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REVISTA VIRACAO 111 .pdf



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quem faz a vira
pelo brasil

Conheça os Virajovens
em 20 Estados brasileiros
e no Distrito Federal:
Aracaju (SE)
Belém (PA)
Boa Vista (RR)
Boituva (SP)
Brasília (DF)
Campo Grande (MS)
Curitiba (PR)
Fortaleza (CE)
João Pessoa (PB)
Lavras (MG)
Lima Duarte (MG)
Macapá (AP)
Maceió (AL)
Manaus (AM)
Natal (RN)
Picuí (PB)
Pinheiros (ES)
Porto Alegre (RS)
Recife (PE)
Rio Branco (AC)
Rio de Janeiro (RJ)
Salvador (BA)
S. Gabriel da Cachoeira (AM)
São Luís (MA)
São Paulo (SP)
Sud Mennucci (SP)
Vitória (ES)

Auçuba Comunicação e Educomunicação – Recife (PE) • Avalanche Missões Urbanas Underground – Vitória (ES) • Buxé Fixe - Amadora (Portugal) • Casa Peque Davi – João Pessoa (PB)
• Catavento Comunicação e Educação – Fortaleza (CE) • Cipó Comunicação Iterativa – Salvador (BA) • Ciranda – Central de Notícia dos Direitos da Infância e Adolescência – Curitiba (PR)
• Coletivo Jovem – Movimento Nossa São Luís – São Luís (MA) • Gira Solidário – Campo Grande (MS) • Grupo Conectados de Comunicação Alternativa GCCA – Fortaleza (CE) • Grupo
Makunaima Protagonismo Juvenil – Boa Vista (RR) • IACEP – Instituto Amazônico de Comunicação e Educação Popular (AM) • Instituto de Desenvolvimento, Educação e Cultura da
Amazônia – Manaus (AM) • Instituto Universidade Popular – Belém (PA) • Mídia Periférica – Salvador (BA) • Instituto Candeia de Cidadania – Lima Duarte (MG) • Jornal O Cidadão – Rio de
Janeiro (RJ) • Lunos – Boituva (SP) • Movimento de Intercâmbio de Adolescentes de Lavras – Lavras (MG) • Oi Kabum – Rio de Janeiro (RJ) • Parafuso Educomunicação – Curitiba (PR)
• Projeto de Extensão Vir-a-Vila (UFRN) - Natal (RN) • Projeto Juventude, Educação e Comunicação Alternativa – Maceió (AL) • Rejupe • União da Juventude Socialista – Rio Branco (AC)

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Copie sem moderação! Você pode:
• Copiar e distribuir
• Criar obras derivadas
Basta dar o crédito para a Vira!

editorial

Desnudando
um tabu

A

sexualidade parece ganhar uma dimensão mais
complexa nos dias de hoje, especialmente em razão
das novas compreensões sobre gênero e diversidade
sexual, difundidas na internet, redes sociais e outras mídias. Além disso, é
inegável que as pessoas – em especial os mais jovens – têm se conectado
mais, inclusive por meio de aplicativos de relacionamentos, onde buscam
encontros amorosos ou sexo casual.
Nesse contexto, discutir doenças sexualmente transmissíveis (DST) e HIV
é fundamental, a fim de conciliar liberdade sexual com cuidados necessários
à saúde. Esta edição da Viração procura, portanto, dar visibilidade a
esse debate, partindo de questões mais estruturantes. Uma delas são
os direitos sexuais e reprodutivos da adolescência e juventude e a
complexidade em torno do entendimento de gênero. E, abordando
Viração é uma
os cuidados necessários às relações sexuais, bem como o sexo
organização não
e o corpo numa perspectiva política, nesta publicação
governamental
você também encontra reportagens relacionadas à
(ONG) de educomunicação,
regulamentação da prostituição e do aborto.
sem fins lucrativos, criada em
Esperamos que curta e compartilhe esta
março de 2003.
edição!
Recebe apoio institucional do
Boa leitura!
Fundo das Nações Unidas para a Infância
(UNICEF), da Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO),
do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade
de São Paulo e da ANDI - Comunicação e Direitos. Além de
produzir a revista, oferece cursos e oficinas em comunicação
popular feita para jovens, por jovens e com jovens em escolas,
grupos e comunidades em todo o Brasil.
Para a produção da revista impressa e eletrônica, contamos com
Apoio institucional
a participação dos conselhos editoriais jovens de 20 Estados, que
reúnem representantes de escolas públicas e particulares, projetos e
movimentos sociais. Entre os prêmios conquistados nesses dez anos,
estão Prêmio Don Mario Pasini Comunicatore, em Roma (Itália), o
Prêmio Cidadania Mundial, concedido pela Comunidade Bahá’í. E mais:
no ranking da ANDI, a Viração é a primeira entre as revistas voltadas
para jovens. Participe você também desse projeto.

