o Montante com a
mão direita [e] valer-se do seu uso que a
ocasião requerer.

DEL IMPUGNARE LO SPADONE e fermarsi
in postura, per assalire il nimico
Cap. VI
In questo discorso si mostrarà, che molto più
efficacemente insegnano le figure, che non
fanno i discorsi, perche il vedere disegnati le
posture, e le maniere, che il devono osservare
per imitarle levando tutte le dubbiezze, che
potessero rappresentata, como si deve in un
tempo indivisibile fermarsi nella postura, e
conservarsi libero per poter aspettare assalite
secondo al suo beneplácito.
Volendo il Cavaliere fare la prima lettione,
deve cominciare con i due tagli principali, ch’è
un mandritto, e un riverso, e vengono portati, i
insieme accompagnati dalla man drita, e
sinistra lungando il passo, e il corpo, tirando i
colpi, ó basso, ó alto, secondo il fito, e’l tempo,
questi due tagli sono tirati indiferentemente, e
replicati più volte, il mandritto é tirato dalla
parte drita, e il riverso é tirato dalla mano
sinistra, e chi bem andará examinando, e
discorrendo con l’intelletto trovarà facilmente
le ragioni di andare contra ogni uno, como
ragionaremo in um luogo di una i hora in un
altro dell’altra seguinte lettione.

DO EMPUNHAR O MONTANTE e firmar a
postura para se atacar o inimigo
Cap. VI
Neste discurso se mostrará, que mais
eficazmente se mostrará pelas figuras do que
pelos discursos, porque o ver desenhadas as
posturas e as maneiras [de se executar os
movimentos], que devem ser observadas para
imitá-las, remove todas as dúvidas que
poderia haver, como se deve, a um só tempo,
firmar-se na postura e manter-se livre para
esperar os ataques de acordo com a sua
vontade.
Querendo o Cavaleiro iniciar a primeira lição,
deverá começar com os dois principais tagli,
que são o mandritto e o riverso, e são feitos e
acompanhados pela mão direita e esquerda,
prolongando o passo e o corpo, executando
os golpes, ora baixos, ora altos, de acordo
com o objectivo e o tempo, estes dois tagli
são executados indiferentemente e repetidos
várias vezes, o mandritto é executado com a
[mão] direita, e o riverso é executado com a
[mão] esquerda, e quem bem [isto] examinar
e discorrer com o intelecto verificará
facilmente as razões para ir de encontro a
cada um, como constataremos num lado e
noutra hora num outro nas outras seguintes
lições [isto é, como se verificará, algumas
coisas numas lições, e outras coisas, noutras
lições - NT].

DEL MODO PRIMIERO DE COMINCIARE à
maneggiar lo Spadone
Cap. VII
Questa lettione si fa di tre tagli è degna
d’esser oservata, si per la fortigliezza de i
colpi, e per la maestria, che ricerca nel
giudicare l’effetto della presente Figura, con la
quale si comincia il passaggio, e per
conseguire quell’honore, che si brava, deve il
corpo esser alquanto piegato, e disposto alla
forza; le braccia hanno da esser unite, e con
ambedue le mani ter forte in pugno lo

DA PRIMEIRA FORMA DE SE COMEÇAR a
manejar o Montante
Cap. VII
Esta lição composta por três golpes é digna
de ser observada, tanto pela força dos golpes
como pela sua mestria, que se verifica ao
ajuizar o efeito da presente Figura, com a
qual se começa a passagem, e para se obter
a honra, o que é bom, deve estar o corpo um
tanto curvado e disposto à [a usar] força; os
braços devem estar unidos e ambas as mãos
devem segurar firmemente o punho do

Spadone, e movendo il passo naturale ma
generoso formarà ad un tempo il primo colpo
di mandritto, e’l secondo di reverso, e si
replica più volte li detti tagli, volgendo il corpo,
e lo Spadone con le mani in giro, sopra del
capo, e così si va in tal modo continuando,
tanto nell’andare innanzi, come nel ritornare à
dietto, come più efficacemente viene mostrato
dalla postura.

Montante, e movendo-se com passo natural
mas aberto far-se-á a um tempo o primeiro
golpe de mandritto e o segundo de riverso, e
assim se repetirão mais vezes os referidos
golpes, rodando o corpo e o Montante a ser
girado com as mãos sobre a cabeça, e assim
deste modo se continuará, tanto no andar em
diante como no retornar, como mais
eficazmente é mostrado pela postura.

IL GUARDA TESTA DELLO SPADONE per
difendersi in una strada ordinária
Cap. VIII
La
presente
figura
vi
servirà
per
risuegliamento di memoria caso, che per
lunghezza di tempo, e poco uso i miei ricordo
à viva voce datitui [da tutti?] vi fossero usciti di
mente. Hora vi mostrarò tutte le lettioni, che
sono talmente ordinate, che l’una à
concatenata coll’altre; Qui impariamo, como si
tirano li tre tagli, facendo il guarda testa con lo
Spadone, e ciò non solo serve à mostrar la
dispositione, e la destreza di chi l’essercicita,
mà può darsi il caso, che faccia di mesttiere il
praticarlo nel combattimento; si terà dunque il
braccio disteso, e dare un giro di tre mandritti
per sopra della testa, i il simile fare con li
riversi, si devono spingere súbito avanti senza
perdere tempo, si voltarà le mani insieme di
seconda como si vede dalla dimostratione del
disegno, e coll’unione del piè destro, e sinistro
si alungano li colpi, così avanti, come à dietro,
havendo sempre riguardo alla giustezza del
passo, per isfuggire li scouci, che levano il
mérito.

