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O Tempo e o Vento O Continent Erico Verissimo .pdf



Original filename: O Tempo e o Vento - O Continent - Erico Verissimo.pdf
Title: O Tempo e o Vento - O Continente - Vol 1
Author: Érico Veríssimo

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Erico Verissimo

O tempo e o vento [parte 1]
O Continente vol. 1
Ilustrações
Paulo von Poser
Prefácio
Regina Zilberman

DADOS DE COPYRIGHT

Sobre a obra:
A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo
de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples
teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura.
É expressamente proibida e totalmente repudíavel a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial
do presente conteúdo
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ser acessíveis e livres a toda e qualquer pessoa. Você pode encontrar mais obras em nosso site:
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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e
poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível."

Prefácio – Um romance para todos os tempos
Mapa do Continente de São Pedro
Árvore genealógica da família Terra Cambará
O Sobrado I
A fonte
O Sobrado II
Ana Terra
O Sobrado III
Um certo capitão Rodrigo
O Sobrado IV
Cronologia
Crônica biográfica

“Uma geração vai, e outra geração vem;
porém a terra para sempre permanece.
E nasce o sol, e põe-se o sol,
e volta ao seu lugar donde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro
para o norte; continuamente vai girando
o vento, e volta fazendo seus circuitos.”
ECLESIASTES I, 4-6

Prefácio

Um romance para todos os tempos
O Continente foi publicado em 1949, abrindo a trilogia que Erico Verissimo denominou O tempo
e o vento. Quando lançou o romance, talvez o escritor não soubesse que seriam necessárias três
obras diferentes para dar conta do tema que escolhera, mas, quando termina o primeiro deles, já
anuncia sua continuação, O retrato, editado em 1951. Apesar de pertencer ao conjunto
completado apenas em 1962, quando aparece o terceiro volume de O arquipélago, O Continente
tem unidade própria e pode ser lido como livro independente.
A obra divide-se em sete segmentos, sendo que um deles, “O Sobrado”, emoldura todos os
outros. É também o trecho que se apresenta fragmentado, porque a ação narrada não se oferece
toda de uma vez, e sim aos pedaços, à medida que o leitor vai avançando no conhecimento da
história da família Cambará. “O Sobrado” corresponde à parte final dessa história, mas tomamos
contato com ela em primeiro lugar, a sequência sendo interrompida para o narrador dar ciência
do que se passou antes, desde os tempos mais remotos até a atualidade, representada pelo cerco
da casa de Licurgo, assunto da moldura em questão.
Os demais segmentos têm teor retrospectivo: “A fonte” narra a infância de Pedro, o menino
que vive numa das missões jesuíticas e assiste à derrota de seu povo; “Ana Terra” centra-se na
vida dessa personagem, desde o encontro com Pedro, agora adulto, até a fundação de Santa Fé,
cidade onde ela se radica; “Um certo capitão Rodrigo” introduz a figura do soldado aventureiro
que, com Bibiana, dá início ao clã Terra Cambará; “A teiniaguá” é protagonizada por Bolívar,
filho de Rodrigo e Bibiana, dividido entre o amor por Luzia, que o fascina e deseja sair de Santa
Fé, e a obediência à mãe, que quer retê-lo junto às propriedades recentemente conquistadas; “A
guerra” dá conta da juventude de Licurgo, cuja educação é disputada entre a mãe, agora doente,
e a avó, dominadora e autoritária; “Ismália Caré” consagra Licurgo como chefe de família e
político emergente, tomando parte nos movimentos abolicionista e republicano. O retrospecto
desemboca na situação retratada em “O Sobrado”, residência dos Cambará, acossada por
ocasião da Revolução Federalista, que confronta liberais e republicanos, e confirma a liderança
política de Licurgo.
O Continente funde a história de uma família e a história de uma região, o Rio Grande do Sul.
As ações mais antigas passam-se em 1745, quando os Sete Povos das Missões estão sendo
ameaçados pela execução do Tratado de Madri, acordo assinado entre Portugal e Espanha que
entrega à Coroa castelhana a região colonizada pelos jesuítas. Estes, liderando os guaranis, a
quem tinham catequizado e civilizado, recusam-se a cumprir o acordo, de que resulta a guerra.
Em meio a esses eventos, nasce Pedro, que testemunha, ainda criança, a destruição e genocídio
de seu povo. As ações mais recentes desenrolam-se em 1895, quando o Rio Grande reparte-se
entre os adeptos de Júlio de Castilhos e os de Gaspar Silveira Martins, ocasionando a Revolução
Federalista, vencida pelos primeiros.
Entre uma guerra e outra, faz-se a história do Sul; no mesmo período de tempo, Pedro
conhece Ana Terra, tem com ela um filho, cuja filha, Bibiana, desposa Rodrigo Cambará. A
família Cambará se constitui, cresce, gera descendência e acaba conquistando o poder político e
econômico da região. Combinam-se, ao final, as duas trajetórias, sendo “O Sobrado” o ponto de
chegada, conforme uma exposição que se oferece aos poucos, porque entrecortada pelas tramas
intermediárias que revelam o percurso histórico.
O cotejo entre presente e passado não resume a construção integral de O Continente.
Entremeando a passagem dos episódios parciais que compõem “O Sobrado” e cada uma das
tramas que relatam períodos da história dos Cambará, Erico Verissimo introduziu trechos
narrativos em que o narrador se afasta de suas personagens e conta os eventos históricos. Esses

