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Café01 .pdf


Original filename: Café01.pdf
Title: Protótipo Revista Café - 1o trimestre
Author: Café e Analgésicos

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Ano 1
1ª Edição

01

revista

café

A polêmica que dominou o início de 2012

COMPARTILHAMENTO
ONLINE
ARCTIC MONKEYS
MÚSICA

Conheça a história da banda de Sheffield

O Black Keys no topo do rock

MICHAEL KIWANUKA
Entrevista concedida ao The Guardian
conta tudo sobre a revelação da Soul Music

COMPORTAMENTO
Criticar o Big Brother Brasil te torna mais culto?
O glamour e os transtornos

David Bowie Ziggy Stardust

E MAIS!

REVISTA CAFÉ

REVISTA CAFÉ

CARTA AO

Editor-Chefe
Evandro Cruz

DIFICULDADE E PRESUNÇÃO
As questões que regem a nova
fase do ‘Café’

D

questão que sempre ocupou
nossas mentes é o significado
que esse blog/revista tem na vida todas
as pessoas que participam, leitores,
editores e os eventuais broders que
escrevem conosco. É uma pergunta
difícil e presunçosa, difícil porque é
sempre um grande trabalho pensar o
que algo é para outras pessoas (muitas
vezes não sabemos o que significa para
nós mesmos) e presunçosa porque é
uma baita arrogância achar que o nosso
Café significa mais do que uma mera
publicação de conteúdo.

Mas a gente nunca deixou de ser
presunçoso.
E é essa presunção que nos impulsiona a
escrever mais a cada dia, e escrever
melhor. Nós nunca tivemos a intenção
de ser uma "mera publicação de
conteúdo. O objetivo do Café e
Analgésicos é se tornar uma parte
importante na vida de nossos leitores,
gerar discussões, apresentar novas
culturas e pontos de vista, e para isso,
nós temos que ser presunçosos, ou pelo
menos arrogantes o suficiente para não
ligar para as críticas usuais que este
campo tão rico e tão imaturo que é
internet costuma fazer a projetos
novos.
É com essa presunção que ignoramos as
sempre venenosas perguntas do tipo
"quem são vocês para dizer isso?" ou as
declarações de arcaico recalque como
"vocês são muito novos para isso."

ESPECIAL COMPARTILHAMENTO
ONLINE

Editor de música
Allan Assis

Os Editores

12
p

Contato
cafeeanalgesicos@gmail.com
www.cafeeanalgesicos.com.br

No ano que precede o próximo Fim do Mundo um
novo tipo de guerra teve início, a batalha entre a
grande indústria fonografica tradicional e as
redes independentes de compartilhamento
online movimentou o primeiro trismestre de
2012.

WEB STUFF
Todos os artigos assinados são de responsabilidade de seus
autores e não refletem necessariamente a opinião da
revista. A reprodução total ou parcial dos mesmos é
autorizada, mediante apresentação de créditos.
Todas as imagens reproduzidas são de propriedade de seus
autores.

Na primeira edição da Revista Café
você irá encontrar a seleção do que
pensamos ser os melhores textos deste
primeiro trimestre de vida nova do Café
e Analgésicos, a diagramação
impecável do nosso editor Pedro, o bom
gosto de Cuba e outras matérias de
nosso time, como o grande sucesso da
Daniela Amadeu e as listas que são os
resultados de todas as influências que
nos cercam. Mas além de tudo, você irá
encontrar uma grande amizade e talvez
essa seja a definição que mais se
aproxima de algum significado real do
que é o Café e Analgésicos: uma grande
amizade, é como a gente se sente
quando escreve e esperamos que você
sinta o mesmo quando nos leia.
Sem mais delongas, nós do Café e
Analgésicos orgulhosamente
apresentamos a primeira edição da
Revista Café, aproveitem!

revista

CAPA

Co-Editor/Arte
Pedro Farci

Ignoramos tais tipos de declaração por
um motivo muito simples: não
precisamos respondê-las, o Café nunca
"será alguém" porque ele é todo mundo
ao mesmo tempo, leitores, editores e
autores constroem a identidade e o
conteúdo a cada dia, a cada
comentário, a cada post. E depois, nós
não somos muito novos, também não
somos muito velhos, em nossa missão
de interpretar o passado e antecipar o
futuro acabamos por nos perder um
pouco do presente, as vezes parece que
nós escrevemos isso há anos e em
outros dias, parece que tudo começou
ontem.

02 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

café

CAFÉ
ANALGÉSICOS

LEITOR
ESDE O PRIMEIRO POST
PUBLICADO NO NOVO FORMATO
DO CAFÉ E ANALGÉSICOS a

01

ADAPTAÇÕES DE LIVROS PARA
O CINEMA

p

04

As adaptações de livros para as telas são uma
constante na história do cinema e foi responsável
por confeccionar grandes obras cinematográficas
até os dias atuais.

ADAPTAÇÕES DOS QUADRINHOS
QUE FOGEM DO ÓBVIO

p

33

2012 será um ano de estréia de grandes
adaptações do quadrinho para o cinema.

COMPORTAMENTO

06
p 09
p

entretenimento
música
cultura
crítica
1º trimestre I 2012

POR QUE TRABALHAMOS TANTO?

SER ‘CULTO’ E CRITICAR O BBB

MÚSICA

24
p 28
p

p

26

ENTREVISTA COM MICHAEL
KIWANUKA

GERAL
[04] WEB STUFF

[24] MÚSICA

[06] COMPORTAMENTO

[30] CONHEÇA MÚSICA

[12] ESPECIAL

[32] WEB STUFF

DAVID BOWIE ZIGGY STARDUST

O BLACK KEYS NO TOPO DO
ROCK

03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

CAFÉ LISTAS

10 ADAPTAÇÕES DE LIVROS PARA O CINEMA QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR
Além do jargão convencional de que ‘‘a vida imita a arte’’ podemos dizer que a própria arte imita a si mesma.
As adaptações de livros para as telas são uma constante na história do cinema e foi responsável por confeccionar
grandes obras cinematográficas até os dias atuais.

Trilogia Poderoso Chefão

Blade Runner

O longa que para muitos é o melhor filme de todos os tempos vem da adaptação da obra de Mario
Puzzo pelas mãos do diretor Francis Ford Coppola. Marlon Brando e Al Pacino dividem tela em
atuações que beiram a perfeição, sendo envoltos por uma produção impecável e um enredo muito
bem trabalhado, que formam apenas alguns motivos da crescente adoração que este filme suscita
em seus fãs.

O grande marco no cinema de ficção cientifica é fruto de uma adaptação do livro Será "Ciborgues
Sonham com Ovelhas Elétricas?" de Philip K. Dick. O filme estrelado por Harrison Ford, além de ser
profundamente filosófico, com um roteiro profundo e digno de se assistir repetidas vezes,
também foi o ultimo longa de ficção filmado sem nenhum recurso de computador. Sim, todos os
carros voadores, cidades gigantes e outras efeitos apresentados são feitos à mão, o que só
aumenta a admiração sobre a obra.

O Iluminado

Trilogia O Senhor dos Anéis

Levante a mão aquele que declara não ter medo deste filme e então nós teremos um mentiroso. O
Iluminado é assustador, e talvez um dos poucos filmes que mereçam este adjetivo, ainda mais nos
tempos de hoje com filmes de terror que beiram o ridículo. A adaptação do livro de Stephen King
foi feita pelas mãos do lendário Stanley Kubrick (que só faz adaptações e por isso só vai aparecer
uma vez nessa lista) e estrelada por Jack Nicholson.

Com uma produção impecável, a Saga do Um Anel ganhou tantos Oscars que foi preciso uma van
para transportar as estatuetas. A adaptação de Peter Jackson para a jornada de Tolkien ganhou fãs
por todo o planeta e volta este ano com a produção do prólogo Hobbit.

Harry Potter

A Lista de Schindler

Talvez a combinação mais eficaz entre sucesso comercial e qualidade cinematográfica
encontrada nos dias de hoje. Os 8 filmes baseados nos 7 de J.K. Rowling conseguiu fazer centenas
milhões em bilheterias e propaganda, além de aumentar exponencialmente a legião de fãs e
revelar para o cinema bons talentos como Daniel Radcliffe e Emma Watson.

Na época em que todos achavam que Steven Spielberg seria apenas mais um cineasta industrial
para gerar dinheiro em bilheteria, nos é entregue uma das grandes histórias do cinema. A Lista de
Schindler é uma adaptação do romance homônimo de Thomas Kennealy e tem no papel principal o
ator Liam Neeson como Oskar Schindler, homem responsável por salvar a vida de 1200 judeus na
Alemanha nazista.

Um Sonho de Liberdade

O Sliêncio dos Inocentes

Os mais desavisados podem não saber, mas Um Sonho de Liberdade, o filme estrelado por Tim
Robbins e Morgan Freeman, que é um grande elogio a esperança e a superação também é uma
adaptação de um livro de Stephen King. Sim! O autor americano não faz apenas filmes sobre
monstros e psicopatas, e a obra adaptada por Frank Darabont surpreender por nos apresentar um
King sensível e humano.

Nos tempos em que os serial killers realmente colocavam medo em alguém, o livro de Thomas
Harris fora adaptado pelo diretor Jonathan Demme para criar um verdadeiro icone do cinema
mundial. O doutor Hannibal Lecter é uma das figuras eternas da sétima arte e ainda hoje
amedronta marmanjos que se arriscam a re-assistir a fita dos anos 90.

Clube da Luta

Casablanca

Chuck Palahniuk foi o autor do livro que originou uma das ultimas revoluções no cinema americano
das quais se tem notícia. Com a direção de David Fincher e elenco com núcleo centrado em Eduard
Northon, Brad Pitt e Hellena Borran-Carter, o filme de 1999 é um dos grandes marcos
cinematográficos da nossa geração, gerando discussões até hoje sobre qual seria a grande
mensagem final do filme.

04 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

Outro que também figura diversas listas de melhor filme de todos tempos, Casablanca é um épico
dirigido por Michael Curtiz e baseado no livro de Murray Burnett e Joan Allison. O longa relata a
história de pessoas que tentavam fugir da europa durante a ocupação nazista, e suas
consequências, a obra é até hoje lembrada pelas atuações excepcionais de Humphrey Bogart e
Ingrid Bergman.

05 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

CAFÉ OPINIÃO

CAFÉ OPINIÃO

POR QUE TRABALHAMOS TANTO?