quem
somos

A

Paulo Pereira Lima
Diretor Executivo da Viração – MTB 27.300

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Asso

ciazione Jangada

26/12/16 18:51

18
08

Conheça importantes datas e acontecimentos ao longo
do século 20 que contribuíram para fortalecer os direitos
sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens.

10
12

16

Figuras emblemáticas
Na perspectiva da saúde e da política, a liberdade sexual
é defendida em práticas e ideias de dois importantes
especialistas: Roberto Freire e Wilhelm Reich.

Menina, menino e mais
O debate sobre gênero toma grandes proporções nos
dias de hoje e as definições de homem e mulher nunca
foram tão questionadas e reelaboradas.

14

Garota que se toca
A prática da masturbação é comum entre meninos.
No entanto muitas meninas se privam de explorar o
próprio corpo, especialmente durante a adolescência.

Minas que se cuidam
A prevenção não se limita ao sexo entre homens ou entre
homem e mulher. A relação entre mulheres também
exige cuidados importantes, saiba quais são eles.

sempre na vira:

Manda Vê
No Escurinho
Quadrim
Galera Reportér
Rap Dez

06
21
24
28
36

RG da Vira:

Áurea Lopes

Revista Viração - ISSN 2236-6806

Diretor Executivo

Conselho Editorial

Eugênio Bucci, Ismar de Oliveira, Izabel
Leão, Immaculada Lopez, João Pedro
Baresi, Mara Luquet e Valdênia Paulino

Conselho Fiscal

Paulo Lima

Coordenação
Vania Correia e Adriano de Oliveira

Edição e Redação

Everaldo Oliveira, Renata Rosa
e Rodrigo Bandeira

Bruno Ferreira e Ethel Rudnitzki

Conselho Pedagógico

Adriele Araújo, Ana Hindrikson Saran,
Bruno Ferreira, Cleide Agostinho, Daniel
Fagundes, Daniele Rabelo, Elisangela
Nunes, Ethel Rudnitzki, Giovanni Nardin,
Ingrid Cordeiro, Jonathan Moreira, Marcela
Elena Varconte, Moisés Maciel, Tulio
Bucchioni e Verônica Mendonça

Alexsandro Santos, Aparecida Jurado,
Isabel Santos, Leandro Nonato e Vera Lion

Presidenta

Elisabeth Cristina Alvarenga

Vice-Presidente
Rafael Alves da Silva

Primeira-Secretária

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Entenda o debate a respeito da regulamentação da
prostituição no Brasil e a defesa dos que a defendem
e dos que não acreditam nessa alternativa.

Sem criminalizar

20

Marcos importantes

Equipe

Revisão

Paula Bonfatti

22

O aborto é um tema polêmico que costuma ser
debatido no âmbito da moralidade, mas esta é uma
questão, sobretudo, de autonomia e de saúde pública.

Racismo e HIV
Há mais casos de diagnóstico de HIV entre a população
jovem e negra, tanto de homens quanto de mulheres
dessa raça e em condição de vulnerabilidade social.

