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Foucault Ditos e Escritos IV .pdf



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-8

Estratégia,

• ..--4 Poder-Saber

~

2'EDIÇÃO

Organização e seleção de textos:
Manoel Barros da Motta

Tradução:
Vera Lucia Avellar Ribeiro

~~

=ORENSE
UNIVERSITÁRIA

2' edição- 2006
© Éditions Gal/imard. /994

© Éditiom Plon, !975, para o texto Pr~/iicio (in Jackson)
© The Unirersity qf Utah Press. Sair Lnke Cit''· /981. para o texto "Omnes et Singulatim":
uma Crítkn da Razão Pnlitica
Traduzido de:
Dits et écrits
Cet mtrrage, pub/ié dam le cadre du pro1{ramme d'aide à la plthlication. bénéjicie clu soutien du MiniJrêre
Fmnr;ais des Affaires EtrangheJ, de l'Ambassade de France mt Brisi/ et de la Maison de Frana de Rio de
Janeiro.
Este livro, publil.:ádo no âmbito do programa de participação à publkação. contou com o apoio Uo Ministério
FrdtlCês das Relacrões Exteriores, da Embaixada da França no Bra."~õil e da Maison Ue F rance do Rio dt Janeiro.
Ouvrage publié m·ec· l'aitle du Minhthe Franr;ais Chargé de la Odture- Ctntre Nafi(}R(t/ du Liwr.
Obra publicada com a ajuda do Ministério Francês da Cultura- Centro Nacional do Livro.

Foto da capa: Jacques Robert
CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
F89e
2.ed

Foucault, Michel, 1926-- i. 984
f..o;tratégia, poder-saht-r I Michel Foucault: organização e seleção de textos,
Manoel Barros da Motta: tradução, Vera Lucia Avdlar Ribeiro. - 2.ed.- Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 2006.
(Ditos e esc..:titos: IV)
Tradu'fão de: Dits et écrits
ISBN 85-218-0396-6
I. Teoria do conhecimento. 2. Poder (Ciênciac;; sociais). 3. Filosofia
fr..rncesa- Século XX. l. Título. 11. Série.

06-0990

CDD 121
CDU 165

Proibida a reprodução total ou parcial. de qualquer forma
ou por qualquer meio eletrônico ou mecânico, sem permissão
expressa do Editor (Lei ll" 9.610. de 19.2.1998).

Reser\'ados os direitos de propriedade desta edição pela
EDITORA FORENSE UNIVERSITÁRIA
Rio de janeiro: Rua do Rosário. 100 -Centro-CEP 20041-002
Tels./Fax: 2509-3148/2509-7395
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e-n1ail: editora@forenseuniversitaria.com.br
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Prinft'd ill Bra:il

l
Apresentação

Construída sob o signo do novo, a obra de Michel Foucault
subverteu, transformou, modificou nossa relação com o saber
e a verdade. A relação da filosofia com a razão não é mais a
mesma depois da História da loucura. Nem podemos pensar
da mesma forma o estatuto da punição em nossas sociedades.
A intervenção teórico-ativa de Michel Foucault introduziu
também uma mudança nas relações de poder e saber da cultura contemporãnea, a partir de sua matriz ocidental na medicina, na psiquiatria, nos sistemas penais e na sexualidade.
Pode-se dizer que ela colabora para efetuar uma mutação de
episteme, para além do que alguns chamam de pós-estruturalismo ou pós-modernismo.
A edição francesa dos Ditos e escritos em 1994 pelas Edições Gallimard desempenha um papel fundamental na difusão de boa parte da obra do filósofo cujo acesso ao público era
dificil, ou em muitos ·casos impossível. Além de suas grandes
obras, como As palavras e as coisas, História da loucura, Vigiar e punir, O nascimento da clínica, Raymond Roussel e História da sexualidade, Foucault multiplicou seus escritos e a
ação dos seus ditos, na Europa, nas Américas, na Ásia e no
Norte da África. Suas intervenções foram das relações da loucura e da sociedade, feitas no Japão, a reportagens sobre arevolução islãmica em Teerã, e debates no Brasil sobre a
penalidade e a política. Este trabalho foi em parte realizado
através de um grande número de textos. intervenções, conferências, introduções, prefácios e artigos publicados numa
vasta gama de países que vai do Brasil aos Estados Unidos, à
Itália e ao Japão. As Edições Gallimard recolheram esses textos, excluindo os livros, em quatro volumes. A edição francesa
pretendeu a exaustividade, organizando a totalidade dos textos publicados quando Michel Foucault vivia, embora seja
provável que alguma pequena lacuna exista neste trabalho. O
testamento de Foucault, por outro lado, excluía as publica-