SEUS ASSUNTOS TE TORNAM
INSUPORTÁVEL?
Por Pedro Farci
Agência Café

Por Evandro Cruz
Agência Café

É uma questão que a primeira vista parece
óbvia: a gente trabalha muito porque é assim
que as coisas são, o trabalho faz o mundo se
movimentar, produz coisas e da sentido às
nossas vidas. Todas as respostas seriam
compreensíveis se a pergunta fosse
direcionada ao trabalho em si, mas o que eu
quero discutir aqui é o porquê de nós
trabalharmos tanto.
Contrariando a máxima de que o Brasil é uma
terra de vagabundos, a jornada semanal do
trabalhador brasileiro é uma das maiores na
média mundial com pouco mais de 44 horas
semanais de serviços prestados em troca de
algum tipo de remuneração. Essa carga de
trabalho é absurda e desnecessária.
A jornada de trabalho tão extensiva que
estamos habituados causa uma série de
malefícios que afetam desde o individuo em
si, até aspectos mais globais como o meio
ambiente e a economia. Sim, trabalhar
demais prejudica a economia de um país.
Pela perspectiva individual, uma jornada de
trabalho extremamente intensa pode causar
uma série de problemas fisiológicos como
lesões por repetição, altos índices de stress,
além de uma gama de problemas cardíacos e
respiratórios, devido a grande poluição
06 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

gerada nas cidades (que também é culpa do
excesso de trabalho, como veremos adiante).
Mas além da saúde, e ouso dizer que seja até
mais importante,
o excesso de horas
trabalhadas priva o ser humano de trabalhar
o lado cultural e emocional, hoje um pai de
família tem pouquíssimo tempo para passar
com seus entes queridos ou praticar alguma
atividade de lazer, tornando sua qualidade de
vida bem pior.
O dano ambiental do excesso de trabalho não
está localizado nas indústrias, obviamente,
elas são fundamentais para o funcionamento
do país e os gases gerados são um efeito
colateral um tanto quanto esperado. O vilão
aqui é a quantidade gigantesca de carros que
ocupam as grandes cidades, emitindo gases
poluentes, esses carros são obrigados a se
movimentar devido ao ritmo incessante da
nossa jornada de trabalho, e se nosso país
quer realmente se tornar uma potência
mundial, políticas ambientais devem ser
tratadas como uma das prioridades.
E por final, a jornada de trabalho muito
extensa prejudica a economia por dois
motivos muito simples: desvaloriza a hora de
trabalho e gera desemprego. Quanto mais
extenso o tempo que alguém permanece no
trabalho, mais esse tempo se torna
desvalorizado. Em um cálculo simples: se
você recebe R$5,00 por hora e trabalha oito
horas por dia, provavelmente você poderia

fazer a mesma atividade em 4 horas e
receber os mesmos R$10,00.
Essa
diminuição de carga horária abriria mais
espaço no mercado de trabalho, diminuindo
o índice de desemprego.
Quem trabalha ou já trabalhou em regimes
fechados de trabalho sabe, sua hora de
trabalho é desvalorizada e o seu trabalho
dificilmente demanda o tempo que é
acertado em contrato, tempo esse que
muitas vezes é gasto em procastinação ou na
execução de tarefas que parecem sem
sentido. Em alguns países como a Holanda a
solução tomada foi simples: a redução da
jornada de trabalho para 7 horas por dia, em
cinco dias da semana, o país se destaca pela
sua valorização cultural e preservação do
meio ambiente.
Será que trabalhamos tudo aquilo que seja
necessário? A questão volta: Por que nós
trabalhamos tanto?

Agora sim, depois do carnaval ninguém mais
tem motivo pra ficar de preguiça e
procrastinar todos os pedidos do chefe e
muito menos ficar à toa no Facebook
compartilhando aquelas imagens com setas e
esse tipo de coisa inútil. As aulas nas
faculdades começaram pra valer (se a sua
não começou ainda você é um tremendo de
um sortudo) e tudo vai tomando seu rumo
normal, longe das aclamadas e famigeradas
micaretas regadas a cachaça, animação e
saliva alheia. Normalmente, é nessa época
do ano, já em aulas e com o trabalho “a
toda”, que as relações interpessoais entram
mais em evidência se comparamos esse
período com as férias ou com a época que os
procrastinadores chamam de inútil, situada
entre o ano novo e o carnaval (eu discordo
completamente, mas “a voz do povo é a voz
de Deus”).
Relações interpessoais, como vocês devem
saber, resultam em interações, que resultam
em conversas. Simples. Existem conversas
desagradáveis, existem conversas
edificantes, conversas motivadoras; enfim,
todo tipo de assunto pode ser tratado entre
duas pessoas (ou mais). Mas então, os
assuntos que você costuma tratar são
realmente interessantes?
Em tempos de Oscar, BBB, novela e futebol
como assuntos em evidência na nossa
sociedade (tendo em vista que a
acessibilidade a estes está cada vez mais
fácil), mesmo fazendo uma triagem de temas
de conversas do cotidiano, é cada vez mais
complicado selecionar algo que nos
acrescente experiências interessantes.
Refletindo um pouco, a relação de tópicos do
início deste parágrafo terceiro é o que de
‘menos pior’ temos hoje em dia.
Explico.

Texto publicado no site em 29 de fevereiro
Evandro Cruz escreve às quartas-feiras.

1º trimestre I 2012

Fala-se de tudo em qualquer lugar. Deixando
de lado as fofocas, futricos e mexericos
referentes à vida alheia, nossas conversas se
enchem, cada vez mais, de hipocrisia e
ninharias repletas de futilidade. Ostentação
07 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Nossas conversas se enchem,
cada vez mais, de hipocrisia
e ninharias repletas
de futilidade

desnecessária sobre os milhares de reais
gastos em gesso e cimento de primeira linha
para reformar a casa dentro do condomínio
fechado (sem deixar de citar o valor do
imóvel antes de depois da reforma), a viagem
pela Europa com roteiros detalhados e fotos
mostradas num iPad, e até mesmo, quem
diria, projeções para o futuro (na maioria das
vezes provenientes de devaneios) que não
correspondem nem de perto à realidade
vivida no momento.
Algumas conversas numa roda de
companheiros de trabalho acabam se
tornando grandes Guerras Frias, tendo em
vista que à medida que os “causos” (oh...)
são contados, outros visam sair por cima da
discussão, ainda que precisem desenterrar a
história do cunhado, que viajou para Paris 18
anos atrás e pegou 8 horas de fila para visitar
a Torre Eiffel.
E não pense que a discussão sobre religião e
política (geralmente iniciada após 8 copos de
chopp ou algumas doses de Scotch) sai por
cima de tudo isso, viu. Defender interesses
com argumentos elaborados e baseados em
Nietzsche, Marx e companhia limitada é
extremamente edificante, mas só quando
temos um propósito claro para isso; e,
adivinhe, a maioria das pessoas não tem
como componente diário as opiniões
formadas a partir de discussões de pontos tão
delicados como crença e posição política.

você ouvir a secretária do escritório dizendo
que planeja uma aplicação de botóx.
E é óbvio. Todos esses assuntos enumerados
até aqui neste humilde texto podem se tornar
interessantes caso seu interlocutor esteja
engajado em tal e deseje dar prosseguimento
à discussão. Arrisco-me a dizer, todavia, que
não é o que acontece em boa parte dos casos.
O bom-senso é de extrema importância na
hora da conversa. Dizer por aí quanto você
pagou na caríssima bolsa da sua esposa em
forma de ostentação é tão piegas quanto
citar Dostoievski a leitores habituados com a
Turma da Mônica.
Não se engane, mas os assuntos os quais você
aborda podem te tornar insuportável, mesmo
quando nada daquilo se trata de Big Brother,
novela ou futebol.

Texto publicado no site em 2 de março
Pedro Farci escreve às sextas-feiras.

E antes de chamar de ranzinza este que vos
escreve, encare estes fatos como uma
constatação da realidade na próxima vez que
1º trimestre I 2012

CAFÉ OPINIÃO

CAFÉ OPINIÃO

A MODA DO ‘MACHO ALFA’

Por Evandro Cruz
Agência Café

valores” este tipo de cultura geralmente tem
como objetivo resgatar a imagem de macho
alfa, da força e da retidão destes homens.
Porém, o que se apresenta é um grande
retrocesso cultural, com sites, revistas e
culturas em gerais propagando o modo de
vida “machão ignorante” que segue a risca o
estereótipo do homem machista, truculento
e que relega a mulher ao simples papel de
“companheira”.

‘O que se apresenta é um grande
retrocesso cultural’
Os indícios podem ser vistos pelos canais de
comunicação, desde imagens supostamente
engraçadas que desrespeitam diretamente o
gênero feminino (vadia isso, vadia aquilo,
vadia burra, etc), até publicações
direcionadas apenas para dar apoio a um
modo de vida machista (“você não pode ter
dúvidas, não pode ser sensível nem calmo,
você é homem, homem!”). Esta cultura de
prepotência parece apenas confirmar o que
já diziam há algum tempo : as mulheres são
realmente mais inteligentes que nós.
A imagem do comportamento masculino
sempre passou por mudanças ao longo da
história, mas a imagem de que o homem seria
um ser mais forte se tornou uma constante na
maioria das culturas, as tornando
consequentemente mais machistas, isso
parecia estar caminhando para uma
mudança, mas o otimismo, mais uma vez,
provou-se errado.
A partir do momento em que a primeira
mulher queimou o primeiro sutiã foi dado o
primeiro grito de uma frase que ressoaria
pelo que até então conhecemos como
eternidade : a mulher existe. E existe por si só
desassociando sua imagem da
obrigatoriedade de ser esposa de alguém, ou
seja: a partir daquele momento a mulher era
independente do homem e a luta por
emancipação teve como um dos principais
aspectos o ataque a visão do mundo que via o
homem como mais forte, mais inteligente.
E com a dissociação da mulher em relação ao
homem criou-se o o que se chama de
“cultura”: um grupo de pessoas com
interesses semelhantes e potencial de
consumo. A “cultura da mulher” foi o campo
que provavelmente mais cresceu durante a
segunda metade do século: as mulheres
queriam ser “mulheres” e a adesão as aspas

significava a adesão de um estilo de vida,
representado pela nossa sociedade
capitalista como os bens de consumo que se
possui, causando uma enxurrada de
produtos, discursos e modos de agir
especificamente direcionados ao público
feminino.

‘Este fenômeno cultural acabou por
criar uma imensa lacuna: Se existe
tanta coisa para dizer o que é ser
mulher, então o que é ser homem?’
Antes da segunda metade do século XX era
fácil ser homem: a mulher ocupava um lugar
extremamente limitado e submisso, logo, era
só não fazer o que as mulheres faziam e
pronto, estava lá um homem. Porém, hoje
não há separação e nós homens, fracos como
somos, não resistimos a presença da mulher
em cada aspecto da sociedade, o que gerou
uma reação que profere a disseminação da
cultura de um homem truculento, simplista e
insensível, o tal do “macho alfa”

Enquanto em grande maioria consegue
conviver com as diferenças de
comportamento em seu gênero, nós
permanecemos intolerantes, tentando achar
um “ideal de homem” e recriminando –
quando não ofendendo – quem tem uma
orientação sexual, comportamento ou
opiniões diferentes da “certa”.
Esta onda de ideais machistas recobertos
com uma camada de falsa retidão está nos
deixando cada vez menos profundos e mais
simplórios. Esta obsessão em tentar definir o
que é coisa de homem e o que não é nos leva
ao modo mais fácil de se perder, que é achar
que apenas um caminho é o certo, quando na
verdade as opções são inúmeras.

Texto publicado no site em 31 de janeiro
Evandro Cruz escreve às quartas-feiras.

Vemos hoje em dia uma crescente corrente
de uma cultura masculina de volta e
preservação do que consideram como “bons

SOBRE SER ‘CULTO’ E CRITICAR
O BBB
Por Pedro Farci
Agência Café

Pra você que está passando
férias em Marte e ainda
concentra no Orkut todos os
seus contatos de rede social,
no mês de janeiro começou a
décima segunda edição do
Big Brother Brasil, esta
epopeia televisiva que já
perdura e resiste há 11 anos
nesta caixa de surpresas que
é a tv brasileira (sim,
estamos na edição 12, no ano
11). Os clichês são os mesmos
de sempre, as carinhas
bonitas, o gay (que não é o
Bial) e o Pedro Bial.
Com o começo do programa, aquilo de
chamamos de Elite Intelectual do país já
preparou todas as suas armas para atacar
aqueles que assistem a obra dirigida por
Boninho. A propósito, essa questão de Elite
Intelectual á bem relativa, viu. A moda hoje é
ser culto, pegar o metrô com o Dostoiévski
embaixo do braço, citar frases de referências
respeitadas pelo pensamento acadêmico,
colocar em dúvida o existencialismo, a
diferença social. Houve uma época em que se
você tirava mais de 7 numa prova da escola,
era inteligente o bastante pra ser deixado out
of the box. A moda já foi ser burro, e quem
não era se passava como um. A moda hoje é
exercer a sociologia como segunda ocupação.
Tem que dar pitaco em tudo. Aí é que entra o
nosso querido BBB.