23
26

Epidemia que não cessa
A Sífilis é uma DST fácil de ser tratada, mas muitos
ainda não sabem dos riscos que essa doença envolve
e das formas corretas de se previr.

Vacina como prevenção
O vírus do HPV, responsável pelo câncer de colo de útero
e outras doenças, se previne com vacina para meninas e,
em 2017, será oferecida também para meninos.

30
32

d

Prostituição legal?

Combate como meta
Erradicar as infecções pelo vírus HIV é uma das metas
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Saiba como jovens podem se engajar nessa luta.

Além da camisinha
Pode-se prevenir o HIV também por meio de tratamentos
profiláticos anteriores ou posteriores à exposição ao
vírus; conheça-os no artigo de Diego Callisto.

33

Proteção aos pequenos
Pesquisa aponta para a necessidade de qualificar o
atendimento da rede pública de saúde de Santa Maria
(RS) a crianças e adolescentes que vivem com HIV.

Mobilizadores da Vira

Acre (Leonardo Nora), Alagoas (Alan Fagner
Ferreira), Amapá (Alessandro Brandão),
Amazonas (Jhony Abreu, Claudia Maria
Ferraz e Sebastian Roa), Bahia (Emilae
Sena e Mariana Sebastião), Ceará (Alcindo
Costa e Rones Maciel), Distrito Federal
(Webert da Cruz), Espírito Santo (Jéssica
Delcarro e Izabela Silva), Maranhão (Nikolas
Martins e Maria do Socorro Costa), Mato
Grosso do Sul (Fernanda Pereira), Minas
Gerais (Emília Merlini, Reynaldo Gosmão
e Silmara Aparecida dos Santos), Pará
(Diego Souza Teofilo), Paraíba (José Carlos
Santos e Manassés de Oliveira), Paraná
(Juliana Cordeiro e Diego Henrique Silva),
Pernambuco (Edneusa Lopes e Luiz Felipe
Bessa), Rio de Janeiro (Gizele Martins),
Rio Grande do Norte (Alessandro Muniz),
Rio Grande do Sul (Evelin Haslinger

e Joaquim Moura), Roraima (Graciele
Oliveira dos Santos), Sergipe (Elvacir Luiz) e
São Paulo (Igor Bueno e Luciano Frontelle).

Colaboradores

Diego Callisto, Márcio Baraldi, Nobu Chinen,
Novaes, Sérgio Rizzo e Wanderson Viana

Arte

Manuela Ribeiro

Jornalista Responsável

Paulo Pereira Lima – MTb 27.300

Divulgação

Equipe Viração

E-mail da Redação
redacao@viracao.org

Doação

doacao@viracao.org

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diga lá!

O que é
Educomunicação?

Vira amigo da Vira!
Desde 2014, a Revista Viração não trabalha mais com assinatura. Em vez disso,
pedimos doação de pessoas físicas para a manutenção das nossas atividades, que
incluem não apenas a produção de conteúdos de jovem para jovem, mas também
atividades de formação.
Só no último ano, a Viração Educomunicação contribuiu para a formação de 1.200
adolescentes, além de atingir um público de 40 mil pessoas por meio das redes sociais,
Revista Viração e do site Agência Jovem de Notícias.
Então, seja um doador mensal!
Você pode virar amigo da Vira realizando um depósito em nossa conta institucional:
Viração Educomunicação
Banco do Brasil
Agência: 6501-3
Conta Corrente: 200.023-7
CNPJ: 11.228.471/0001-78
Lembre-se de mandar um comprovante do depósito para nossa equipe, para que
você receba nossos produtos ao longo do ano: doacao@viracao.org.
Caso preferir, podemos entrar em contato com você.
Basta preencher o formulário no link: http://bit.ly/doe_Vira
Você ainda pode doar por meio de cartão de crédito ou débito,
acessando o nosso site: www.viracao.org/viracao/doação
Colabore para a transformação de vidas por meio da comunicação!

