PDF Archive

Easily share your PDF documents with your contacts, on the Web and Social Networks.

Share a file Manage my documents Convert Recover PDF Search Help Contact



Deonto .pdf



Original filename: Deonto.pdf
Author: Rosa Fernandes

This PDF 1.7 document has been generated by Microsoft® Word 2016, and has been sent on pdf-archive.com on 02/12/2017 at 19:58, from IP address 194.117.x.x. The current document download page has been viewed 470 times.
File size: 494 KB (3 pages).
Privacy: public file




Download original PDF file









Document preview


Manipulação na
Publicidade
Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas - Deontologia e Legislação Farmacêutica
Marta Beatriz Rocha da Silva (2014208148) Rosa Catarina Fernandes (2014211951)- TP 3
Novembro de 2017, Coimbra

Introdução
A publicidade influência os hábitos de consumo e consegue induzir a compra do
produto publicitado. Apela ao nosso lado emocional e acabamos por ser manipulados. No
setor farmacêutico a publicidade tem que obedecer a determinadas regras e limites porque
temos produtos com características inerentes e o seu consumo irracional ou desmedido
pode ter consequências para a saúde.
Com este trabalho, pretendemos consciencializar os leitores para a forma como a
publicidade pode manipular as nossas mentes, aprofundando o papel desempenhado por
este meio de comunicação na área farmacêutica.

Desenvolvimento
A publicidade é um meio de comunicação que tem como fim persuadir as pessoas,
fazendo-as adquirir um produto ou serviço. Com uma sociedade cada vez mais
consumista, este meio tornou-se numa constante no nosso dia a dia, estando presente na
rádio, televisão, jornais, revistas, internet, flyers, lojas, ruas, etc. A estratégia da indústria
é procurar incansavelmente a maneira mais cativante de atrair as pessoas, recorrendo a
efeitos sonoros, visuais e a discursos motivadores, tudo isto para levar ao consumo e
aumentar os lucros. Ao cativarem a nossa atenção, o nosso lado emocional é posto à
prova, e por vezes, supera o lado racional. É despertada em nós a necessidade de adquirir
o produto, sendo difícil de resistir à persuasão da publicidade. Há imensos produtos que
são promovidos através desta, e os produtos farmacêuticos não são exceção.
Por vezes, o único objetivo da publicidade é informar e despertar a consciência
da sociedade, ou seja, uma publicidade não comercial. Este tipo de publicidade é
frequente nas farmácias portuguesas e centros de saúde. Por exemplo, nas campanhas de
sensibilização da vacinação, da alimentação saudável, da utilização do protetor solar, dos
malefícios do tabagismo, do uso dos medicamentos genéricos referindo que são uma
opção mais económica e que garantem a mesma segurança que os medicamentos de
marca, sem mencionar laboratórios, entre outras.