Mas a questão principal vai do princípio de
que os reclamões da web não assistem ao que
eles mesmos chamam de ‘estupro mental’
(acreditem, eu li isso), para continuar
compartilhando imagens do “Melhor do
Mundo”, “Risos no face”, dentre outros
tradutores dos posts do 9gag.

Tudo gira em torno do respeito por pessoas
que buscam o entretenimento em
determinada hora do dia, seja no “Risos no
face” (bleh) ou no Big Brother Brasil. O show
business nunca acrescentou nada (eu disse
NADA) além de uma ocupação nas tardes de
domingo. Seu pai pode ser a pessoa com o
pensamento mais ordenado e são de todo o
universo, com inúmeras graduações; mas
tenha certeza que ele se divertia com o show
de calouros do programa do Chacrinha.
Há algum tempo (desde que ser cult é ser
cool) foi criada a ilusão da “cartilha
cultural”, que traz uma relação de todas as
expressões de arte/entretenimento
consideradas boas (veja só, são apenas
consideradas boas, não construtivas e que
acrescentam conhecimento empírico
realmente relevante para sua vida), e seja lá
o que for que não estiver relacionado ali, não
é bom; e se estiver em evidência na
sociedade então, presta menos ainda. A
impressão passada aqui é de que a nossa
“Elite Cultural” prega, com veemência (e
distorção), o conceito criado por Nelson
Rodrigues de que “toda unanimidade é
burra”.
Deixemos de lado, por favor, essa ilusão
supérflua de intelectualidade diferenciada,
porque, afinal de contas, ninguém passa 24
horas do dia lendo Zygmunt Bauman.

Não que o Facebook seja o sítio mais legal do
mundo durante o dia, mas na hora da
transmissão do reality show em TV aberta ele
fica insuportável. E, por mais incrível que
pareça, ele não fica insuportável pelos
comentários “a Maria do BBB pegou o José”,
ou “Estou torcendo pro Dourado ser o líder”.
É quando a vanguarda pseudo-culta da nossa
geração dá as caras que o buraco fica mais
embaixo. Críticas e mais críticas a quem
assiste ao programa, colocando em xeque a
capacidade/inteligência dos espectadores. O
primeiro ponto aqui, é que cada um faz o que
bem entender de sua vida (argumento
simples, mas válido).

Texto publicado no site em 12 de janeiro
Pedro Farci escreve às sextas-feiras.
Chacrinha e BBB: separados por um bacalhau

08 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

09 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

GUEST POST

O GLAMOUR E OS TRANSTORNOS
Por Daniela Amadeu
Guest Post

Qual a razão de uma
pessoa normal
querer adotar para
si sintomas de
certos transtornos?

ESCREVA PARA
O CAFÉ E ANALGÉSICOS

Há quem goste da ideia de ter um cérebro
quimicamente desbalanceado e desfrutar
dessa característica como forma de
enxergar o mundo sobre uma ótica menos
normalóide, padronizada e ainda “herdar”
algumas qualidades ditas tragas por esse
desbalanceamento químico.
Com a popularização de personagens fora do
comum que enaltecem uma certa
genialidade e idiossincrasia, pessoas têm
dado mais atenção a certos sintomas de
alguns transtornos e os adotado para suas
vidas como forma de dizerem-se
"diferentes".

House e o charme do desvio (Foto: Reprodução)

Misantropia, personalidade dissocial e
bipolaridade são alguns exemplos. Às vezes
até a esquizofrenia que de bela não tem
nada acaba sendo adotada por pessoas
extremamente sadias.
Mas qual a razão de uma pessoa normal
querer adotar para si sintomas de certos
transtornos? Por que descrever-se como
doente e ter a ideia de que isso é legal?
Primeiro fator a se observar é que há um
certo glamour em alguns transtornos,
devido a ideia de que tais transtornos
aperfeiçoam qualidades que pessoas
normais não têm. Segundo que a sociedade
exige muito um comportamento fora do
normal, e nesse comportamento entram
certas características de alguns transtornos
que passam a ser considerados qualidades.
Como a euforia fora do comum que um
bipolar pode ter, a capacidade de viver bem
sozinho que um misantropo possui, ou
então, o hiperfoco que só um TDAH pode
usufruir.
Mas para casos como esse, é importante
enfatizar que uma qualidade em um doente
10 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

não é suficiente para compensar todo o
desequilíbrio emocional que este carrega. E
tais qualidades exigidas pela sociedade não
suprem a ausência ou deficiência de algumas
características em um doente, como o controle
emocional ou impulsivo, por exemplo. Antes de
‘‘adotar tais transtornos como estilo de vida’’,
é interessante saber o quanto um doente pode
tirar vantagem de seu problema se comparado
a uma pessoa sadia.
Pessoas bipolares podem ser criativas, mas
oscilam entre mania e depressão. E devido a
depressão, podem deixar um trabalho
supercriativo inacabado, ou dependendo do
caso, entrarem numa hipermania e exagerarem
no senso de criatividade transformando o
trabalho em algo incompreensível e confuso;
assim como TDAHs podem ter o hiperfoco
acima do comum, porém este foco pode não ser
controlável e para todas as atividades que ele
precisa fazer em um dia, são em poucas que ele
consegue se concentrar.

‘Uma pessoa sadia tende a ser estável
emocional e psicologicamente, um
doente não’
Filmes e séries costumam dar visibilidade a
essas personalidades e uma distorção e

glamourização acaba ocorrendo.
Geralmente os personagens são
estereotipados e com características
clássicas de tais transtornos para que estes
possam ser percebidos. Já os defeitos que
acompanham os transtornos, muitas vezes
são excluídos ou pela produção ou pelo
próprio público.
Uma pessoa sadia tende a ser estável
emocional e psicologicamente, um doente
não. E ainda que uma qualidade oscile
muito de maneira positiva em um doente,
defeitos podem ser potencializados devido
a um transtorno e isso prejudica a qualidade
de vida do indivíduo.
Portanto, não há beleza em classificar-se
como doente por modismo ou como meio de
enfatizar uma qualidade. Depender de
medicamentos e psicoterapia para ter um
cérebro estável, descobrir meios de
entender a doença e aprender a controlarse não é bonito, não é atraente e não pode
ser encarado como modismo. É
desrespeitoso ao doente que precisa
aprender todos os dias a conviver com seu
problema de maneira sadia, não prejudicar
a si mesmo e nem as pessoas a sua volta.

Daniela é dona do blog ‘Unknown Blogueira’
www.unknownblogueira.com
1º trimestre I 2012

MAIS INFORMAÇÕES EM

BIT.LY/ESCREVACAFE

ESPECIAL

Tudo sobre

COMPARTILHAMENTO

ONLINE
Enganos, exageros, SOPA, PIPA e as
opiniões de quem está ligado ao meio.
Entenda a polêmica com o ECAD nas
terras tupiniquins.

N

O ANO QUE PRECE O PRÓXIMO FIM DO MUNDO um novo
tipo de guerra teve início, a batalha entre a
grande indústria fonografica tradicional e as
redes independentes de compartilhamento
online movimentou o primeiro trismestre de
2012. Se por um lado os grandes barões da
indústria parecem ter sentido o golpe disferido
pela expansão das redes de compartilhamento
online, a reação demonstrou que os grandes
grupos de mídia ainda detêm muito poder:
fechamento de sites, votações de leis anti-

compartilhamento e campanhas contra pirataria marcaram o início do ano.

Em uma série de textos e matérias publicadas nos primeiros três meses do
ano, o Café traz para você o conteúdo necessário para entender todos os
aspectos dessa batalha que tem como principais antagonistas o direito de
posse por aquilo produzido e o principio da liberdade de compartilhamento.

Se informe,
pense,
interprete..
Por AGÊNCIA CAFÉ

12 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

ESPECIAL

ESPECIAL

ENGANOS E EXAGEROS
O Compartilhamento online de arquivos realmente afeta a economia?

Por Pedro Farci
Agência Café

para ir ao banheiro),
para que desta forma,
dependendo da sua
avaliação, pagar o
ingresso para ver o
mesmo filme no
cinema (e ver as
mesmas pessoas dando
risada, e, pior, ter que
dar passagem
encolhendo as pernas
para os outros irem ao
banheiro). Talvez este
seja o caso que ilustre
um dos argumentos dos
que defendem o
compartilhamento
online.

A situação já está
resolvida, o projeto de
lei SOPA foi arquivado
no Congresso
americano e o
Anonymous fez com
que os executivos que
defendem a bruta
aplicação de
p r o p r i e d a d e
intelectual estejam
dormindo embaixo da
pia. Mas aí vem aquela
q u e s t ã o d o
politicamente correto,
a reflexão da
O caso citado acima é
liberdade, a questão
b
em verdade, e
Shawn
Fanning,
criador
do
Napster
-compartilhador
pioneiro
de
arquivose
arauto
do
caos
(Foto:
Reprodução)
existencial e tudo
c o m p r o v a d o
mais: você está
realmente prejudicando a economia do seu
seria no Brasil) divulgou outra estimativa, que cientificamente (ah, as estatísticas...) na
país ao baixar o mais novo single da Lady Gaga
girava em torno de 58 bilhões de dólares. França e na Suíça (ver gráfico 1). Mas é uma
pelo Ares?
Também foram apontados inúmeros erros questão intrinsecamente cultural e de poder
metodológicos que poderiam dobrar ou até aquisitivo. O caso que mais incomoda os
Segundo o texto do projeto de lei que por
triplicar os números. Afinal de contas, qual é defensores de propriedade intelectual é o que
pouco não foi votado nos Estados Unidos, a
o prejuízo real? Como já foi constatado, é eles chamam de ‘vendas perdidas’. É o
pirataria online é tida como grande problema,
impossível falar em dados.
cidadão que baixa a discografia do Bob Dylan,
que (ainda segundo o projeto de lei) custa à
a filmografia do Tarantino e todos os livros do
economia deles por volta de 200 a 250 bilhões
É bom deixar clara a obrigação em utilizar Charles Bukowski em extensão PDF. Olha,
de dólares por ano, além da ‘perda’ de 750 mil
dados americanos para ilustrar o início do você leitor provavelmente se identificou com
empregos americanos.
texto ao invés de estimativas brasileiras, que, isso. Vivemos num país com a economia
completamente distinta dos Estados Unidos, e
basicamente, não existem.
por isso o download de músicas pelo iTunes
Os números são realmente assustadores.
Fazendo uma conta simples, esses 250 bilhões
Mas então, qual o real prejuízo para o sistema não pegou.
são quase 800 dólares por cabeça (incluindo
econômico como um todo?
homens, mulheres e crianças americanas).
Os músicos já perceberam a algum tempo que
Segundo dados, 750 mil é praticamente o
Por aqui, na terra Tupiniquim, o download a principal fonte de renda não é mais a venda
dobro de pessoas empregadas em toda a
pago de músicas não pegou. Até porque, a de CDs. Talvez o último a gerar fortuna com
indústria cinematográfica no ano de 2010.
venda de música pelo iTunes chegou aqui venda de discos tenha sido o Zezé Di Camargo
oficialmente nada mais nada menos que cinco e Luciano (sim, são uma pessoa só). Os
A boa notícia, é que essas estimativas são
anos depois. Não que o comportamento fosse sucessos atuais, mais novas revelações da
equivocadas. Ainda no ano de 2010, o
‘pegar’ aqui se chegasse antes, mas ajudaria. música, só fazem sucesso graças à internet.
Government Accountability Office (órgão
A nossa visão da internet é um pouco Michael Kiwanuka e Skrillex (que você viu aqui
responsável pela Auditoria, Avaliações e
diferente da americana. Ainda pensamos no ‘Café’) são provas vivas (evitei citar Michel
Investigações do Congresso dos Estados
uma, duas, três vezes antes de comprar algo Teló). O mercado musical está se adaptando à
pela internet (isso quando não desistimos); o tecnologia de compartilhamento online. É
Unidos – seria equivalente no Brasil à
que é justificável, uma vez que o sistema mais do que claro que, no caso específico das
Controladoria Geral da União) divulgou um
brasileiro de compras online é horrível.
gravadoras, a meta é não deixar de ganhar
relatório reportando que esses números não
também com a venda de CDs. Resumindo:
podem ser fundamentados ou rastreados até a
você não compra o CD, mas ouve uma música
obtenção de uma fonte de dados subjacente e
Mas existem casos e casos de pirataria.
do cara no SoundCloud e fica maluco pra ir a
metodológica, ou seja, não podem ser
rastreados mesmo.
Existem aqueles que baixam o filme um show; e você geralmente vai, pagando no
lançamento pelo uTorrent, em (péssima) ingresso uma quantia no mínimo 4 vezes
Recentemente, o IPI (Institute for Policy
qualidade TS ou R5 (gravada no cinema, com maior do que o preço do CD.
Innovation – não tenho a menor ideia do que
risadas da plateia e o Seu José levantando
14 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

