FORMAÇÄO DA NACIONALIDADE BRASILEIRA FLAMARION BARRETO LIMA pdf.pdf


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I - O MEIO FÍSICO
1. ESTUDO DO ESPAÇO
a.

Aspectos fisiográficos

O território brasileiro, apesar de sua imensidão, se comporta como uma unidade geográfica do tipo misto,
solidamente assentada sobre o planalto central, oferecendo boas condições de circulação interna, de produção variada
podendo servir de suporte físico à organização de uma grande Nação.
A diversidade de climas no Brasil criava, bem contrário da impossibilidade de desenvolvimento de uma
civilização de alto nível, possibilidades inumeráveis de gêneros de vida diversos, ciclos de trabalhos complementares que,
bem aproveitados, poderiam constituir-se, como de fato estão hoje se constituindo, em fatores de diversificação da produção
e de melhor rendimento do esforço humano, esteios de forte e poderosa Nação. Poderiam tambem contribuir para diversificar
os tipos humanos e sociais, como o marítimo, o montanhês, o florestal, o nômade das grandes planícies, ensejando o
aparecimento de diferentes grupos sociais, com cultura, gênero de vida e aspirações políticas diferentes,
A vegetação poderia propiciar atividades econômicas diversas, desde o extrativismo nas florestas amazônicas e
atlântica e em área do sertão, à criação de gado nos cerrados do planalto central e nos campos do sul. A floresta amazônica,
pela continuidade, densidade, exuberância, bem como a mata atlântica, dificultavam a circulação, mormente a primeira, em
que o movimento só era possível ao longo dos rios.
As áreas florestais dificultavam a ocupação, principalmente a amazônica e poderiam funcionar como elementos
separadores de núcleos humanos.
Ao primeiro exame, o litoral brasileiro não parece favorecer muito as ligações do interior com o mar, dada sua
relativa pobreza de articulação. Mas se atentarmos para a feição longilínea do espaço continental, na maior riqueza de
articulação, justamente na área onde o relevo continental se debruça sobre o mar, opondo uma barreira à sua influência sobre
o interior e na existência de grandes rios, nascendo nessa região e correndo, ora paralelamente a oeste, ora para o interior,
compreenderemos a importância do mar como elemento aglutinador dessas estradas líquidas, que conduziam a todas as
regiões que constituem o espaço continental do Brasil.
A rede fluvial brasileira, apesar de constituida por uma infinidade de cursos d’água, reflete de maneira sensível
as características do relevo e da estrutura geológica do espaço brasileiro, com predominância dos rios de planalto, de curso
rápido e acidentado. As três principais bacias hidrográficas, tendo suas principais nascentes no centro mesmo do planalto
brasileiro e muito aproximadas umas das outras, comunicando-as às vozes por meio de varadouros, revestem-se de grande
forca unificadora, em face das atrações divergentes do vale do Amazonas e do estuário do Prata. Essa força de coesão e
fortalecida pela direção convergente dos afluentes dos rios principais, cobrindo, com uma densa trama de vias navegáveis, o
espaço entre eles.
A disposição da rede hidrográfica brasileira facilitava a penetração para o interior do Brasil e seu completo
devassamento, dada a imprecisão dos limites orográficos das diferentes bacias. Na região sudeste, melhor articulada com o
mar e servida por clima mais benigno, galgado o paredão marítimo ou vencidos os acidentes que cortam os cursos dos rios,
tinha o desbravador à sua disposição uma série de caminhos fluviais, dirigindo-se pata o interior, que lhe permitiam atingir o
centro mesmo do continente e daí irradiar-se, passando de uma a outra bacia para os quatro pontos cardiais. Na região do
nordeste, os rios abrem seus vales amplos em direções diversas conduzindo para o interior.
b. Apreciação
Concluindo a apreciação do espaço brasileiro, relacionada com a influência que exerceu na formação do Brasil,
diremos que:

- O território brasileiro, apesar de sua imensidão, se comporta como uma unidade geográfica do tipo misto,
solidamente assentada sobre o planalto central, oferecendo boas condições de circulação interna, de produção variada,
podendo servir de suporte físico à organização de uma grande nação.
- Grandes rios, quase interligados nas suas nascentes, desenvolvendo-se uns na direção geral dos meridianos;
outros dos paralelos, reforçam a força unificadora resultante do relevo e constituiram-se, na época, nos elementos naturais de
penetrabilidade da massa continental.
- A extensão de suas costas atlânticas, permitindo contatos fáceis com todas as regiões costeiras, contribui para
atenuar a força dissociadora da calha amazonense e a atração do estuário do Prata. De Vitória ao Golfão de São Luís, quando
as terras comecam a sofrer influência do trópico, a convexidade da linha litorânea mais se aproxima dos grandes feixes de
circulação transoceânica; nenhum obstáculo detem as influências marítimas que penetram facilmente pelo interior,
amenizando o clima e vinculando-o à vida atlântica. Corrigindo a feição excêntrica da corrente do Amazonas e atenuando a