Do outro lado, temos uma publicidade de cariz comercial onde o objetivo é
prestigiar e divulgar o produto em questão. Com o aumento da concorrência no setor da
indústria farmacêutica, a publicidade torna-se a maior aposta, quer junto do público, quer
junto dos profissionais de saúde.
A indústria farmacêutica é uma valiosa fonte de informação médica e científica, e
estes conhecimentos devem ser divulgados. Assim, é de esperar que as empresas que
produzem medicamentos tencionem passar informação aos profissionais de saúde e estes
queiram ouvir para que possam prestar um melhor serviço aos utentes. Mas esta relação
pode acarretar alguns riscos, especialmente quando os interesses económicos falam mais
alto.
O marketing abusivo praticado pela indústria e os métodos que utilizam para
apresentar novidades terapêuticas, colocam por vezes uma pressão sobre os profissionais
de saúde em escolher este anfitrião. A juntar a isto, temos os patrocínios da indústria
farmacêutica aos profissionais de saúde que não param de aumentar, e que por lei, têm de
ser declarados.
Devido a estas premissas é importante haver uma total transparência e para tal é
preciso cumprir as inúmeras leis que proíbem qualquer parcialidade e duplo benefício
porque “ [É] proibido aos profissionais de saúde, por si ou por interposta pessoa, pedir ou
aceitar, direta ou indiretamente, prémios, ofertas, bónus ou outros benefícios pecuniários
ou em espécie, por parte do titular da autorização de introdução no mercado, da empresa
responsável pela informação ou promoção de um medicamento ou do distribuidor por
grosso, ainda que os mesmos sejam percebidos no estrangeiro ou ao abrigo da legislação
estrangeira e independentemente da existência ou não de qualquer contrapartida relativa
ao fornecimento, prescrição, dispensa ou venda de medicamentos por parte das mesmas
pessoas”1
A publicidade de medicamentos sujeitos a receita médica é exclusiva a estes
profissionais de saúde, enquanto que a dos medicamentos não sujeitos a receita médica é
divulgada a todos.
Quando a publicidade é dirigida ao público geral (MNSRM), normalmente os
pontos fortes e positivos do produto são extremamente divulgados, havendo pouca
referência às contraindicações e a preocupações especiais. Deste modo, as pessoas mais
vulneráveis que, em geral, são as pessoas idosas não têm maneira de avaliar a
credibilidade do produto, acabando por o comprar e colocando a sua saúde em risco.
Um exemplo muito mediático no nosso país é a publicidade feita ao Calcitrin, um
suplemento alimentar usado para a diminuição da fratura óssea e reforço das articulações.
Existe um excessivo incentivo à aquisição deste suplemento, e a publicidade feita é
abusiva e enganosa, infringindo assim a lei em vigor: “[A]conselhem ou incitem à
aquisição de atos e serviços de saúde, sem atender aos requisitos da necessidade, às reias
propriedades dos mesmos ou a necessidade de avaliação ou de diagnóstico individual
1

Decreto-Lei nº5/2017, Artigo nº158, 2)

prévio”2. Esta lei alerta também para a ameaça à saúde e bem-estar das pessoas, e que o
consumo destes produtos de forma indiscriminada pode levar a lesões graves de difícil
reparação.
Uma das estratégias utilizadas por esta empresa foi a recorrência a figuras
públicas, pessoas de suposta confiança e credibilidade, que falam do produto como sendo
algo milagroso que mudará a vida de quem o consume.
Outro problema da maior parte dos anúncios publicitários é a generalização. É
referido, por exemplo, que um certo laxante é muito eficaz e que tem efeito passadas 12
horas da sua toma. Mas como todos nós sabemos, os organismos das pessoas não
funcionam da mesma maneira, podendo realmente o laxante atuar passadas 12 horas numa
pessoa, mas noutra demorar 1-2 dias.
É da competência do INFARMED, Autoridade Nacional do Medicamento e
Produtos de Saúde, estar em constante vigilância, controlar e supervisionar todo o tipo de
publicidade que chega à população e aos profissionais de saúde.

Conclusão
A publicidade é uma forma de dar a conhecer aos consumidores os produtos que
estes podem adquirir.
Quando se trata de medicamentos, esta tem de cumprir uma série de regras e
normas, devido à complexidade e seriedade do produto. Cabe ao INFARMED controlar
e supervisionar este processo.
O farmacêutico deve promover o uso racional dos medicamentos, transmitindo às
pessoas a ideia de que o facto de um produto parecer a solução para algum problema que
possam ter, não quer dizer que realmente o seja, monitorizando a proteção da saúde
pública, devendo pôr o bem dos utentes à frente dos interesses comerciais.

Bibliografia

2



Estatuto da Ordem dos Farmacêuticos. [Acedido a 17 de Novembro 2017].
Disponível na Internet: http://www.ordemfarmaceuticos.pt/pt/a-ordem-dosfarmaceuticos/estatuto/



PIRES, D.- Médicos já receberam mais patrocínios do que no mesmo período
do ano passado. TSF, 03 de Agosto de 2016 [Acedido a 10 de Novembro 2017].
Disponível na Internet: https://www.tsf.pt/sociedade/saude/interior/medicosrecebem-cada-vez-mais-dos-laboratorios-5319188.html

Decreto-Lei nº238/2015 de 14 de Outubro, Artigo nº7, 1)b


Deonto.pdf - page 1/3
Deonto.pdf - page 2/3
Deonto.pdf - page 3/3

Related documents


PDF Document deonto
PDF Document como ganhar dinheiro na internet
PDF Document artigos para festas de anivers rio1107
PDF Document lordkempai
PDF Document cafe verde magro1552
PDF Document o omer


Related keywords