Gráfico 1 ilustra a relação entre o conteúdo baixado na internet e os gastos em produtos legítimos na França

Ironia do destino, o compartilhamento de
arquivos acaba por impulsionar a indústria
de entretenimento de forma muito mais
efetiva do que a publicidade formal, por
exemplo.
A Dilma decerto acharia legal todos
comprando produtos importados, já que isso
seria sinal de uma economia madura o
bastante para tal. Como essa não é a
realidade, ela fica feliz com o fato de você
baixar a valiosa discografia remasterizada do
Pink Floyd (que tem o preço proporcional à
sua qualidade) e gastar um valor equivalente
em outro produto que faça circular capital
interno.

Como Mark Twain disse uma vez, existem três
tipos de mentiras: mentiras, mentiras
descaradas, e estatísticas. Em alguns casos as
estatísticas podem representar muito, mas
podem trazer um grande desfalque de
entendimento do assunto se interpretadas da
maneira equivocada. Ao contrário de roubar
um carro, baixar uma música pelo LimeWire
não te faz um criminoso.
É importante observar que o conceito de
pirataria defendido aqui neste artigo é o de
compartilhamento online. Não o “da
banquinha na esquina”. Os filmes e softwares
(“adquiridos” também pela internet) e
gravados em mídia para serem
comercializados a cinco reais no mercado

informal são, em sua maioria, convertidos
em investimentos que sustentam outras
atividades realmente ilícitas, como o tráfico
de drogas. Além do que, este é o dinheiro que
seria gasto comprando outro produto que
contribuiria de forma benéfica para a
economia através de impostos e as demais
legalidades.

Texto publicado no site dia 27 de janeiro
Pedro Farci escreve às sextas-feiras

Kim Schmitz, fundador do site
de compartilhamento online
Megaupload.
Foi preso como bode expiatório
do virtual prejuízo de 58 bilhões
de dólares.
Foto: Reprodução

15 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

ESPECIAL

PRENDA-ME SE FOR CAPAZ
As diferentes visões
sobre o
compartilhamento
de músicas via
internet

A gravadora Trama inovou e lançou TODO o
seu catálogo para download gratuito no site
da distribuidor. Nele há a possibilidade de
baixar os discos de artistas como Móveis
Coloniais de Acajú, CSS, Cachorro Grande e
muitos outros mediante um cadastro comum
(nome, email...) pelo qual o usuário ainda
recebe notícias das gravações de outros
artistas.
Outras gravadoras entretanto acabam não
conseguindo lidar tão bem assim com uma
mídia e participação em lucros mais
descentralizada, o exemplo fica à cargo de
Mallu Magalhães, vinda do My Space. No

Por Allan Assis
Agência Café

Em tempos de SOPA, PIPA e de fechamento do
site de compartilhamento online Megaploud
pelo FBI, fica a dúvida sobre o que os artistas
que tem seus discos, EPS e afins expostos na
internet pensam não só sobre a questão do
copyright, mas sobre a tecnologia como um
facilitador ou até sabotador de seus trabalhos
de modo geral. Segue aqui, uma lista de
opiniões de musicos que conseguem lidar com
os direitos autorais e de outros que não.
Metallica – Quem viu “A Rede Social” do
diretor David Fincher e estranhou Justin
Timberlake fazendo um nerd que expande os
negócios de Mark Zuckerberg já deve saber
um pouco sobre Sean Parker, co-fundador do
Napster, o primeiro site de compartilhamento
online da rede. Assim como Zuckerberg, Shaw
Fanning criou o site de um computador
comum em sua faculdade, disponibilizando
um espaço onde fãs podiam compartilhar
seus arquivos em MP3. A ideia durou até os
integrantes do Metallica descobrirem que
havia músicas suas que podiam ser baixadas
gratuitamente na internet. Os empresários
entraram à pedido da banda com um processo
contra o Napster, que teve de fechar seus
servidores.
Thom Yorke (Radiohead) – É de “In
Rainbows”, o titulo de primeiro disco baixado
à preço de escolha pelo cliente, os valores do
álbum do Radiohead variavam entre U$ 10, 00
e U$ 0,00. A ideia de Thom era justamente
mostrar que no fundo o que importava era a
divulgação da arte, além de colocar em voga
a discussão sobre qual o seu valor nos dias de
hoje. “In Rainbows” converteu uma nova leva
de fãs de internet que se tornaram fãs de
Radiohead também, fazendo com que as
músicas da banda fossem disseminadas à
pessoas que haviam se esquecido ou mesmo
não conheciam a banda que teve seu auge nos
anos 90.
16 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

redes sociais, o grande negócio da nova
década, para se beneficiar e mostrar suas
músicas. Com o advento do Pay with a tweet
e Pay with a facebook like em que o usuário só
precisa divulgar a fã page do artista e ganha o
download do disco na faixa. Entre os adéptos
estão o rapper Criolo e a banda Dorgas.

A internet tornou-se uma aliada natural de
músicos iniciantes. Postando músicas e
vídeos, é assim que conseguem conquistar
algum público. Com Gaby Amarantos não foi
diferente, sua música “Hoje eu tô solteira”
versão em technobrega para Single Ladies da
cantora Beyoncé ganhou milhares de acessos
no youtube e deu chance para que a artista
fizesse shows. Gaby atualmente grava seu
primeiro álbum “Treme” e já noticiou que
pretende vazá-lo para download gratuito em
entrevista à MTV. No primeiro clipe para o
single do mesmo disco, a cantora aparece
numa brincadeira com o começo de sua
carreira vendendo CDs e DVDs piratas, mas o
chamariz fica na tirada sarcástica no fim do
vídeo em que aparece o aviso: “A pirataria é
crime e pecado. Não transgrida a lei de
Deus.”

Emicida – O rapper que ganhou fama e
maturidade após se tornar figurinha
carimbada e repetida nas rinhas de MC em
São Paulo, notou que seu próximo passo era
gravar um disco, no entanto sem recursos ou
gravadoras em vista, criou seu próprio
estúdio dentro de casa, o “Laboratório
Fantasma”, e na hora da distribuição não
teve dúvidas: foi de loja em loja vendendo
sua mixtape à 2 reais, e EXIGINDO que as lojas
o revendessem à 5. A explicação do rapper
morador de favela é simples: se não for
barato, o povo não compra. Mesmo depois da
fama o sistema é o mesmo, o CD é vendido a
preços módicos na cidade de São Paulo e as
pessoas que moram em outros estados podem
encomendá-lo à 10 reais ou baixar
gratuitamente pelo site.
Muitos artistas tem utilizado também as

Os projetos de lei Sopa (Stop Online Piracy
Act) e (Pipa Protect IP Act) foram suspensos
por tempo indeterminado pelo congresso
americano. De qualquer forma subentendese que a caça às bruxas pelos direitos autorais
deve continuar (como sempre continuou) e
acabarão surgindo outras formas da
disseminação da ARTE via internet (como
sempre foi).

Texto publicado no site dia 5 de março
Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras

A discussão (polêmica) sobre copyrights finalmente chega ao Brasil. E agora, José?

Bom, senhores, para quem achava que SOPA,
PIPA e projetos afins que seriam votados lá na
‘gringa’ eram as maiores ameaças para com a
liberdade de compartilhamento na internet,
saibam que, como diz o populacho, “o
inimigo mora logo ao lado”. Aliás, mora bem
aqui. Segundo noticiou o jornal O Globo da
última quarta-feira (07/03), os responsáveis
pelo blog Caligraffiti foram notificados pelo
ECAD de que deveriam pagar ao órgão uma
quantia de R$352,59 mensais para continuar
com a permissão do compartilhamento de
vídeos de fontes como Youtube e Vimeo, que
contenham trilha sonora de terceiros; de
modo a “pagar os devidos direitos autorais
aos detentores dos mesmos”.

Primeiro, o que é o ECAD?
ECAD é a sigla de “Escritório Central de
Arrecadação e Distribuição”, e, além de ter
um site com péssima estruturação (com
direito a intro personalizada e com música
ligada no autoplay), é uma sociedade de
natureza privada e instituída por lei Federal
e mantida por Leis de Direitos autorais (vou
1º trimestre I 2012

Não é só de vendagem física, felizmente, que
sobrevive o mercado fonográfico. Hoje a
disseminação do pagamento online é cada
vez maior, mas em países que ainda não

foram agraciados por alternativas de venda
barata de músicas, ou que o receberam há
pouco tempo, como é o caso do Brasil com a
Apple Store, há as limitações com relação ao
catálogo de músicas, a reticência de alguns
artistas mais velhos em vender sua obras pela
internet ou mesmo a distribuição de
obscuridades que invariavelmente acabam se
perdendo com a mudança de mídias.

A POLÊMICA COM O ECAD

Na falta de um, ou dois, temos inúmeros
pontos discutíveis (e absurdos) na decisão
tomada pelo ECAD. Então, ao maior estilo
Jack, o Estripador (AKA Jack, The Ripper),
vamos analisar esse fuzuê.

Emicida em seu estúdio caseiro (Foto: Reprodução)

momento em que começou a receber
prospostas para o lançamento de suas
músicas em estúdio, Mallu escutou que teria
de abrir mão de uma parte do que ganharia
em shows, já que muitas de suas músicas já
haviam sido disponibilizadas na internet e,
como uma espécie de “moeda de troca” pela
gravadora gastar seus recursos sabendo que
não obteria retorno financeiro tão
satisfatório quanto antigamente. Resultado:
A cantora de então 16 anos decidiu continuar
independepende e só assinou contrato em
seu 2° disco, quando já havia se tornado um
sucesso iminente. A dúvida fica quando
pensamos em quantos músicos tomam a
mesma atitude que Mallu, mas não tem a
mesma sorte que ela, permanecendo
desconhecidos pelo grande público.