VI

Michel Foucault - Ditos e Escritos

ções póstumas. Daniel Defert e François Ewald realizaram,
assim, um monumental trabalho de edição e estabelecimento
dos textos, situando de maneira nova as condições da publicação; controlaram as circunstâncias das traduções, verificaram as citações e erros de tipografia. Jacques Lagrange
ocupou-se da bibliografia. Defert elaborou uma cronologia, na
verdade uma microbiografia de Foucault para o primeiro volume, que mantivemos na edição brasileira, em que muitos elementos novos sobre a obra e a ação de Michel Foucault
aparecem.
Este trabalho, eles o fizeram com uma visada ética que, de
maneira muito justa, parece-me, chamaram de intervenção
mínima. Para isso, a edição francesa de Defert e Ewald apresentou os textos segundo uma ordem puramente cronológica.
Esse cuidado não impediu os autores de reconhecerem que a
reunião dos textos produziu algo de inédito. O conjunto destes
textos constitui um evento tão importante quanto o das obras
já publicadas, pelo que complementa, retifica ou esclarece. As
numerosas entrevistas - quase todas nunca publicadas em
português- permitem atualizar os ditos de Foucault com relação a seus contemporâneos e medir os efeitos de intervenções
que permanecem atuais, no ponto vivo das questões da contemporaneidade, sejam elas filosóficas, literárias ou históricas. A omissão de textos produz, por outro lado, efeitos de
interpretação, inevitáveis, tratando-se de uma seleção.
A edição brasileira dos Ditos e escritos é uma ampla seleção
que tem como objetivo tornar acessível ao público brasileiro o
maior número possível de textos de Foucault que não estivessem ainda editados em português. Como não nos era possível
editar integralmente todos os textos, optamos por uma distribuição temática em alguns campos que foram objeto de trabalho por Foucault.
O quarto volume da série nos apresenta uma seqüência de
textos inéditos em português sobre as questões cruciais com
que se defrontam as lutas que concernem ao funcionamento
da prisão na sua dimensão mundial, na França, na Europa
Ocidental, nos Estados Unidos- o real dos campos de concentração sob o nazismo e o stalinismo, na antiga União Soviética
e na China, uma crítica da racionalidade política e das modalidades do poder no mundo contemporâneo, e, abrindo essa
série, os textos sobre a importantíssima ação do GIP.

Apresentação

VII

Participaram do GIP, criado em fevereiro de 1971, além de
Foucault, Daniel Defert, Pierre Vidal-Naquet, Jean-Marte Domenach, Claude Mauriac, filósofo, teórico e crítico do teatro,
François Regnault, Gilles Deleuze, a criadora do Théâtre du
Soleil Ariane Mnouchkine, Jacques-Alain Miller, criador da
Associação Mundial de Psicanálise, Hélêne Cixous, romancista e crítica literária, Jean Gattégno, Jean Genet. Em dezembro
de 1972, o GIP foi dissolvido depois da criação do comitê de
ação dos prisioneiros.

Poder e penalidade hoje
Foucault situa a ligação do trabalho de ação política e o da
elaboração teórica que produziu Vigiar e punir como efeito de
um choque criado por seu livro História da loucura na Inglaterra e na Itália junto ao círculo de Basaglia no movimento
antipsiquiátrico. Diz ele: "Essas pessoas, certamente, desenvolveram seu movimento a partir de suas próprias idéias e de
suas próprias experiências como psiquiatras, mas viram no livro que eu escrevera uma espécie de justificativa histórica e,
de algum modo, elas o reassumiram, reconsideraram e, até
certo ponto, se encontraram ... " Foucault percebe então que
seu "livro histórico está em via de ter uma espécie de resultado
prático". Diz então: "estou um pouco ciumento, e agora gostaria muito de fazer as coisas eu mesmo. Em vez de escrever um
livro sobre a história da justiça que seria, em seguida, tomado
por pessoas que poriam praticamente em questão a justiça,
eu gostaria de começar por recolocar em questão a prática da
justiça, depois, palavra de honra!, se eu ainda estiver vivo, e
se não tiver sido posto na prisão, pois bem, escreverei o livro ... " (ver p. 35 neste volume). Assim, Foucault redigiu Vigiar
e punir, editado em 1975, cerca de alguns anos depois de iniciar o movimento contra a prisão em tomo do GIP. Mas de que
precisamente trata esse livro?
Michel Foucault desdobrou em Vigiar e punir e no seu curso
"É Necessário Defender a Sociedade" o processo pelo qual nos
séculos XVII e XVIII viram-se surgir técnicas de poder centradas ou articuladas sobre o corpo, sobre o corpo dos indivíduos.
Ele analisa todos esses procedimentos pelos quais se assegurava- nas escolas, no exército, nas oficinas, nos hospitais- a dis-