A GUARDA ALTA DO MONTANTE para
defesa numa rua normal
Cap. VIII
A presente figura vos servirá para reavivar a
memória caso, por longueza de tempo e
pouco uso [prática - NT] as mãos recordem à
viva voz tudo o que vos possa ter saído da
mente. Agora vos mostrarei todas as lições,
as quais são de tal modo normais, que uma
está relacionada com a outra; Aqui
aprendemos como
se
executam
os
três tagli, fazendo a guarda alta com o
Montante, e isso não só serve para mostrar
as posições e a destreza de quem o exercita,
mas pode dar-se o caso em que seja
necessário pratica-lo em combate; por
conseguinte, o braço estará esticado [e
relaxado] relaxado e executar-se-ão três
mandritti pela direita sobre a cabeça, far-se-á
similarmente com os riversi, deve-se avançar
[empurrar, no original] para a frente
imediatamente, sem perder tempo, as mãos
regressarão juntas segundo o que se vê
demonstrado no desenho, e com a união do
pé direito e esquerdo se alongam os golpes,
assim para a frente como para trás, devendo
observar-se sempre mesura no passo, para
se fugir às vergonhas que [nos] levam o
mérito.

COME SI DEVE IN LUOGO SPATIOSO fare
le tre croci de Spadone
Cap. IX
Le presenti lettioni sono tutte prese dal vero
ne il’occasioni delle questioni, che per il più
succedono à sangue caldo, si mo venuti al
modo di fare le tre croci, per servirsene nel
tempo, che si fosse da più persone assalito
nel piazze, o in strade spatiose, e a far questo
vi
si
richiede
molto
giudicio,
però
accompagnato con rissolutione, e bravura,
come mostra l’anteposta Figura.
La prima croce si divide con due tagli di
mandritto, accompagnandoli cõ il pie dritto
girando il corpo e lo spadone in giro, e
cialcheduno colpo fa il sio moto, tenendo il pie
sinistro fermo in terra, e l’altro, che camina col
taglio due volte, e poi fermare il pie dritto, e
cominciare col pie sinistro insieme con due
riversi, e finiti li due colpi si torna a cominciare,
come prima, col pie destro, e se ne passarà al
fiãco dritto, tirado li stessi due mãdritti, e finiti
si ferma il pie destro, e ‘l sinistro si porta alla
parte sinistra, e tirare li due riversi, e si retorna
poi nel luogo stesso, dove si hà cominciato.
La seconda croce si fà con tre tagli di
mandritto, e con tre riversi, i mandritti si
accompagnano con il pie destro , e i riversi
con il pie sinistro, girãdo tre volte il corpo, e cõ
lo Spadone, tenendosi però l’ordine sudetto.
La terza croce si fà di quattro tagli,
medesimamente e di riverso, replicati quattro
volte per parte, una davante, l’altra di dietro, e
l’istesso si fà alla parte del fianco destro, e
sinistro, osservando la regola, che habbiamo
dimostrato, col predetto discorso.

COMO SE DEVE NUM LUGAR ESPAÇOSO
fazer as três cruzes do Montante
Cap. IX
As presentes lições são todas provenientes
de ocasiões verdadeiras em que [por]
questões, na sua maioria surgidas a sangue
quente, somos levados ao modo de [a ter de NT] fazer as três cruzes, para usá-las no
tempo [em situações] em que se seja atacado
por várias pessoas nas praças ou ruas
espaçosas, e para se fazer isto se requer
muito juízo [sensatez, critério], embora
acompanhado de resolução e habilidade,
como mostrado na Figura anterior.
A primeira cruz divide-se em dois tagli de
mandritti, que são acompanhados com o pé
direito girando o corpo e o montante em
rotação, e cada um dos golpes fará o seu
[próprio] movimento, tendo o pé esquerdo
firmemente no chão, e o outro, que caminha
duas vezes com o taglio, e em seguida firmase o pé direito e começa-se com o pé
esquerdo juntamente com dois riversi, e findo
os dois golpes recomeça-se como antes, com
o pé direito, e passa-se para o flanco direito,
executando-se os mesmos dois mandritti, e
findo se firma o pé direito, e o esquerdo para
o lado esquerdo, e far-se-ão os dois riversi e
em seguida se retorna ao lugar onde se
começou.
A segunda cruz far-se-á com três tagli de
mandritto, e com três riversi, os mandritti
sendo acompanhados com o pé direito, e os
riversi com o pé esquerdo, girando-se três
vezes o corpo, e com o Montante, mas
mantendo-se a sobredita ordem.
A terceira cruz far-se-á com quatro tagli, e
também com riversi, com quatro repetições de
cada lado, uma para diante, outra para trás, e
de igual forma para o lado direito e esquerdo,
observando-se a regra que havíamos
demonstrado com o já referido discurso.


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