17 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

poupá-los dos números das leis). A sua
função, laconicamente, é recolher os valores
de direitos autorais de músicas (que tenham
seus direitos reservados) reproduzidas
publicamente e repassá-los da forma devida
aos seus detentores – os artistas.

Como funciona
Sites como Youtube e Vimeo que hospedam
vídeos que tem trilha sonora cujos direitos
pertencem ao autor da mesma são chamados
de transmissores. De acordo com Lei Federal
(poupá-los-ei do número da mesma, de
novo), “toda pessoa física ou jurídica que
utiliza músicas publicamente, inclusive
através de sites na Internet, deve efetuar o
recolhimento dos direitos autorais de
execução pública junto ao ECAD”. Youtube,
Google, Vimeo, Facebook e outros sítios que
terão, de forma quase que iminente, vídeos e
músicas com propriedade intelectual
compartilhados por seus usuários devem
pagar os valores devidos. Eles pagam, e não
pagam barato.

Porque a medida tomada é um absurdo
No caso que virou notícia, o blog Caligraffiti assim como todos os outros da blogosfera,
inclusive este ‘Café’ - atua como

retransmissor do conteúdo com propriedade
autoral disponível na rede. Seja um vídeo do
Youtube ou uma música do SoundCloud.
Como fora explícito no parágrafo acima, tais
sites que hospedam o conteúdo e atuam na
primeira fase da transmissão dos mesmos já
pagam os valores devidos. É completamente
sem sentido fazer esse tipo de cobrança em
retransmissores.
Como sempre, a gente explica:
Se existe uma única razão para os artistas e
empresários aceitarem um acordo com
Youtube’s da vida para que estes possam
reproduzir o conteúdo protegido por autoria,
é o potencial que a internet tem de divulgar
(às vezes de forma massiva) os conteúdos
disponíveis nestes sites sejam eles os virais
do ‘Sou Foda’ (dig din, dig din) ou a música do
PitBull. Nos primórdios do pioneiro site de
vídeos que é o YT, era proibido postar um
vídeo cuja trilha sonora não era de autoria do
próprio usuário. O próprio site proibia já que,
convenhamos, promoção do trabalho dos
outros de graça ninguém aqui quer fazer, né.
Após o número assustador de visitas ao site,
as próprias gravadoras passaram a entrar em
contato com o host de vídeos, para viabilizar
a postagem de vídeos com músicas. O acordo
selado entre YouTube, proprietários de
direitos autorais, o próprio ECAD (no Brasil) e
gravadoras garante as postagens de clipes
1º trimestre I 2012

ESPECIAL

e/ou vídeos com trilhas sonoras, mediante
pagamento dos direitos pelo ‘hospedeiro’
(que expressão horrível). Cuidado para não se
perder no raciocínio, então se atente ao fato
de que o valor pago pelo Youtube para
publicar esses vídeos é ínfimo perto do que é
ganho pelo mesmo através de patrocínios e
acessos.

(e que grandes lucros, hein?). Entretanto,
cobrar trezentos paus por mês de um blog de
caráter colaborativo, com o intuito exclusivo
da divulgação da arte e cultura (existem
poucos assim hoje em dia, viu) é o que
chamamos de covardia. E tudo isso por um
dinheiro que para os arrecadadores de
direitos autorais é absolutamente
insignificante.

EUREKA.
Vocês, leitores inteligentes, educados em
Harvard, já devem ter percebido a
incoerência aqui, não é? Mas eu vou explicar
do mesmo jeito, já que eu ainda não atingi o
número mínimo de caracteres instituído pelo
editor-chefe desta grandiosa online
magazine.

Mais uma perspectiva que pode ser feita caso
a medida seja seguida à risca (duvido e torço
para que não seja) é a de que com a censura –
sim, isso é censura – aos vídeos ‘embedados’
em blogs, a divulgação através do que
chamamos de mídia espontânea cairá ainda
mais, e afetará de forma mais do que direta
os proprietários de direitos autorais.

É perfeitamente compreensível o fato de que
o ECAD cobra os direitos de reprodução das
músicas de sites grandes, com fins lucrativos

No final da tarde do dia 9 de março, Marcelo
Leonardi, diretor de políticas públicas e
governamentais do Google soltou um

memorando em resposta às cobranças
realizadas pelo ECAD, aqui vai um trecho:
“O ECAD não pode cobrar por vídeos do
YouTube inseridos em sites de terceiros. Na
prática, esses sites não hospedam nem
transmitem qualquer conteúdo quando
associam um vídeo do YouTube em seu site e,
por isso, o ato de inserir vídeos oriundos do
YouTube não pode ser tratado como
“retransmissão”. Como esses sites não estão
executando nenhuma música, o ECAD não
pode, dentro da lei, coletar qualquer
pagamento sobre eles”.

Texto publicado no site dia 9 de março
Pedro Farci escreve às sextas-feiras

ARCTIC

De Sheffield para o mundo:
graças à internet

MONKEYS

Por Pedro Farci
Agência Café

Concurso

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18 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

19 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

ESPECIAL

O Ano era 2002 e o local
ficava nos arredores de
Sheffield, na Inglaterra. Dois
garotos de dezesseis anos
fanáticos por rock são
presenteados com guitarras,
Alexander David Turner e
Jamie Cook, além de
vizinhos, estudavam na
mesma escola e já eram
amigos de longa data,
relação construída a partir
de inúmeras tardes inteiras
ouvindo, admirando e
venerando discos de Led
Zeppelin e Queens of the
Stone Age. As guitarras, no
entanto, não eram nem de
perto a Gibson Les Paul e a
Gibson ES-335 usada por
ambos (respectivamente)
nos shows feitos como um
consagrado e inovador
grupo de rock 10 anos
depois.
A Jamie e Alex se juntaram
Andy Nicholson - que mesmo sabendo tocar
baixo havia menos de um ano, já era o mais
experiente do grupo - e Matt Helders, a quem,
literalmente, restou a bateria. Sem ter um
estilo definido, após covers frustrados de
“Payback” de James Brown e mais algumas
faixas de Soul, foi o estilo Indie que a banda
adotou. Jamie Cook se considerava um
fanático pelo ritmo que ascendia no início da
década através de bandas como The Strokes
e Oasis, além das raízes de The Smiths e
obviamente o Queens of the Stone Age.

A faixa I bet you look good on the dancefloor
foi topo das paradas Britânicas por meses e
meses consecutivos. O fato curioso, é que
meses antes da música estourar Alex
declarava em off que apesar de uma melodia
contagiante e um destaque gigante para a
bateria de Helders, a letra não o agradava
(apesar dele mesmo ter escrito) e ele
realmente não esperava que aquela fosse a
música que o carregasse ao sucesso.
No embalo do sonhado mainstream, é
lançado o EP Who the Fuck are the Arctic
Monkeys com cinco músicas ainda mais rock n
roll que as contidas no primeiro álbum. O
disco também marcou a introdução do novo
baixista, Nick O’Malley, substituindo Andy
Nicholson, que deixou a banda.

Em junho de 2003 os Arctic Monkeys se
apresentaram em público pela primeira vez,
numa casa pequena no centro de Sheffield.
Após uma série de apresentações no mesmo
ano, as letras das músicas ganhavam fãs da
região, que não se importavam com o fato da
banda não fazer parte do chamado
mainstream. O ritmo do rock de garagem
empolgava e, além de tudo, dava destaque
para o baterista Matt Helders com sua
precisão e agilidade.

De Sheffield para a Internet
Cinco meses depois, com a prática dos
instrumentos mais aperfeiçoada, a banda,
sob o nome de Bang Bang, estava em busca
de um vocalista. Até então, Glyn Jones
(também amigo de Alex e Jamie) improvisava
os vocais dos covers indie, já que Alex
afirmava não gostar da própria voz.
Alex Turner assumiu os microfones de forma
definitiva, além de sugerir o nome Arctic
Monkeys, que anos mais tarde seria adotado
pela banda. Apesar de ter um nome, um
vocalista e o ritmo definidos, faltavam
músicas. Discussões sem fim sobre quais
músicas tocar, quais covers seriam feitos,
uma vez que a banda não tinha composições
próprias.
(Na verdade eles tinham, mas não sabiam)
Há pouco tempo atrás Alex Turner deu
entrevistas, assumindo que escrevia letras
desde os 15 anos de idade, apesar de ter
mantido o fato em segredo durante muito
tempo, mesmo depois da criação da banda.
20 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Pouco a pouco as composições de Turner
tomavam o espaço dos covers na setlist do
grupo. Em 2004 eles decidiram gravar seu
primeiro disco demo. O Beneath the
Boardwalk continha 18 faixas e era vendido
no backstage ao final dos shows pelo preço de
3 Libras Esterlinas. À medida que os eventos
lotavam, mais discos eram vendidos ou
distribuídos. Quantidade insuficiente, no
entanto, para alcançar sucesso absoluto, mas
foi o próprio lançamento do álbum demo
proporcionou a ‘digitalização’ da música do
grupo, que teve suas músicas compartilhadas
por fãs em programas como Ares e Lime. A
banda se tornou um fenômeno na internet
quando um grupo de admiradores criou uma
página da banda no MySpace.com, e esse
talvez seja o fato que mais contribuiu para a
disseminação de suas músicas.

Da Internet para o Mundo
Finalmente, em Maio de 2005, o Arctic
Monkeys (sob o nome de Bang Bang) lança seu
primeiro EP. Five Minutes with Arctic Monkeys
tinha apenas duas faixas: Fake Tales of San

Francisco e From the Ritz to the Rubble.
A primeira faixa do curto EP chamou a
atenção da rádio BBC One, que passou a
executá-la com certa frequência.

Um ano e três meses após o disco de estreia,
o Favourite Worst Nightmare vem com
músicas no mesmo estilo acelerado pelos
resquícios do rock de garagem de I bet you
look good on the dancefloor e Still Take You
Home, além da introdução da influência New
Wave ao utilizar sintetizador em algumas
músicas. Brianstorm, Teddy Picker e
Fluorescent Adolescent perseguiam a todos
em todos os lugares. As três estiveram entre
as dez músicas mais tocadas no ano de 2007
na Inglaterra.

O sucesso fabuloso credenciou o grupo para
uma de suas mais memoráveis
apresentações, no palco principal de um dos
mais almejados festivais do mundo:
Glastonbury.
Apesar da clara evidência da manutenção de
influências antigas, já era notável àquela
altura a metamorfose ambulante que se
tornaria o estilo de música indie do Arctic
Monkeys. A faixa 505 (última do disco) traz
um som de órgão tocado por Alex Turner
acompanhado pela guitarra do amigo Miles
Kane, e introduz ao público o estilo do
terceiro álbum, Humbug, que mesmo assim
surpreendeu.

A fase do Humbug
O lançamento previsto do disco era para o
ano de 2008, mas segundo informações Alex
teve sua caderneta de letras e arranjos
roubada (ou perdida?) alguns meses antes do
início de sua produção, e isso, segundo o
próprio Alex, teve um efeito benéfico para o
novo disco. O resultado teve letras e ritmos
completamente novos, uma discrepância
gigante se comparados à “primeira versão”
composta, que obviamente jamais será
publicada. A ideologia já demonstrada em
505, entretanto, seria a mesma.