Perdeu alguma edição
da vira? não esquenta!
Você pode acessar, de graça, as edições anteriores
da revista na internet: www.issuu.com/viracao

Para garantir a igualdade
entre os gêneros na linguagem
da Vira, onde se lê “o jovem”
ou “os jovens”, leia-se também
“a jovem” ou “as jovens”, assim
como outros substantivos
com variação de masculino
e feminino.

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viracao.
educomunicacao

É comum, nas edições da Vira,
encontrar a palavra “educomunicação”
ou o termo “educomunicativo”. A
educomunicação é um campo de
intervenção que surge da interrelação comunicação/educação para a
transformação social. Dizemos que um
projeto ou prática é educomunicativa
quando adota em seus processos,
especialmente do jovem, o caráter
comunicacional, como o diálogo,
a horizontalidade de relações e o
incentivo à participação, fazendo com
que os sujeitos exerçam plenamente
o direito humano à expressão e à
comunicação, em diferentes âmbitos
e contextos. A Viração promove
ações educomunicativas por meio
da produção midiática, incentivando
que adolescentes e jovens produzam
reportagens coletivas em diferentes
linguagens.

Como virar
um virajovem?
Virajovens são os integrantes dos
conselhos editoriais jovens da Viração,
que produzem conteúdos em suas
cidades. O conselho pode ser um
coletivo autônomo de jovens ou
um grupo ligado a uma entidade,
organização, movimento social, escola
pública ou privada, que dará apoio
para que os virajovens produzam
conteúdos. A parceria entre a Vira e
entidade é oficializada com um termo
de compromisso e com a publicação
do logotipo da organização na revista
Quer saber mais? Entre em contato
com a gente: redacao@viracao.org.

@ag_jovem

Mande seus comentários sobre a Vira, dizendo o que achou de nossas reportagens
e seções. Suas sugestões são bem-vindas! Escreva para Rua Bitencourt Rodrigues,
88, cj. 102 - CEP: 01017-010 - São Paulo (SP) ou para o e-mail: redacao@viracao.org Aguardamos sua colaboração!
Parceiros de Conteúdo

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manda


Diego Henrique da Silva, do Virajovem Curitiba (PR); Clara Wardi, do Virajovem Rio de
Janeiro (RJ); Rodri Nazca, do Virajovem Natal (RN); Maurício de Paula, do Virajovem São
Luís (MA) e Ethel Rudnitzki, da Redação

O tema “vida sexual” pode ser meio controverso, dividir opiniões ou gerar uma discussão
bastante livre, direta e plural. Isso acontece porque esse tema sofre influência das várias experiências
e modos de ver o mundo que cada pessoa tem. Aspectos sociais, culturais, econômicos e até religiosos
podem influenciar as ponderações das pessoas. Além disso tudo, também é preciso levar em conta que
o assunto acaba sendo pouco discutido na escola e na família e o sexo acaba sendo tabu. Por essa razão,
muita gente ainda não sabe sobre os prazeres e cuidados que envolvem as relações sexuais. Por isso, é tão
necessário prezar pela saúde também no âmbito sexual.

o que é
Mas

ter uma
vida sexual
saudável?

Francisco Kerche
19 anos | São Paulo (SP)
“Tem gente que acha que vida
sexual saudável está relacionada
à quantidade de vezes que se
transa. Eu acho que não é bem
assim, para mim tem a ver com
proteção e consciência.”

Clara Almeida
20 anos | Rio de Janeiro (RJ)
“É estar bem com o próprio
corpo, se aceitando, não fazer
nada contra a vontade e não
abrir mão de proteção por
terceiros.”

Dayara Sousa
da Silva
18 anos | Anapurus (MA)
“A vida sexual saudável é uma
questão de prazer, de se sentir bem
e realizado com você mesmo e com
o parceiro, pois a partir do momento
em que você tem uma relação de
confiança, isso se torna saudável.”