trechos distinguem-se dos demais não apenas por sua forma narrativa, mas também pela
aparência gráfica, pois estão impressos em itálico. Sua função é variada: resumem os principais
acontecimentos ocorridos entre um segmento e outro; oportunizam a emergência de uma
personagem coletiva, que reage, às vezes lírica, às vezes dramaticamente, aos fatos mais
importantes, não calando perante os efeitos devastadores das inúmeras guerras e conflitos
armados por que passou a Província e que vitimaram sua população; e narram a trajetória de
uma outra família, a dos Carés, que responde pelo ângulo popular da formação social do Rio
Grande do Sul e que, assim como detém papel periférico na luta pelo poder, ocupa um lugar até
certo ponto marginal na estrutura do romance.
O Continente constrói-se a partir da costura de todas essas linhas, segundo um desenho
altamente elaborado. Sua estrutura refinada não impede, contudo, a compreensão dos fatos
narrados, porque o escritor nunca perde o controle sobre a composição do romance. Graças à
maestria com que o elabora, possibilita maneiras diversificadas de entendê-lo, multiplicando as
possibilidades de dialogar com ele e apreciá-lo.
Uma primeira maneira diz respeito à abordagem da história do Rio Grande do Sul. Guerras
abrem e fecham a obra, narrando as façanhas da conquista do Sul, bem como o processo de
ocupação do território e de instalação de uma sociedade civil. As guerras supõem heróis,
indivíduos capazes de se sobrepor aos demais e de lutar por causas coletivas. O primeiro deles é
Sepé Tiaraju, admirado pelo pequeno Pedro; o último é Licurgo, que resiste à investida dos
federalistas e impõe a nova ordem republicana em Santa Fé, cidade onde é prefeito. Entre esses
dois pontos, aparecem outras figuras de grande nobreza, como o capitão Rodrigo Cambará,
militar audacioso e campeão da causa dos mais fracos.
O Continente, porém, não é obra belicista. Pelo contrário, sublinha o que essas lutas tiveram de
sacrifício, de que é sintomática a vida breve de quase todas as figuras masculinas, tais como Sepé
Tiaraju, Pedro Missioneiro, Rodrigo e Bolívar Cambará. O teor pacifista da obra manifesta-se a
cada passo, seja por mostrar, em “A fonte”, o genocídio dos guaranis, seja por apresentar
conflitos como a Revolução Farroupilha, a guerra contra o Paraguai ou a Revolução Federalista
sob o prisma das mulheres, que perderam maridos e filhos, e viram abortar sua felicidade
familiar.
Entendendo a história como uma sequência de lutas, Erico Verissimo deseja a paz, mas
compreende seu preço. Por isso, o livro conclui com a vitória de Licurgo sobre os adversários,
mas o sucesso custa caro, por trazer consigo as perdas contabilizadas nas últimas páginas do
romance.
Uma segunda maneira de entender O Continente diz respeito à formação da classe dominante
no Rio Grande do Sul. Erico Verissimo atribui-lhe uma origem entre os primeiros habitantes da
região, os índios guaranis dos quais descende Pedro, o antepassado mítico capaz de visões
premonitórias e que diz conversar com Nossa Senhora; atribui-lhe igualmente um começo
histórico, situado em experiência anterior à ocupação portuguesa: os Sete Povos das Missões, pela
qual nutre simpatia, dado o caráter cultural e civilizatório dos objetivos catequéticos dos jesuítas.
E fixa para ela um percurso, vinculado primeiramente a atividades nômades e guerreiras, de que
são exemplo as ações de Rodrigo Cambará, depois associadas à apropriação da terra, como
mostra a história de Bolívar, culminando na tomada do governo, representada pelo trajeto de
Licurgo.
E m O Continente, acompanha-se, assim, a ascensão de uma camada social que se formou
durante o período colonial, definiu suas atividades econômicas principais durante o período
monárquico, mas chegou ao poder somente com a substituição do regime político, que quis
republicano. Nas partes iniciais do livro, os seres humanos que constituirão a camada social