Milhares de fãs irritaram-se com o novo estilo
adotado pelo quarteto, com muito mais
cadência e letras ainda mais elaboradas,
assim como os arranjos.
Por mais curioso que possa parecer, o mesmo
disco que reverteu a opinião de inúmeros fãs
a respeito da banda fez com que a crítica
finalmente classificasse o Arctic Monkeys
como uma das grandes bandas da década.
O Humbug (produzido por James Ford, que a
propósito teve forte colaboração de Josh
Homme - guitarrista do Queens of the Stone
Age) traz um Alex Turner maduro, até então
no seu prime da afinação, respeitando as
pausas das músicas, além do visual com um
cabelo longo (dir.), que passava a impressão
clara de que sua fase imatura foi deixada
para trás junto com suas composições
simples.
Crying Lightning, Cornerstone e Pretty
Visitors são os retratos perfeitos da “nova
fase”. Com um tanto de obscuridade e
vocabulário complexo, o disco conquistou
(além da crítica) uma nova legião de fãs, que
posteriormente também se apaixonou pelos
trabalhos anteriores. Até mesmo o
“ranzinza” Noel Gallagher (Oasis) elogiou o
trabalho da banda.

No dia 23 de Janeiro de 2006 chega às lojas
um CD com capa que leva uma foto em preto
e branco de um sujeito fumando um cigarro.
Todas as trezentas e sessenta mil cópias
produzidas do Whatever People Say I Am,
That’s What I’m Not se esgotaram em apenas
uma semana. Tal marca ainda é o recorde
quando se trata de um álbum de estreia. Das
treze faixas do disco, nove integraram o
demo gravado em 2004 (algumas com outro
título).
As críticas vieram tão rápido quanto o
sucesso. Os especialistas britânicos
rechaçavam a falta de ritmo do vocalista de
cara infantil que usava um cabelo redondo e,
por suas palavras, “apenas falava com um
pouco de ritmo cantando tão bem quanto um
amador”. A falta de acordes mais criativos e
variados no decorrer dos sons irritava os
entendedores, que apontavam Matt Helders
como o único talento do grupo.
Ainda em 2006, o fotógrafo Mark Bull (que
também disponibilizara o Beneath the
Boardwalk para download em seu site)
registrou um show feito numa pequena casa
de show de Londres, de onde extraiu o vídeo
da performance de Fake Tales of San
Francisco e o transformou no primeiro
videoclipe oficial do grupo, com o
consentimento da gravadora Domino
Records.
Arctic Monkeys durante show realizado em Paris, no início de 2012 (Foto: Reprodução)

1º trimestre I 2012

21 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

1º trimestre I 2012

ESPECIAL

1

CAFÉ no
facebook
O Suck it and See
O topete adotado por Alex Turner para toda a
turnê do disco lançado em 2011 já anuncia: É
a hora de assumir o rock clássico. O Suck it
and See é a combinação perfeita de todos os
pontos positivos que consagraram o Arctic
Monkeys ao longo da carreira: letras
inteligentes (com um toque romântico digno
22 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

de Elvis Presley), ritmo cativante (que em
alguns momentos chega a ser completamente
dançante, como foi em Whatever People Say I
Am, That’s What I’m Not) e solos de guitarra
desenvolvidos de maneira inédita pelos
garotos de Sheffield.
A variedade de ritmos dentro do próprio CD é
imensa. Desde as mais carregadas como
Don’t sit down ‘cause I’ve moved your chair,

Brick by Brick e Library Pictures até as mais
leves e agradáveis como The Hellcat Spangled
Shalalala e She’s Thunderstorms. O disco
inclui o single Piledriver Waltz, lançado
anteriormente no EP solo de Alex Turner,
Submarine, trilha sonora de filme homônimo,
dirigido por Richard Ayoade (que também
dirigiu os videoclipes das músicas Fluorescent
Adolescent, Crying Lightning e Cornerstone).

1º trimestre I 2012

facebook.com/cafeeanalgesicos

CAFÉ MÚSICA

DAVID BOWIE ZIGGY STARDUST
Por Allan Assis
Agência Café

Sabe quando você está no bar
tomando uma cerveja e seus
amigos cabeçudos começam a
falar sobre alguns discos que
mudaram tudo? Mercado
fonográfico, temática das letras,
sonoridades e etc e você
simplesmente não sabe o quê
dizer por que nunca teve a
oportunidade de ouvi-los? Pois é,
seus problemas acabaram pois
chegou a tecpix... não. Uma vez
por mês o Café e Analgésicos te
trás um desses discos comentado:
o que mudou na musica depois
dele, que bandas influenciaram...
tudo. E claro, finalmente
convecê-lo do porquê ouvi-los.

24 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

São 11 faixas originais e
mais 5 bônus liberados na
reedição de 1990, entre
eles a provocante John
I’m Only Dancing, a
quase circense Velvet
Goldmine, a barulhenta
Sweet Head e as demos
para Lady e Ziggy
Stardust.

Five Years
A apocalíptica canção é
um anuncio do fim da
vida na Terra, se não
fosse tão boa poderia
até ser um discurso de
Bono Vox na ONU, com
u m t a n t o d e
esquizofrenia. A música
cresce aos poucos, de
início só com uma
bateria e piano para
terminar com tudo que
tem direito: coro,
violinos e gritos de choro
de Bowie.

David Bowie não vivia um
momento muito fácil de sua
carreira nos anos 70, tinha
lançado anteriormente 3 álbuns
experimentais e vinha sendo
pressionado por sua gravadora

Pois bem, com a perspectiva de um novo
sopro de criatividade para o rock, como não
se tornar obsoleto? Bowie pareceu descobrir
após assistir a uma apresentação dos New
York Dolls nos EUA, perfecionista como é, o
camaleão precisava de tempo pra criar todos
os aspectos de sua obra, a gravadora
entretanto, não estava com tanta paciência
assim, e queria que o album ficasse pronto
logo, assim, em 1971 sai o LP Hunky Dory, um
tapa buraco de luxo, genial por muitas de

trágico de Ziggy, que se
suicida no palco por
começar a achar tudo
apático e não conseguir
mais encontrar seu
caminho como artista.
Gimme your hands cause
you're wonderful
(wonderful), dá ideia de
um astro quase que
sendo arrebatado aos
céus acompanhado pelo
fim catártico da música.

Destaques

O primeiro album a ser
esquartejado em nossa discoteca
básica é um clássico conceitual de
1972: The Rise and Fall of Ziggy
Stardust and The Spiders from
Mars.

para que fizesse algo mais fácil do ponto de
vista comercial, a época também não
ajudava muito, pra quem não lembra o final
dos anos 60 e começo dos 70 foram marcados
pelo glam na Inglaterra e o hard rock no
underground dos EUA. Os Beatles estavam no
auge de sua falta de paciencia com seu
publico e surge, então, espaço para que
novas bandas apareçam com um rock mais
influenciado pelo funk, caso do Led Zeppelin.

e sforç a d a c om o é ,
Stefani Germanotta
estudou ostesivamente
a moda e a construção
de um alter ego que hoje
se confunde com quem
realmente é. Quase uma
extensão do trabalho de
David Bowie, Lady Gaga
é um Ziggy que não
voltou à seu planeta
natal. Isso sem falar em
Marylin Manson, The
Cure...

suas musicas, que viriam a se tornar classicas
posteriormente, mas que na época tinham a
função de calar a boca da gravadora, para
que Bowie pudesse se concentrar no seu
próximo disco.

Em junho de 1972, sai Rise and Fall, com um
Bowie de cabelo vermelho-alaranjado,
vestindo colan e recusando que o chamassem
pelo nome, pois agora era Ziggy Stardust um
rockstar alienígena e bissexual vindo de
marte que queria tocar na Terra antes de sua
destruição por falta de recursos naturais, dali
a 5 anos. É, viagem da porra. A criação de seu
alter ego se mostra impressionante satírica
durante a audição, Ziggy passa por todas as
fases pelas quais geralmente passa um
rockstar comum: o sucesso (Star), os excesso
com drogas e álcool (Ziggy Stardust), a
arrogância (Suffragette City) e o fim trágico
(Rock’n Roll Suicide).

Quem influenciou:
As influências para criação das roupas do
alter ego representavam muito do que se via
no glam rock inglês dos anos 70: a
androgenia. Entretanto Bowie trouxe um
novo ingrediente à fórmula feminina das
vestimentas, as ideias de como ele achava
que deveriam ser os figurinos de alguém que
mora em um planeta mais avançado
tecnologicamente.
Ziggy deixou um legado gigantesco ao
eletropop dos anos 80. Sim, sintetizadores,
mullets, ombreiras e claro, os visuais
futurísticos que influenciaram Eurymithics,
Metrô, o próprio Michael Jackson de Thriller
e tantos outros.
Lady Gaga – A criação de um personagem
exagerado e do esforço de um artista em
manter sua imagem irretocável e sem
brechas para sua arte durante 24 hrs por dia.
Devemos a Ziggy a existencia de Gaga,
1º trimestre I 2012

Soul Love – A segunda música traz esperança,
descrevendo o amor durante a juventude. É
marcada por camadas de baixo e um solo de
saxofone no meio que não soa brega, pois é
devidamente equilibrado com guitarras.

diferente de tudo que o cantor fez até então,
carregando influencias da soul music no
refrão gritado por backing vocals enquanto o
resto da música caminha numa morosidade
folk.

Moonage Daydream – Na faixa vemos a
inflência do rock progressivo no disco,
guitarras distorcidas que dão lugar ao SOLO
de um instrumento de sopro.

Lady Stardust – Há desavisados que
acreditam que Ziggy teria encontrado um
amor na Terra, no entanto Lady Stardust é
sobre o lado bissexual do próprio
personagem, não só no ponto de vista sexual,
mas quase uma confissão de seu lado mais
sensível. O piano choroso de saloon
acompanha a letra que pela primeira vez fala
da banda que acompanha o compositor no
disco: os Spiders. Banda que o ET forma em
sua chegada à Terra.

Starman – O primeiro single do album explica
como Ziggy se vê diante de suas andanças
pelas galáxias, ou numa realidade menos
viajandona como um astronauta deve se
sentir longe de casa, é nela que o
extraterrestre chega à Terra com a missão de
avisar que estamos fazendo merda. Com
influências de country rock em riffs que
lembram artistas como Johny Cash, a audição
valeria só por essa canção que mescla
referências de rock incrivelmente distintas,
mas que casam perfeitamente umas com as
outras. A música fez tanto sucessso que
ganhou uma versão em português da banda
Nenhum de Nós, que eu não recomendo.
IIt ain’t easy – O vocal estérico de Bowie que
quase se aproxima do de uma mulher tem a
missão de dar vida à única faixa do disco não
escrita por ele, e que destoa do disco por ser
25 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Hang On to yourself – Elvis Presley teria
ficado orgulhoso se escutasse Hang on, cheia
de baixos no estilo rockabilly e estilo de
cantar mais contido. É aqui que você nota
que The Rise and Fall é um album
extremamente democrático e até
inclassificável na diferenciação de
influencias: rockabilly, rock progressivo,
folk, country... o disco é acima de tudo rock,
em todos os bons sentidos que a palavra
inplica.
Rock’n Roll Suicide fecha o disco com o fim

O primeiro album
conceitual de Bowie e
seu primeiro alter ego,
carimbaram seu
passaporte aos EUA, que
antes só o via como mais
um cantor inglês
estranho e magricela.
Tornou-se o retrato de
como o artista viria a ser
chamado posteriormente: camaleão do rock,
por sua capacidade de mudar de acordo com
o que cada época e seu respectivo público
escutam, sendo sempre relevante.
Ziggy Stardust morre na última faixa do disco
Rock’n Roll Suicide e nos palcos em 1973
numa apresentação em Londres, por não
conseguir lidar com a fama e os problemas
com as drogas, abre assim as portas aos
outros personagens do cantor: Aladdin Sane,
com disco lançado ainda no mesmo ano e
Diamond Dogs de 1974, o do hit Rebel Rebel,
último com o cantor interpretando
personagens em discos. Mas sem Rise and
Fall, jamais conheceríamos nenhum destes,
ou entenderíamos o significado da palavra
reinvenção, ensinada pelo maior mestre
nessa arte.
“Porra com tanto disco clássico pro Cuba
resenhar, tem o Abbey Road, o Dark Side of
The Moon, o primeiro tem que ser logo do
David Bowie?” The Rise and Fall of Ziggy
Stardust and The Spiders from Mars completa
em junho 40 anos de seu lançamento, sem
cair no esquecimento e ainda influenciando
meio mundo na música, então pare de ler
essa maldita resenha e vá ouvir logo o disco.
Texto publicado no site dia 13 de fevereiro
Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras

1º trimestre I 2012

CAFÉ ENTREVISTA

MICHAEL KIWANUKA

eles.”

