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Época Filosofia para todos .pdf



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17/01/2018

Época - EDG ARTIGO IMPRIMIR - Filosofia para todos

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VIDA MODERNA

Filosofia para todos
A classe média lota cursos livres da ciência de Sócrates e Platão, que é adaptada para
situações do cotidiano e ganha ares de auto-ajuda
NELITO FERNANDES

Quando o estudante carioca Lucas Oliveira, de 16 anos, disse aos pais que queria se
matricular num curso livre de Filosofia, a reação foi de espanto. Além da escola e de aulas
de inglês, o adolescente aprendia a tocar baixo para formar uma banda de rock alternativo.
Hoje, ele discute Nietzsche e a genealogia da moral. Lucas é um exemplo do aumento do
interesse da classe média pela Filosofia. Em São Paulo, a Casa do Saber, que cobra R$
1.200 de mensalidade, tem 723 alunos e 104 na fila de espera. No Rio de Janeiro, o Instituto
Mukharajj Brasilan viu o número de alunos quadruplicar em três anos. A diversidade de
opções é tanta que já existe curso de arte marcial filosófica, no qual os alunos discutem
textos dos filósofos antes de lutar. Mas por que tamanho interesse?
Felipe Varanda/ÉPOCA

Frédéric Jean/ÉPOCA

PROCURA
Viviane Mosé, no Rio, e Mario Vítor, em São Paulo:cursos nos quais os alunos
chegam a esperar até quatro meses para conseguir uma vaga
''Enquanto ficou restrita ao ambiente acadêmico, a Filosofia passou a impressão de ser
chata. As pessoas estão chegando à conclusão de que a Ciência e a religião não são
suficientes para todas as questões, que a resposta está em nós mesmos. Estão fazendo o
questionamento de Sócrates de que a vida que não é examinada não vale a pena ser
vivida'' , afirma Álvaro Porto, coordenador do Instituto Mukharajj Brasilan. É claro que, como
manda a boa filosofia, não devemos nos ater a uma só resposta. Ao debate, então. Com a
palavra Mario Vítor Santos, diretor da Casa do Saber: ''Não é que a Filosofia tenha sido
facilitada, as pessoas é que estão em busca de essência. A Filosofia é um instrumento para
que se possa pensar com maior rigor as questões da vida'', diz.
Para cair no gosto do povo, porém, foi preciso
tornar mais digeríveis os textos densos dos
principais autores. A filósofa Viviane Mosé,
autora do livro Nietzsche e a Grande Política da
Linguagem, lançado no mês passado, tem tudo
para se tornar uma espécie de Drauzio Varela da
Filosofia. Dona de um dos cursos mais populares
no Rio de Janeiro, freqüentado por globais como
Fernanda Lima, Aracy Balabanian e Gloria Maria,
ela prepara-se para estrear no Fantástico. No
quadro, terá o desafio de falar sobre o tema para
quem acha que Sócrates é o ex-meio-campista
da Seleção Brasileira. Nas aulas, Viviane recorre
a exemplos práticos do cotidiano e muito bom
VARIAÇÃO
humor para ensinar Nietzsche, sua
Alunos de arte marcial filosófica, em que
especialidade. Os alunos lêem os textos em casa
textos são lidos e discutidos antes da
e os debatem durante a aula. ''Quando o texto
luta
fica denso demais, eu recorro à literatura, como
Clarice Lispector, por exemplo'', diz Viviane.
Mirian Fichtner/ÉPOCA

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR70196-6014,00.html

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Época - EDG ARTIGO IMPRIMIR - Filosofia para todos

A fórmula deu certo: o curso, que começou como uma reunião na casa de amigos, hoje tem
três turmas, cada uma com 40 alunos, e extensa fila de espera. Tudo no boca a boca. O
advogado Fábio Ariston, de 28 anos, matriculou-se e, empolgado com as aulas, chegava em
casa e discutia os textos com a mãe, a professora Lourdes Ariston, de 54. Não demorou
para que os dois virassem colegas de turma. ''As discussões me ajudam a refletir sobre a
vida'', diz a mãe.

