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ENSAIO HEGEL .pdf


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DENNIS HENRIQUE BARBOSA CORREIA ​—​ 2018.1 - 24N34
Ao compreender o entendimento de Hegel sobre a arte, e como os fins se davam,
percorrendo entre o campo do pensamento o irreal, quase supremo, e o natural de ​nós ao lado
de nossa própria criação — a arte como um objeto de beleza — analisada como uma parte
divina da estética real, ou ​o natural, o autor afirma a superioridade da “bela arte” sobre o
natural. O filósofo alemão narra em seu texto sobre a estética o que leva os povos a se
colocarem diante do belo e espelhar-se no irreal, o que leva ao campo da religião apropriar-se
quase que singularmente à esse campo. A liberdade tecida entre o contato com o divino quase
que materializado e o povo.
Certo para o autor que a arte moderna não se comporta da mesma maneira, onde o
entendimento universal do sentimento daquele objeto belo não se adentra em todos os
sentidos substanciais, e por si só se regula. O artista passa a ser o que, ao lado de fora, afeta o
seu pensamento sobre a sua própria arte.
As artes, como um todo, sempre com fins, têm por refletir o singular para o plural de
todos os belos — as várias maneiras de se enxergar, seja o verdadeiro belo, ou a ​sensação de
belo, lendo-se que o belo se trata de um significado, seja ele bom para alguns, ou mau para
outros — o que não se havia como uma preocupação. A arte exprimia um desejo
desconhecido pelo o que se poderia estar representando, um desejo de tornar o irreal no que
se espelhava, como dizia Hegel. Os artistas não se preocupavam com o quê, ou ​o todo da
reflexão sobre aquela obra. O que se diferencia atualmente, onde o significado atribuído à
obra é a primeira etapa de sua criação, o planejamento dela no espaço atual, o seu porquê, a
sua essência de existência explicada, mesmo que oculta no mínimo espaço que ocupa.
O artista passa a transformar um meio em arte, e a arte como o fim daquele meio —
lê-se como a explicação dele, a representação em uma forma — o que se tornou algo
problemático, criando-se uma aura em torno desse objeto, como se encobrir-se a sociedade, e
a coloca-se como bela ou melhor, ​não tão bela, fosse um erro a ser marginalizado. O conceito
explicado por Gilles Deleuze e Félix Guattari ao falarem da “literatura menor”, quando a
marginalização do artista e a sua arte — esta quando representa o seu meio, ou ​o povo — é
reduzida por sua essência tem o porquê sobre essa marginalização. A partir do entendimento
da sociedade no que se diz respeito ao belo, como uma crítica a si mesma, mesmo que
adorada em certos casos, se projetou ao tomar a obra dos artistas que produziam a sua arte
com a essência de ter um significado para o meio e afastá-los de si.
A correlação da classe e arte, pelo o meio que se estava inserido, se torna algo mais
palpável e, como uma ameaça direta pela expressão e libertária que há na bela arte, as classes
marginalizadas se vêem encurraladas por eles. Essa marginalização se torna a ferramenta de
percepção da bela arte na história da arte, as diferentes reflexões, mesmo que não conhecidas,
se comportavam naquela sociedade.
É de certo que a arte, como um objeto que circula as classes, ganhou e continua
ganhando diferentes estágios entre o surreal do que se pode ter um determinado campo, e
como o natural, cru, ​feio e nada tragável de outro em forma concreta de reflexão. E é o que se