‘‘Chega uma hora
em que você aceita
quem realmente é‘‘
Por The Guardian
Tradução e adaptação: Agência Café

Os últimos tempos parecem ter sido preciosos
para Michael Kiwanuka. É uma tarde de
quinta, sem graça e fria como em todo
janeiro, o cantor folk de 25 anos de idade está
envolto em um casaco de lona e com ar de
distraído, sentado nas profundezas de um bar
em Londres. Amanhã ele receberá o "Sound of
2012" da BBC, um prêmio que visa identificar,
nos primeiros dias do novo ano, o artista
estreante mais significativo da música
britânica para o ano. Você poderia até dizer
que é apenas mais um prêmio, mas a ideia
com certeza desapareceria quando soubesse
que entre os ganhadores do prêmio em anos
anteriores estavam figuras como Keane,
Jessie J e Adele.
O “Sounds” é além de tudo uma grande ajuda
na promoção do disco Home Again, que será
lançado em março mas já ocupada o top 5 da
área de pré-vendas nos sites Amazon e Itunes.
Nesta quinta-feira lenta, Kiwanuka ainda
26 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

parecia não acreditar que em breve sentaria
no mesmo sofá que o fenômeno de vendas
Adele, e que teria um time de reporters para
entrevistá-lo. “Essas coisas me deixam muito
animado” o cantor diz sobre o prêmio da BBC,
tendo sido avisado com antecedência de que
havia ganho “Eu não vou mentir e dizer que
não me importo, não vou dizer que isso é só
um resultado do meu trabalho como artista.
Esse tipo de coisa vem acompanhado de
muitas outras, outras expectativas, o fato de
mais pessoas ouvirem sua música aumenta a
expectativa de encontrar mais pessoas que
não gostem dela.”
Kiwanuka é uma figura fácil de se admirar e
simpatizar, em sua primeira apresentação,
no programa de Jools Hollad, o cantor
surpreendeu a todos com uma performance
concentrada, calma e demonstrou uma voz
de baritono admirável para um jovem de
apenas 25 anos. Perguntei a ele se havia
algum tipo de truque secreto para ter uma
voz daquela, ele respondeu sorridente “Eu
simplesmente não consigo cantar de outra
forma. No início eu odiava ter essa voz, eu
tinha meus heróis e queria cantar como eles,
então eu pensava 'ok, eu não canto como
Marvin Gay, eu sou uma droga'. Mas uma hora
você acaba aceitando quem você é e que é
sempre melhor soar como você mesmo, isso
sim é legal.”
Músicas compostas nos três EP's publicados

por Kiwanuka soam como um encontro de Bill
Withers com o folk moderno de Laura
Marling, suas músicas ganham ainda mais
profundidade como groove da música de
Uganda, como sugere o produtor Paul Butler.
Os pais do cantor são ugandeses e se
mudaram para o Reino Unido nos anos
oitenta, antes dele ter nascido, e acabaram
se instalando em um bairro mulçumano da
periferia de Londres. Lembrando de sua
infância, Michael contou que ninguém havia
avisado para ele que era normal um garoto
negro gostar do que ele gostava. Cantores
como Crosby, Stills & Nash, nada disso tocava
no seu bairro, então Kiwanuka ficava quieto
quando lhe perguntavam sobre seus gostos.
“Eu ouvia músicas com guitarras fortes, eu
tocava guitarra, mas, não haviam muitos
garotos negros que tocavam naquela ela
época. Quando eu vi uma camiseta com o
Jimi Hendrix, eu pensei que ele era só mais
um cara tentando ser branco.”
A má interpretação sobre Hendrix foi desfeita
quando o Michael viu um documentário do
artista, e foi aí que o cantor começou a
procurar por outros guitarristas negros,
surgindo assim a paixão pelo folk e pelo soul.
“Richie Havens, Curtis Mayfield, Sly, e o
Family Stone, esses caras eram ótimos na
guitarra, eu não sabia muito bem o que eles
tocavam na época, soul, folk, para mim era
tudo a mesma coisa, eu só queria ser como
1º trimestre I 2012

A paixão de Michael pela música fez com que ele
largasse duas vezes a faculdade e começasse a
trabalhar com a única oportunidade da época:
guitarrista em gravações de R&B. “Quando
eu estava com esses caras [rappers, cantores de
R&B] eu tentava agir como eles, falar
como eles falavam – e continuava fingindo que
não gostava de caras como o Bob Dylan. Quando
eu voltava para casa, colocava os cd's que
gostava para tocar e perguntava a mim mesmo o
que estava fazendo da vida.”
Após uma discussão com o rapper Chipmunk, o
cantor decidiu sair dos projetos de R&B e
se aventurar pelos barzinhos da cidade, tocando
seu folk, ele conta com certa timidez sobre o
período. “Não que eu ache que todo mundo
tinha preconceito comigo, mas, eu tinha pouco
mais de 18 anos e era muito sensível a essas
coisas. Certa vez eu subi num ônibus com o meu
violão, um homem me ajudou a passar pela
catraca, ele me perguntou se aquilo era um
violão, eu confirmei, então ele disse : 'isso não é
aquilo que as crianças brancas tocam?' Essas
coisas acontecem, e naquela época eu sentia
necessidade de aprovação.”
As memórias desses sentimentos inspiraram a
composição do seu single que dá nome ao álbum
que será lançado em março: “Home Again é
sobre voltar para si mesmo e ser sincero consigo
mesmo”. A partir de 2009 a carreira de
Kiwanuka começou a tomar impulso e em
apenas dois anos já havia lançado três EP's e
viajado em turnê com a cantora Adele. “Eu a
acompanhei de perto e prestei atenção nos
detalhes, ela não fala muito sobre música, mas
dava para perceber que ela sabia exatamente o
que expressar, e é
27 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

Michael durante as gravações de Home Again

isso que é necessário quando se é tão talentoso
quanto ela é”.
Quando comparei as músicas de Adele com as
suas, disse que as músicas mais famosas da
cantora vinham de separações, perguntei se o
novo cd continha alguma canção do tipo, ele
respondeu um pouco envergonhado. “Não não,
eu nunca me apaixonei por alguém, e para fazer
uma música como ela [Adele] faz, você precisa
ter um forte sentimento por alguém, eu nunca
tive, sempre estive solteiro a maior parte do
tempo nessa minha curta vida”. Depois de uma
pequena pausa, ele brinca “Espero que isso
mude, existem tantas músicas boas sobre
separação, preciso escrever a minha.”
2012 amanheceu como um ano agitado para
Michael, ele será mundialmente famoso,
aproveitando o assunto da fama, perguntei para
ele o que ele faria se aquele fosse seu ultimo dia
no conforto do anonimato. Ele respondeu
rapidamente “Um bar, uma partida do Spurs
(Toteham, time de futebol de Londres) e uma
boa caneca de cerveja”. O sentimento pelo
futebol explica analogia com a qual termina a
nossa conversa.

QUEM É MICHAEL
KIWANUKA?
Cantor e instrumentista nascido em
Uganda e radicado no Reino Unido é a
grande aposta para 2012 dos críticos de
música. A música soul de Kiwanuka
mistura influências que vão de All
Green a Bob Dylan e apesar de
desconhecido do grande público, já
participou da banda de Adele em dois
festivais.
Lançou no mês de Março que passou seu
disco de estúdio ‘Home Again’.
Michael Kiwanuka foi apresentado aos
leitores do ‘Café’ em Janeiro de 2012 e
atraiu mais de mil leitores curiosos
pela música da sensação do Reino
Unido. A música agradou e foi muito
bem recebida.
Kiwanuka já é um xodó da redação do
Café e Analgésicos.

Para ouvir o single Home Again,
acesse:
bit.ly/escuteKiwanuka

“Se você treina para ser um jogador de futebol,
você não pensa em jogar na terceira de divisão.
Se alguém lhe da uma chance na liga principal
você vai agarra, certo? Se alguém pede para
você bater um pênalti no último minuto do final
da Copa do Mundo, você vai lá e cobra, mesmo
sabendo que pode errar. Você vai querer tentar,
e é assim que eu vejo tudo isso, pode ser um
desastre, eu não acho que será, mas pode ser.
Mas eu não vou desistir de tudo isso por causa
dos riscos, não vou mesmo”.
1º trimestre I 2012

CAFÉ MÚSICA

BLACK KEYS

A BRASILIDADE DE MALLU
A metamorfose de Mallu Magalhães se destaca no disco Pitanga, lançado em 2011

NO TOPO DO ROCK
Little Black Submarines – começa lenta e
constrói aos poucos um ar country-rock, seja
pelo violão que inicia a música ou pela
bateria que te leva pra algum lugar onde
Johnny Cash já encheu a cara. O ritmo
previsível e calmo da música vai se
arrastando e levando a crer que esta será
curta quando o ouvinte leva um verdadeiro
soco no estômago no minuto 02:06 com o solo
de Dan Auerbach.
Escrita sem dúvida alguma pra uma Michele
Rodrigues do mundo”Run Right Back” é um
dos melhores momentos do disco em que
Auerbach se dá ao desplante de meter um
solo de guitarra(é, mais um) no refrão
chiclete. Essa tem cara de single desde o
início e aliás bem que podia ganhar um clipe
bem no estilo Grindhouse.

Por Allan Assis
Agência Café

Conversando com meu chefe em meio a
cervejas pretas e xingamentos fraternais, ele
comentou o quanto todas as bandas
ultimamente soavam como o Arctic Monkeys,
o modo como o indie tomou conta da música e
de toda a criatividade que pudesse surgir na
cabeça dos músicos. Entretanto de tempos
em tempos surgem bandas que servirão de
referencia pra tudo que é feito nos próximos
anos, os já citados e imitados Arctic Monkeys
e claro, o Nirvana (nunca desperdice uma
referencia como o Nirvana em ano de
aniversário do “Nevermind”) felizmente ao
ouvir “El Camino”(2011) percebe-se
claramente uma ruptura nos discos “mais do
mesmo” e o aparecimento de algo que não
soa “antigo” como o indie, algo que aponta
pro novo, sem abandonar referencias antigas
como o blues e o rock dos anos 60 e 70.