retratada pertencem aos grupos dominados; mas triunfam no final, ao derrotarem seus opositores
e firmarem-se no comando do Estado.
Tal como ocorrera em relação à representação da guerra, Erico Verissimo não se rejubila
com essa conquista. Pelo contrário, à medida que os Terra Cambará avançam politicamente,
regridem afetivamente. O capitão Rodrigo é o romântico conquistador, que seduz não apenas a
jovem Bibiana, mas também o leitor que acompanha suas aventuras; Licurgo, seu neto, é o
realista que não comove nem se perturba, caracterizando-se pela frieza das emoções, a mesma
que recebe de seu público. Habilmente, Erico Verissimo não criminaliza a personagem, porque
seus heróis são conquistadores; mas congela a simpatia, evitando que o leitor se identifique com
Licurgo e abrace seus ideais.
As duas histórias que embasam a trama de O Continente são lideradas por homens que lutam
nas guerras e combatem o poder até se tornarem parte dele. Suas ações, contudo, não detêm o
comando sobre o enredo do livro, dominado pelas mulheres, destacando-se três delas: Ana Terra,
Bibiana Cambará e Luzia Silva. Por trás dessas senhoras estão várias outras, enlutadas por efeito
das guerras que devastam a região e devoram seus homens, sendo que as vozes delas se
manifestam principalmente nos trechos intermediários.
Já se afirmou várias vezes que, em O Continente, a perspectiva dominante é a das mulheres.
Todos os que fizeram essa observação estão provavelmente corretos: não se trata apenas de
fortalecer a voz feminina, mas de narrar um romance de conquistas e instalação de uma
sociedade machista do ângulo dos perdedores, as mulheres que veem seus filhos e maridos
partirem para a luta que os consumirá; que se dobram aos desígnios dos mais fortes; que, apesar
de fracas, resistem e garantem a subsistência e o futuro de seus descendentes. Ana e Bibiana
simbolizam a persistência feminina, razão por que se convertem não apenas em ícones da
história narrada, mas também em alegoria da visão de mundo adotada por Erico Verissimo.
Pacifista e desiludido diante da trajetória dos grupos dominantes que fizeram a história do Rio
Grande do Sul e do Brasil, o escritor confere às mulheres a função de representar seu
posicionamento. Por ter sido capaz de traduzir a perspectiva da alteridade, que toma forma
feminina, Erico criou um romance que ultrapassa o contexto histórico que retrata, mantendo-se
permanentemente vivo na imaginação de quem o lê.
Regina Zilberman
Doutora em Letras pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha,
e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul


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