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Sem título 1 .pdf


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Apresentações.

Eram dois, três dias antes da apresentação.
Mas parecer era a tal palavra que melhor se encaixava.
Então segundos era o que eu sentia.
Esse tempo
Ninguém o podia ver além de mim.
Eu rodeava as laterais do meu quarto,
Da minha mente,
Tomava alguns copos d’água,
Escutava música e,
A sensação de que algo estava faltando ser completo,
De que algo precisava terminar,
Nunca terminava.
O fim não chegava mesmo depois de passar.
Continuava a andar pela sala até que
Deitei.
Era um quadrado claustrofóbico.
Rodeei de novo,
E de novo,
Tomei outros copos d’água,
Escutei outra música e

Então, com não mais que um pequeno cansaço, abri mão
dessa apresentação.
Me via livre por um tempo do tempo.
Mas me via livre realmente por um tempo do:
Próprio tempo, ou da ansiedade por causa dele?

Era o que custava a passar.

Isso não tem sido uma situação recente na minha vida.
Este problema tem me seguido por todos esses anos,
enquanto o que só me restava — e resta — fazer é lidar com
ele em mais um dia diferente. A dificuldade de se sentir
confortável com tudo o que acontece a minha volta é
bastante desafiadora, pois tudo parece correr contra o que eu
preciso fazer, e só me falta o ar para continuar seguindo o
andar. E não basta isso, a paz que talvez consiga é bem
temporária e é tão volátil quanto o choro que dei por isto.
Posso resumir esta sensação em algo que me aconteceu
certa vez e, por menor que seja isso, permanece sendo uma
silhueta gigante de um monstro que veio me assombrar,
colocando seus olhos vermelhos entre as frestas da janela e
me observando a noite toda — e enquanto eu o observo
também, só que com medo.
Eu costumava trocar bastante brinquedos meus que não
me interessavam mais, era como se eu trocasse o casting das
milhares de histórias que criava com a minha irmã pequena.
Então se eles não me servissem para fazer tal função, eu
trocava. Naquele dia na escola eu tinha pego um dos

bichinhos e o troquei por um que tinha um pé de mola. Era
super, era interessante e outras qualidades a meu ver — seria
ele o meu novo super-herói —, então não havia motivos para
não trocar por algo que eu não precisava mais.
Mas, alguns dias depois, minha mãe descobriu que eu
tinha trocado esse bichinho e pediu para que eu destrocasse.
Falei que faria assim que possível. Isso fora antes das férias, e
mesmo algumas semanas depois a pessoa deveria — por certo
— estar viajando. Esta foi a minha resposta pela pessoa não
ter aparecido ainda pela escola. Passou-se duas semanas e
então ela apareceu. Eu que estava com saudades desse
bichinho, fui lá e destroquei com certa contrariedade
partindo da outra pessoa de me devolver aquele tal bichinho
(ele é azul, com os olhos laranjas).
É aí que entra o que sinto.
Mesmo depois de ter desfeito a troca, eu continuei
sentindo que ainda não tinha destrocado. E que ainda tinha
que seguir o que minha mãe tinha mandado fazer. E semanas
após semanas, meses e meses se passaram e o pensamento
surgia na minha cabeça e a sensação de que eu tinha deixado
algo passar e que deveria resolver voltava. Eu sinto isso
também enquanto escrevo isto aqui. É algo que percorre
minha veia e me faz sentir sem ar e com vontade de chorar
desesperadamente. Sempre estou em dívida, mas não sei com
o quê. Aquele bimestre da escola foi terrível, ah como foi.
Minhas notas despencaram por causa dessa sensação, e eu só
consegui resolver esta quando outro ataque de pensamentos,
outra sensação, por outro motivo, começou.
Em mais um dia diferente.
Ah, a ansiedade.


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