vê atualmente, onde as artes mostram o feio e a sensação de repulsa para quem a ver. A
quebra dessa ligação do belo, que não existe, algo irreal e utópico, passou a dar lugar à
verdadeira identidade, à verdadeira​ forma, sem a ​divindade da estética estabelecida, e sim a
forma natural e seu contemplamento como a verdadeira essência representativa.
O choque ao se ler uma arte e descobrir a sua essência ligada à uma classe em
específico, e dela se poder compreender que apesar de haver um espelhamento, uma busca
pelo belo, o sentimento supremo, ele nem sempre se dá na arte. A utopia de um meio nem
sempre se é representado, ou tem que ser representado para ​o belo ser atingido como a
divindade daquele espaço. A arte crua, apesar de bela, se marginaliza ao se encontrar com a
classe dominante de onde o artista se encontra. Aquele objeto tem que existir de qualquer
forma, não importando se o seu significado vá ser alterado, ou se a forma que adquirir não
seja compreendida dentre todas as classes.
A arte então se estrangula ao se pensar na divisão social do trabalho, na qual a própria
se esbarra e não se pode mais criar a mesma arte. O condicional dos poucos aos muitos que se
pegam e criam a sua arte da existência do meio, regados pelas técnicas, é descrito por Marx e
Engels sobre a literatura e arte. O individual se tornou a classe, e a arte, assim, se torna a sua
representação. E é exatamente essa representação que cria esse esbarramento. Ao se falar de
grandes obras representativas, patrimônios históricos com sua essência intrínseca, preservada
e expostas entre as classes — seja ou não majoritária, a sua existência anda ao lado da
negação de obras e de obras por serem representativas e não poderem ser feitas novamente —
lê-se como não uma releitura, mas sim um grande feito que jamais poderá ser repetido. E é o
que não acontece.
A arte se torna um grande monumento, mesmo que não de longa duração, mas grande
em ​seu momento, para uma classe e seu meio. E nisto a marginalização é observada como a
diminuição do momento dessa arte, do que ela representa. A opressão de uma arte sobre a
outra, ou seja, a arte de uma classe sobre a outra é de fato o que leva a divisão social do
trabalho ser observada. A apelação para um certo tipo de arte, descendo de uma classe
majoritária para uma menor, investindo um quê de técnica, aperfeiçoamentos, características
“individuais” dessa classe, foi o que ocultou alguns povos e sua arte na história, ofuscados
pela arte considerada bela naquela sociedade.
Como dito anteriormente, o objeto se torna a arte, e a divindade o próprio meio.
Quando se tem a divindade com o próprio meio, a arte tende a se espelhar no majoritário, o
que acarreta no espelhamento pelo fim — o significado — da própria arte na sociedade,
ignorando o surreal e agora adornando o natural. Esse modo nos permite identificar que a
representação de uma classe pela arte é, verdadeiramente, a mais pura via concedida para esse
povo, é a liberdade — como afirma Deleuze — e é por isso que é considerada a “verdadeira
arte” pelo filósofo francês.
A opressão sofrida por um certo tipo de classe, atualmente, é irrigada com
manifestações contra essa opressão, e isso é notável no campo das artes. O modo em que o
oprimido se apropria do instrumento usado pela classe majoritária e por ali transforma-o em
arte,

mesmo que explicitamente, é a verdadeira arte. Isso é dito por Deleuze e Guattari ao
falar da “desterritorialização” da língua em seu texto.
O contexto do objeto se diverge com os grupos e meio em que ocupa. E o fato dessa
manifestação contra essa opressão utilizar dos próprios meios em que se é instaurada essa
opressão, pode-se considerar uma “reterritorialização” constante. E nisso é entendível o que
Hegel fala sobre “não se ajoelhar” mais para a divindade. E é isto que Marx e Engels
descrevem como “individualidade espiritual”.
O rompimento, então, da ideia da liberdade ser exclusivamente da bela arte, a religião
perder sua divindade, ou melhor, sua classe como majoritária, tem por fim dar o significado
para a arte, as classes, e o meio. Mas sem o meio e as classes, a arte é mais do que isso, é o
individual se tornando o coletivo, o social daquele objeto se sobressaindo de algo particular.
Mas o porquê se baseia na criação, como uma ideia de um desejo de uma grande obra-prima
para exprimir todos os sentimentos que o artista tem ao expor o seu individual.
Herbert Marcuse ao falar da dimensão estética expõe o lado de como os artistas se
baseiam nessa relação do meio com si próprio, chamando de “experiência”. A experiência
entre o artista e o meio acaba por criar algo novo, que para tanto Marcuse e Deleuze era de
fato observável. O novo nada mais é do que o que nunca se havia dito na arte — o que se
havia ocultado. A liberdade de expressão está ligada à esse fenômeno também, pois sem ela,
o ​novo se perderia no divino — como se o divino fosse um certo tipo de máscara, uma
maquiagem social.
Por ora, a percepção visual do belo por parte da manifestação libertária acabou por se
tornar algo confuso e não correlativo. O afastamento dessa ideia da margem à nova libertação
da arte para um instrumento de uso de classes para o seu meio, o tornando como a identidade
daquele meio, o que representa fielmente, sem a divindade do belo.
A bela arte não é a manifestação libertária, mas conservada de uma classe majoritária,
ocultada pela forma artística, uma opressão velada contra grupos de artes menores. Posso
chamar a arte manifestada pelo povo de feia, assim como muitos filósofos a chamam. E é de
fato algo feio de se ver, pensar e pintar. Marx e Engels condizem com a arte ligada a classes e
o seu poder, seja menor ou maior dependendo delas. Esse poder se torna o feio de qualquer
forma em que exista na arte, pois sempre haverá algum grupo ou meio em que ela se tornará
feia e chocante.
A arte feia é o natural desnaturalizado pela divindade do grupo opressor, colocado em
uma bolha e esquecida, ignorada, marginalizada. Mas muitas das vezes, o mesmo grupo
oprimido tem por ter repulsa de sua própria arte, fazendo o mesmo que a classe maior faz.
O instrumento da arte por vezes ganha uma barreira do povo no próprio povo, a arte se
torna algo divino e intocável, sem direitos a reflexão. Mas o porquê é a controvérsia ao se
dizer que por ser um grupo menor não se há os que tem seus privilégios. Há sim, uma
distância individual dependendo do indivíduo, mesmo que estejam na mesma classe social. E
a arte não se diferencia disso. O grupo menor sempre será o que não deseja que exista a
conservação de sua arte expressa — liberdade. A autonomia da arte passa a ser por si só uma
expressão de liberdade, o que de fato é, porém, como dito, como ​um instrumento sempre.