A Filosofia não dá a receita pronta, mas
instaura o inquérito
Viviane endossa: ''O mundo vende prazer, mas a gente sabe que a busca pelo prazer só
adia a angústia. Com a Filosofia, as pessoas se sentem mais fortes para enfrentar suas
próprias questões'', diz a professora-apresentadora. Estaria, então, se aproximando da autoajuda? ''De modo algum. A Filosofia não dá a receita, instaura o inquérito'', responde Álvaro
Porto, que leciona um curso de autoconhecimento, baseado em textos de filósofos. Coisa de
fôlego. São dois anos de aulas, duas horas e meia por semana. Como dever de casa, muita
reflexão. Mesmo assim as turmas estão lotadas. A desembargadora Maria de Lourdes Valle
é uma das alunas. ''Há um anseio natural da pessoa de se conhecer e entender o mundo.
Aqui eu aprendi, por exemplo, a ver o outro como um ser diferente, não esperar dele as
mesmas reações que eu teria. O curso me deu a visão de que cada um tem as suas
necessidades'', avalia.
É claro que a Filosofia ainda assusta alguns.
Com 26 filiais espalhadas pelo país, o Instituto
Nova Acrópole oferece a primeira aula
gratuitamente para mostrar que o curso não é
tão complexo como parece. Com essa
estratégia, tem conseguido 200 novos alunos
todos os meses. Entre Sócrates e Platão,
aparecem também cursos curiosos como o nei
kung, a arte marcial filosófica dos chineses,
trazida ao Brasil pelo Instituto Nova Acrópole.
Antes de lutar, os alunos meditam e discutem
textos de grandes pensadores. ''A proposta é de
desenvolvimento interior e uma luta consigo
mesmo, buscando o domínio de si. O adversário
representa as dificuldades que as pessoas
enfrentam na vida'', explica Michel Echenique,
fundador do Instituto Nova Acrópole no Brasil.

FILOSOFIA EM ALTA
- Na Casa do Saber, em São Paulo, são
723 alunos matriculados e uma fila de
espera de 104 pessoas
- No Rio, o Instituto Mukharajj Brasilan
quadruplicou o número de alunos em
três anos e hoje tem 160 estudantes

A Filosofia avança também sobre a Psicanálise.
Na chamada Filosofia Clínica, o filósofo trata o
lado emocional dos pacientes. ''A Psicologia trabalha com o comportamento, enquanto a
Filosofia lida com a existência. Ambas levam a pessoa a entender suas questões'', explica o
filósofo Lúcio Packter, precursor da Filosofia Clínica no país. O tema virou curso de pósgraduação e já é ministrado em 32 cidades brasileiras. Nas sessões, Packter procura ajudar
os pacientes citando filósofos. Alguém que, apesar de ser bem-sucedido, sente-se
angustiado por nunca ficar satisfeito pode receber como conselho citações de
Schopenhauer: ''A vontade jamais pode ser satisfeita, posto que se ela fosse satisfeita
deixaria de ser vontade; então, a cada satisfação se reproduz a necessidade, a cada desejo
satisfeito um outro desejo surge, e assim infinitamente, nesse círculo infernal da vontade''. O
psicanalista Luiz Alberto Py diz que a Filosofia Clínica jamais vai substituir a Psicanálise,
porque não investiga o subconsciente. Mas acredita que possa ser útil. ''Muita coisa pode
ser resolvida somente com a reflexão.''

EM FAMÍLIA
Fábio Ariston e a mãe, Lourdes, fazem um
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Época - EDG ARTIGO IMPRIMIR - Filosofia para todos

curso sobre Nietzsche. Lucas Oliveira, de 16
anos, é o caçula da turma e surpreendeu os
pais com o interesse pelas aulas

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