VIII

Michel Foucault - Ditos e Escritos

trtbuição espacial dos corpos individuais: sua separação, seu
alinhamento, sua colocação em sérte e a vigilãncia que se exercia sobre eles. Descreve a organização em tomo dos corpos individuais de todo um campo de visibilidade. Mostra como tais
técnicas tomavam esses corpos, tentando aumentar sua força
pelos exercícios, adestrando-os. Foucault expõe a racionalidade que age nesse sistema de poder pelo modo estritamente econômico com que opera, da maneira o menos custosa possível,
por todo um sistema de vigilãncia, de hierarquia, de inspeção,
de relatórtos. É o que chama de tecnologia disciplinar do trabalho. Vigilãncia panóptica, sanção normalizadora vão articular-se em seguida a uma nova modalidade de poder, o poder
sobre a vida, que Foucault chama de biopoder. Este se aplica
aos vivos, à população e à vida e se articula ao discurso racista
e à luta das raças.
A genealogia desse poder vai articular-se à sua investigação sobre o poder pastoral; a govemamentalidade, a uma filosofia analítica da política, a uma crítica da razão política. Sua
concepção da estratégia, da luta ou das guerras como um lugar decisivo para entender os dispositivos do poder se matertalizou em análises dos mecanismos de poder da Idade Média
e do Antigo Regime das sociedades liberais, nas sociedades
que conheceram o fascismo e revoluções socialistas e-na Grécia e Roma antigas.
É preciso ressaltar, no entanto, como já o fez Alessandro
Fontana, que Foucault nunca escreveu um livro dedicado exclusivamente à questão do poder, e que ele o articulou sempre
ao que chamou de expertências fundamentais: a da loucura, a
da prtsão, a da sexualidade. É à forma com que o poder se
exerce, às modalidades de seu exercício na prtsão, nos asilos,
na polícia que ele dedica suas análises. Essas leituras do poder são ao mesmo tempo continuas e descontínuas. Foucault
retoma suas análises antertores, deslocando-as, crtticandoas, inovando-as, sem que se possa dizer que sejam inteiramente rejeitadas. Poder-se-ia dizer que se trata de um movimento
moebiano, de uma topologia especial que opera simultaneamente nos dois registros: o da continuidade e o da descontinuidade. Assim, se seu discurso pode marcar descontinuidades
como em As palavras e as coisas, ele pode dizer que não há ninguém mais continuísta do que ele mesmo, que a descontinuidade é, para ele, sempre um problema. Com essa leitura móvel,

Apresentação

I

l

IX

Foucault nunca propôs uma teoria geral do poder e mesmo reivindicou não ter uma teoria geral, dizendo ser "um empirista
cego" (ver p. 229 neste volume).
Foucault chega a dizer que seu problema verdadeiro é o de
todo mundo na atualidade: o do poder. Ele situa a emergência
desse problema nos anos 50. Situá-lo como problema de todo
mundo pode ser lido de duas formas: como um problema do
mundo inteiro e um problema de todos os sujeitos e ao mesmo
tempo de cada um. Foucault considera que, em 1955, no momento em que começa a trabalhar, havia duas grandes heranças histôricas do século XX. Essas heranças não haviam sido
assimiladas e não se dispunha de instrumentos teôrtcos de
análise para elas. Essas duas heranças negras eram o fascismo
e o stalinismo. O século XIX encontrara seu problema, sua
questão maior, diz Foucault, na miséria e na exploração econômica e na formação da riqueza a partir da miséria mesmo daqueles que produziam a riqueza. Esse fenômeno, que Foucault
chama de "formidável escândalo", produzira a reflexão de economistas e historiadores, que procuravam explicá-lo ou justificá-lo. E, diz ele, "no coração de tudo isso, o marxismo" (ver
p. 225 neste volum_e); Foucault pensa, no entanto, que, na
Europa Ocidental e no Japão, isto é, nos países que são considerados economicamente desenvolvidos, o problema central,
principal, que se apresentava não era o da miséria, mas o do
"excesso de poder" (ver p. 225 neste volume). Assim, diz ele, em
alguns regimes capitalistas, era o caso do fascismo, e nos regimes socialistas ou que se diziam socialistas, a continuidade do
stalinismo, "nos quais o excesso de poder do aparelho de Estado, da burocracia, e (... ) igualmente dos indivíduos uns com os
outros, constituía alguma coisa de absolutamente revoltante,
tão revoltante quanto a miséria do século XIX. Os campos de
concentração, que foram conhecidos em todos esses países, foram para o século XX o que as famosas vilas operárias, o que os
famosos pardieiros operários, o que a famosa mortalidade operária foram para os contemporâneos de Marx" (ver p. 225 neste
volume). Foucault considera que nada dos instrumentos conceituais herdados do século XIX permitia captar bem o problema do poder. Qual era a promessa do século XIX? Era a de que,
uma vez resolvido o problema econômico, todos os problemas
do excesso de poder suplementar estariam resolvidos. Observa
Foucault que o que o século XX descobre vai na direção contrâ-


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