FORMAÇÄO DA NACIONALIDADE BRASILEIRA FLAMARION BARRETO LIMA pdf.pdf


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ação dissociadora, que poderia provocar a influência do mar, penetra livremente pelo amplo vale e ganhando seus afluentes
meridionais, chega ao rio Paraguai, criando como que uma costa fluvial interior, que envolve o planalto brasileiro, onde
assenta a unidade geográfica do Brasil. Essas circunstâncias fazem do Brasil um país predominantemente marítimo, apesar
de seu grande espaço continental. Por outro lado, a força-unificadora do mar, estreitamente ligada à dos rios interiores,
atenua os elementos dissociadores, sem anulá-los, imprimindo ao espaço brasileiro uma diversidade de características
geográficas que teriam influência sobre as culturas, organização social e aspirações políticas das populações que ali se
estabelecessem.
- A benignidade do clima nas regiões meridionais, a orientação geográfica do cordão montanhoso do litoral, a
riqueza do solo dessa área e sua articulação com o mar favoreciam a vida humana, possibilitando as populações que ali se
estabelecessem influenciarem fortemente a vida brasileira.
2. ESTUDO DA POSIÇÃO
Em relação às águas oceânicas e as potências colonizadoras, as terras brasileiras encontravam-se no interior do
ângulo formado pelas duas rotas oceânicas, recém-abertas ao tráfego de todas as bandeiras: o caminho das índias, bordejando
a costa da África, percorrido por Vasco da Gama em 1498 e o das Índias Ocidentais, descoberto por Colombo em 1492. Em
ambas as rotas, uma ligeira mudança de rumo para oeste, no primeiro caso, e sudeste, no segundo, levaria as embarcações ao
promontório nordestino, que avançava mar a dentro, ao encontro do saliente africano, tendo de permeio a ilha de Fernando
de Noronha. Pode dizer-se, então, que o Nordeste do Brasil, sendo um ponto facilmente acessível às embarcações vindas da
Europa em missões comerciais, colonizadoras, de corso e conquista, tinha possibilidades de se desenvolver mais
rapidamente, do que outras regiões da Colônia e de se transformar em objetivo militar de potências inimigas de Portugal. No
que se refere à posição continental, o Brasil estava cercado por terras pertencentes à Coroa de Castela, cujos focos
colonizadores principais desenvolver-se-iam no Caribe, no Peru e em Assunção e Buenos Aires. Seus núcleos humanos,
plantados no litoral atlântico, separavam-se dos núcleos do Caribe e do Pacífico por uma faixa de terras coberta por uma
luxuriante floresta tropical através da qual a circulação só podia fazer por rios ainda mal conhecidos. Infere-se, portanto,
serem mínimas as possibilidades de choque das duas correntes colonizadoras.
Quanto a Assunção e Buenos Aires, a situação era outra. A posição do estuário do Prata, que reunia águas de
rios que penetravam profundamente o continente, quase atingindo a orla atlântica, propiciava a expansão dos núcleos
portugueses, fixados no litoral em busca da foz dos grandes rios, cujos cursos superiores dominassem. Era pois de prever,
inicialmente, choque entre as duas correntes no interior do continente e, depois, nas próprias margens do Prata, buscando
dominar esse estuário.
3. ESTUDO DA CIRCULAÇÃO
a. Circulação interna
Foi fortemente condicionada pelas vias de transporte fluviais, os meios de-transportes utilizados na época e
pela técnica assimilada aos indígenas.
Favoreceram-na a suavidade do relevo, que não oferecia elementos separadores de vulto e a direção dos cursos
de rios caudalosos, com grandes extensões navegáveis.
Ao norte, onde a floresta equatorial constituía poderoso e contínuo obstáculo ao movimento, abria-se a via
fluvial do Amazonas, larga, profunda, estável, com excelente caminho líquido, ligando o Atlântico ao sopé dos Andes. Densa
rede de afluentes, extensamente navegáveis, de furos, igarapés, ampliava para o norte e o sul a influência circulatória da via
principal, ligando-se ao Orenoco ao norte, ao São Francisco, a sudoeste, e ao Paraguai, ao sul. Essa densa rede de rios
navegáveis condiciona o estabelecimento do povoamento e constitui a trama circulatória, que possibilitou o desbravamento,
a conquista e a ocupação dessa grande área e contribuiu para sua integração ao restante do território colonial.
No nordeste e este, os rios, em parte temporários, constituiram-se em vias naturais de penetração, graças à
feição tabular do relevo e pequeno porte da vegetação. Onde a floresta atlântica podia impedir o movimento, os rios eram
perenes e sem obstáculos que lhes interrompessem o curso, exceção feita ao São Francisco, cortado no seu curso inferior pela
cachoeira de Paulo Afonso.
A sudoeste, onde a Serra do Mar dobrada em alguns trechos por outras que lhe eram paralelas, aliada à
exuberância da floresta tropical, constituía sério obstáculo à penetração para o interior, as abertas do paredão orográfico, em
concordância com as nascentes de extensos rios navegáveis, muito contribuiram para atenuar o efeito separador da orografia.
Galgada a barreira orográfica costeira, a corrente dos rios, embora precariamente navegáveis, permitia a penetração do
interior. E lá no centro mesmo do continente, os afluentes da margem sul do Amazonas, da margem leste do Paraguai, das
margens oeste do Paraná e do São Francisco, convergindo e quase se interligando em suas nascentes, criavam, no grande
espaço triangular, formado pelos rios principais, uma densa rede de rios navegáveis, com amplas possibilidades de
aproveitamento nas mais diferentes direções. Esse fato geográfico criou no centro do continente uma imensa área de trânsito,
abrindo amplas possibilidades de movimento em todas as direções.