A mudança de contexto da arte também por muitas vezes pode ser entendida como
uma forma de opressão contra um certo grupo minoritário. O capitalismo juntamente a
indústria cultural rompeu a barreira entre culturas e as misturou, a vendendo como um
produto novo, uma arte nova. E nisso a preocupação por conservar a arte, o que é interessante
ao ponto de ao se perceber que o novo passou-se a ter um desejo de conservar a velha arte, a
arte que representa um povo, uma cultura, uma história e uma tradição. A bela arte misturada
ao capitalismo vende o que uma vez foi uma arte repulsiva, de um grupo marginalizado, de
um feio, de uma realidade natural e que fora ocultada. O conceito de bela arte então se
enraíza como algo comerciável atualmente, e a arte feia como a forma conservadora daquela
expressão. Na qual, como diz Marcuse em seu texto, a arte perde sua própria capacidade de
transformar o meio em algo novo.
O fim da arte não é mais do que não somente o que é novo, o que representa, o que
conta, e o que traz à tona o que nunca havia existido, seja uma forma que tenha sido oprimida
ou não; o fim da arte, em suma, é o que o capitalismo quer que ele seja, pois tudo é perdido
ao tocar-se nessa esfera. Hegel enxerga o fim do aprisionamento da bela arte como o fim, o
encerramento da ideia que o divino (ou religião) interfere na relação da liberdade individual
do artista e sua obra, uma margem de espelhamento e irrealismo. Porém, atualmente, o divino
passou a ter outro substituto — o capitalismo.
O que por fim, como saída, é a apropriação dessa irregularidade, e a unificação do que
se entende por significação da arte.
Apropriar-se do que se transformou em comerciável se tornou um ato de liberdade de
expressão anterior à arte expressada, como se a arte dependesse da sua libertação de uma
opressão que a amarra e a congela em uma esfera social global, mas não atende os requisitos
de um povo e sua tradição, mais especificamente o povo em que essa arte foi
“desterritorializada”. Essa antecedência é o que cria o novo belo, a nova arte, a nova
expressão da arte em forma de objeto que percorre as classes. A preocupação do instrumento
em que se pode ser usado é antes questionado, e depois dessa etapa, é condicionado a uma
nova percepção do que se foi tomado pela indústria cultural, ou melhor: a arte individual de
um povo se tornar a nova arte irreal e divina — este se: não for um instrumento
revolucionário para a arte, cria-se então uma nova arte (bela para o povo em que se originou).

REFERÊNCIAS
HEGEL, G.W.F. “​Cursos de Estética”, Volume 1, tradução de Marco Aurélio Werle,
SP, Edusp, 1999 (fragmento).
DELEUZE-GUATTARI. “​Kafka: por uma literatura menor”, tradução de Júlio
Guimarães, RJ, 1977.
FRÉVILLE, Jean. “​Trechos escolhidos de Marx, Engéls, Lenine e Stalin sobre
literatura e arte”, tradução de Eneida, RJ, 1945.
MARCUSE, Herbert. ​“​A Dimensão Estética”, 2007


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