6

Mirian Souza
19 anos | Lauro de Freitas (BA)
“Uma vida sexual saudável é
uma combinação de questões físicas,
psicológicas e emocionais das pessoas
envolvidas para que seja um momento
prazeroso. Mas para isso é necessário
que estejamos com uma pessoa que
nos faça bem, sem cobranças.”

Revista Viração • Ano 14 • Edição 111

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Sarah Figueiredo
19 anos | Natal (RN)
“Uma vida sexual saudável não
precisa se resumir a ter poucos
parceiros. Ela se baseia na fuga
do senso comum. É necessário
que conheçamos as medidas
preventivas e que tenhamos
noção da gravidade que pode ter
um ato sexual sem prevenção.
Uma vida sexual saudável envolve
responsabilidade e maturidade sob
nossas atitudes.”

Gabriel Silva
18 anos | Sarandi (PR)
“É aquela em que todos os
envolvidos sentem e proporcionam
prazer. Às vezes, a satisfação de um
pode estar em desacordo com a do
outro. Aí, nesse caso, teria que haver um
meio termo, para que não haja abusos.”

Não é de hoje
O Ministério da Saúde do Brasil distribui
preservativos (masculinos e femininos)
gratuitamente desde 1994 como forma de
prevenir doenças sexualmente transmissíveis e
de evitar gravidez indesejada, garantindo uma
vida sexual saudável aos brasileiros. Desde
o começo da década de 1980, cerca de 500
mil pessoas foram infectadas pelo vírus HIV
apenas no Brasil. As autoridades começaram a
tomar providências quando se deram conta do
elevado número de pessoas com aids, inclusive
os famosos, que deram visibilidade à questão.
Hoje, são cerca de meio bilhão de camisinhas
masculinas distribuídas por ano em postos de
saúde, hospitais e eventos públicos.

Yverson Carvalho
22 anos | Paranaguá (PR)
“Para uma vida sexual ativa e
saudável, é preciso aprender sobre
seu corpo primeiramente, evitar
uma relação sexual já pensando no
prazer final, colocar limites para não
sofrer danos à saúde e se prevenir
sempre.”

Brunno Ferreira
de Sousa
19 anos | São Luís (MA)
“É aquela na qual minha vida
sexual é relativamente ativa e se
constitui numa relação de segurança,
sem risco à integridade e à saúde.”

FAZ PARTE
Não existe regra para ter uma vida sexual
saudável, é preciso apenas de respeito e
prevenção. Cada um tem sua orientação
sexual e de gênero, suas preferências e jeitos.
Saber respeitar essa diversidade já é grande
coisa. Além disso, estar consciente de todos
os riscos e maneiras de se proteger também
é fundamental para preservar a saúde na vida
sexual. Saiba mais sobre prevenção de DST e
diversidade sexual nas próximas páginas desta
revista!

*Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

Revista Viração • Ano 14 • Edição 111

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7

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tantas histórias
Um caminho com

Entenda o histórico dos direitos sexuais e reprodutivos ao longo do século 20

Tulio Bucchioni, da Redação

S

ão muitos os direitos que compõem a história
dos direitos humanos. São muitas as histórias que
compõem o percurso de cada direito. Ficaremos
nesta matéria com aquelas que dizem respeito aos assim
chamados “direitos reprodutivos e direitos sexuais” –
os quais possuem pontos em comum, mas, convém
lembrar, são diferentes, afinal reprodução e sexualidade
não caminham sempre juntas. Antes de tudo, será
preciso fazer um passeio pelo século 20, para pensar em
perspectiva histórica.

Anos 1940
 Logo após a sua fundação, em 1945, a Organização

das Nações Unidas (ONU) já se encontrava às voltas com
a reflexão sobre maneiras de conciliar o crescimento
exponencial da população mundial com a garantia de
desenvolvimento, bem estar e qualidade de vida para
todas as pessoas ao redor do mundo. É neste contexto
que podemos notar o eixo da discussão sobre reprodução
e sexualidade atrelar-se também a uma preocupação com
a juventude do nosso planeta.

 Nesse mesmo período, é possível notar o surgimento
e a consolidação de um pensamento sobre reprodução,
sexualidade e juventude estruturado sob a batuta da
ideia de direitos. Mas o que significa isso? Basicamente,
a introdução de um novo paradigma, que busca
compreender a relação entre crescimento populacional,
desenvolvimento, reprodução e sexualidade sob a
ótica dos direitos fundamentalmente ligados à ideia
de democracia1. E, como não poderia deixar de ser,
ganham centralidade neste cenário as figuras dos jovens
e adolescentes.

8

Revista Viração • Ano 14 • Edição 111

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Anos 1980
 Nessa época, a noção de direitos reprodutivos

envolvia um consenso sobre a necessidade de se diminuir
mundialmente os números de gravidez na adolescência,
bem como o esforço para garantir o acesso ao
planejamento familiar a jovens e adultos - isto é, a escolha
exclusivamente voluntária e individual do número
de gestações – e o acesso generalizado a métodos
contraceptivos, entre outros aspectos.

 É neste momento que se consolida a avaliação de

que a gravidez na adolescência tende a representar
menos oportunidades de educação e de trabalho
para meninas, além de reduzir suas possibilidades de
interação e atuação na vida social quando comparada às
possibilidades de jovens homens. De forma semelhante,
a ONU passa a encorajar os países do mundo a educarem
meninos para a paternidade responsável e para a divisão
de todos os cuidados relativos à criação de uma criança.

Anos 1990 e 2000
 A necessidade de autonomia sobre a sexualidade

enquanto um direito humano passa a ser reforçada
para se abordar e compreender as diversas experiências
sexuais de adolescentes e jovens. Isso representa
um passo importante, entre outros aspectos, para a
naturalização de uma perspectiva de afirmação da
diversidade de orientações sexuais. Paralelamente, são
feitos esforços para prevenir e identificar a violência
sexual nessa faixa etária, contra meninas e meninos,
atentando-se cada vez mais à vulnerabilidade de
adolescentes e jovens e a situações de violência, como é o
caso, por exemplo, da pornografia infantil na internet.

 O acesso à informação também passa a ser

encarado de modo vital para a garantia e efetivação dos
direitos sexuais: a ONU encoraja os países do mundo
a ultrapassarem limites culturais, sociais ou jurídicos
para garantir a disseminação e compartilhamento de
informações sobre saúde sexual, doenças sexualmente
transmissíveis e HIV/aids, por exemplo. O ambiente
escolar seria compreendido, a partir de então, como o
espaço ideal para o oferecimento da educação sexual
para fortalecer os direitos sexuais em meio a jovens e
adolescentes.
Como se pode notar por meio deste breve histórico,
a história dos direitos é feita de acúmulos crescentes no
aperfeiçoamento tanto da compreensão, sempre em
transformação, do que é um determinado direito, como
também do que é necessário ser feito, do ponto de vista
de uma política pública, por exemplo, para que um direito
seja efetivado.
De qualquer modo, é preciso ressaltar que a definição
dos direitos é construída de modo coletivo: movimentos
sociais, partidos e grupos políticos podem atuar de
modo a ampliar entendimentos, pressionar por, ou
consolidar efetivações, ou até mesmo conceber e colocar
em prática novos direitos. Por fim, vale a pena reforçar
o vínculo entre autonomia de direitos reprodutivos e
direitos sexuais e democracia; compreendendo jovens e
adolescentes como sujeitos com necessidades específicas
em uma fase singular da vida – e não apenas em uma
fase de transição – nada mais democrático do que a
oportunidade de vivenciar com liberdade escolhas e
experiências relativas à sexualidade e reprodução.

1 Conforme nos sugerem Silvia Piedade de Moraes e Maria Sylvia de Souza Vitalle, ambas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em um artigo denominado Direitos
sexuais e reprodutivos na adolescência: interações ONU-Brasil.

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