O primeiro segundo do disco é de um riff de
guitarra que logo evolui pra uma frase inteira
e a bateria, agora, controlada de Patrick
Carney aparece de vez em quando lembrando
que a musica tem uma estrutura – Lonely Boy,
28 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

primeiro single do álbum surgiu com um clipe
viral na internet de um cara dançando
enquanto o pedal da guitarra grita, e ao final
da música você percebe que se não tiver
auto-controle suficiente acabará dançando
também.
O disco produzido pelo agora hype Danger
Mouse que já havia colaborado em trabalhos
anteriores da dupla se mostra simples,
geralmente guitarra e bateria pontuado por
baixos e gaitas em algumas faixas. Um disco
pra se ouvir no último volume e de
intensidade marcante conferida pela
infinidade de solos de guitarra. “Dead and
gone”, tem o primeiro deles que cresce junto
com a canção dá o tom do resto do disco.
Desataques:
Gold on the celling - Surge como uma prima
próxima de “Howling’ for you”(Brothers 2010) lembrando que as referencias dos
discos anteriores continuam todas ali,
conversando também com os novos formatos
como os backing vocals emprestados das
canções jazzistas.

Sister – entra com um baixo que
imediatamente nos remete a Michael Jackson
e sua “Billie Jean” que assim como a referida
irmã dos texanos acaba sozinha e com
problemas, talvez seja loucura minha, mas a
história da garota problemática que é
encorajada por todos à autodestruição soa
familiar quando lembramos de Amy
Winehouse, que infelizmente nunca pôde
emprestar sua voz as canções simples do duo.
Nova Baby – Outro dos melhores momentos do
disco surpreende o ouvinte na entrada do
refrão quando entra um teclado enquanto
Dan canta “...All your enemies. Smile when
you fall...”, pra mostrar um groove novo nos
ingredientes da banda.
No geral “El Camino” é um disco que não
poderia ter sido feito por outra banda e que
revisita tudo de bom que já se ouviu no rock
em outras épocas. Mostra que não é preciso
uma mega banda pra construir musicas
sólidas, guitarra e bateria bastam, lição que
eles talvez tenham aprendido de uma outra
dupla (White Stripes: 1997 - 2011) ou não.

Texto publicado no site dia 15 de janeiro
Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras
1º trimestre I 2012

Por Allan Assis
Agência Café

Dezesseis anos, um violão à tiracolo,
desenhos do Bob Dylan espalhados pelo chão
e tinta guache nos olhos. Mallu Magalhães
aparecia sentada no chão de seu quarto
fazendo covers de folk para seu My Space. O
conhecimento musical da cantora sobre a
carreira de Dylan e Johnny Cash espantava à
medida que a garota tímida dissertava sobre
o quanto seu gosto musical destoava dos
colegas de sua idade, ouvintes do pop
radiofônico. A cantora dividiu opiniões,
inclusive a minha devo dizer, quando surgiu
cantando suas composições que mostravam
certas afetações em sua voz e ares distraídos
enquanto as interpretava. Pois bem, as
influências folk não se foram no terceiro
trabalho de estúdio de Mallu, mas também
surgem aqui temperos bem brasileiros a
começar pelo próprio nome do disco:
Pitanga, que reforça a ideia de que talvez a
mudança de ares da cantora, que em 2011 se
mudou para o Rio de Janeiro, tenha reflexos
no trabalho.
Destaques:
Velha e Louca – O primeiro single do disco
mostra uma cantora mais rockeira com
levadas de guitarra que evidenciam sua
admiração por Rita Lee, ainda assim, se ouve
um violão mais calmo dedilhando ao fundo, o
que ajuda a montar um quadro agradável,
que não cai no absurdo de colocar a
intérprete fazendo algo que não soe como
ela. O clipe da música também vale o play
pelo susto que temos ao observar que a
cantora nerd introvertida se transformou em
29 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br

cool sexy. O vídeo estreou primeiramente em
algumas salas de cinema e e era exibido antes
do filme "As aventuras de Tintim: O segredo
de Licorne". Simples e bonito traz Mallu e
seus músicos tocando no alto de um prédio
paulista.
Cena – A música que era conhecida como
“Coração Vulcânico” antes do lançamento
oficial do disco tem o violão sempre calmo e
bem tocado de Marcelo Camelo, também
produtor do álbum. A interferência de
Camelo fica a cargo de alguns arranjos que
foram previamente aceitos por Mallu. Nesta
faixa, por exemplo, o marido da cantora
disse que a musica soaria muito brega, por
causa da letra, (que é um apelo de uma
mulher que quase implora por uma segunda
chance) e arranjos escolhidos, o aviso foi
sumariamente ignorado e a música ainda soa
brega, mas de um jeito bom.
Sambinha Bom – É um samba (!) embalado por
uma percussão e letra interessantes: “Eu? Eu
quero me bordar em você. Quero virar sua
pele. Quero fazer uma capa. Quero tirar sua
roupa”. Surpreendeu a crítica por ser a mais
diferente do disco e de todo o repertorio da
cantora, entretanto a música depois de
algumas audições assume um caráter meloso
que só os extremamente apaixonados
continuam a gostar.
Em Youhuhu
você se recorda de onde
conhece a cantora das levadas folk de violão
e letras em inglês, até que Mallu solta mais
um “moreno” (palavra recorrente no disco) e
aparece um som de água correndo num
moinho no meio da música; e é aqui que surge
a essência de Pitanga, mostrar que

influencias recorrentes podem se unir muito
bem à ideias novas.
Por que você faz assim comigo – A mais bela
do disco, é lenta e reflexiva. Surgem
trompetes desses que só Camelo sabe colocar
sem que pareçam elementos estranhos à
musica. “Talvez eu deva ser forte, pedir ao
mar por mais sorte e aprender a navegar” é
um dos melhores versos colocados em uma
música há muito tempo, o mérito é da própria
dona do disco, sorte dos ouvintes, já que o
campo das letras no Brasil andava meio
parado, chegando a fazer vergonha às bandas
instrumentais, cada vez melhores, vide Pata
de Elefante, Bixiga 70 e etc.
Cais – A música que fecha o disco é quase
instrumental, tem barulho de sinos, um piano
nostálgico e é marcado por balbucias da
cantora, que só solta a letra no final da
musica, a delicada canção é como uma
recordação de alguém que aportou em um
cais há muito tempo por amor, mas agora se
sente perdido.
O disco inteiro transborda bons momentos
por pelo menos alguns instantes nas outras
canções. Mallu abandona seus cacoetes
irritantes do início de sua carreira e descobre
seu potencial como cantora, que apesar de
não possuir uma voz límpida como a de outras
da “MPB”, parece ter muito mais
criatividade. O álbum corre fácil em músicas
curtas, e dificilmente cansa o ouvinte, que
desfaz de vez a imagem que tinha da
adolescente aprendendo a fazer música.
Texto publicado no site dia 20 de fevereiro
Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras
1º trimestre I 2012

CAFÉ MÚSICA

CONHEÇA MÚSICA
Sessão semanal no ‘Café’ que traz as novidades do mundo
da música, que, por ironia ou não, só são reconhecidos
graças à internet

CITY AND COLOUR

Café na cozinha.
Café no trabalho.
Café no banheiro.
Café em qualquer lugar,
em tempo real.

Os que já conhecem a banda Alexisonfire estão cientes do talento do vocalista Dallas Green, que
antes mesmo da formação da banda de hard-rock já compunha músicas solo. Pois bem, o City and
Colour (uma brincadeira com o nome do artista, que é composto por uma cidade e uma cor)
deixou de ser um projeto alternativo do canadense para ser o foco principal de sua carreira.
Com 31 anos e 5 albuns lançados, o cantor começa a ter notoriedade após ter ganho por dois anos
seguidos o Juno Awards, a maior premiação da música canadense e os rumores de uma turnê
sulamericana em 2012 já se espalham.

YUCK
O Yuck é uma banda inglesa, entretanto se você pensou nas bandas indie da cena, já desgastada,
das terras da rainha pensou errado. O quinteto formado por gente de várias partes do mundo:
Londres, New Jersey, Escócia e até de Hyroshima não é um cover de Arctic Monkeys, nem um
deprimente grupo de pessoas fazendo “world music”. As inflências do Yuck são americanas, de
uma década bem precisa, os anos 90.
Se um desavisado qualquer escutasse o homônimo albúm de estréia, provavelmente daria o
crédito pelas boas canções ao Sonic Yuth, Dinossaur Jr., Smashing Pumpkins... ou a todos eles.
Canções sujas, melodias bem construídas e letras sobre desilusões amorosas. A crítica apesar de
chamar “Yuck”, o referido albúm, de “um dos, se não O MELHOR, albúm de 2011”, não tem
certeza de como lidar com uma banda que fez sua fama soando como bandas já existentes.

RAPHAEL SAADIQ
Guitarrista desde os seis anos de idade e marcado por tragédias familiares que não interferem sua
música, Raphael Saadiq é produtor de diversos artistas de R&B e soul que vão de Erikah Badu e
Joss Stone à gigantes como Mary J. Blige e Stevie Wonder, ganhador de grammys e com cinco
discos de estúdio lançados.
Estreante nos palcos como backing vocal numa turnê do Prince, o cantor e compositor de 45 anos
voltou ano passado com Stone Rollin disco aclamado pela crítica que lhe rendeu mais uma
indicação ao Grammy Awards pelo single Good Man.

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1º trimestre I 2012

WEB STUFF

CAFÉ LISTAS

5 ADAPTAÇÕES DOS QUADRINHOS
QUE FOGEM DO ÓBVIO
2012, além de ser o ano em que todos nós iremos para o lugar de onde nunca deveríamos ter saído, também será um ano de estréia de grandes
adaptações do quadrinho para o cinema. Citando alguns exemplos, temos a finalização da trilogia Batman, a estréia do reboot de Homem Aranha
e a tão esperada estréia dos Vingadores (que será um lixo), e como a gente do Café e Analgésicos adora fazer lista de coisas para vocês
discodarem e falarem que o blog já não é aquele Café moleque, feito por amor a camisa e com pé descalço, aqui vai uma lista com as 5 melhores
adaptações de quadrinho para o cinema que não conta com nenhum blockbuster do tipo Homem de Ferro, Batman, Homem Aranha ou X-Men.
A intenção aqui é fugir do óbvio, apresentar filmes bons mas poucos conhecidos, até porque, de uma maneira ou de outra você irá ficar sabendo
dos grandes blockbusters, apresentá-los aqui seria um serviço inútil.
Então, vamos nós ao lado mais "alternate" das adaptações de HQ!

A Liga Extraordinária
Adaptação dos quadrinhos criados por Alan Moore, a Liga Extraordinária se passa na Inglaterra do período
vitoriano e tem como plot principal a investigação sobre dois crimes internacionais : o roubo das plantas
de Veneza e o sequestro de diversos cientistas alemães. Para investigar os crimes, uma equipe composta
com vários personagens da literatura americana e inglesa é reunida, o time é composto por figuras como
Tom Sawyer, Capitão Nemo e Allan Quartermain.

Scott Pilgrim vs. o Mundo
A melhor adaptação de todas segundo o Instituto do Café, Scott Pilgrim conta a história do personagem
que dá nome ao filme (e ao quadrinho) : Um nerd com problemas em manter relacionamentos, viciado
em cultura pop e guitarrista de uma banda de garagem. A vida de Scott começa a mudar quando ele se
apaixona por uma garota misteriosa e descobre que ela tem 7 ex-namorados malignos (e que terá que
derrotá-los em batalhas até a morte....)
O filme é cheio de referências a cultura pop, grande indicação para os viciados em informação, como
você.

V de Vingança
O filme do Anonymous. Mentira, o filme V de Vingança é uma adaptação de uma revista em quadrinhos
criada - mais uma vez - por Allan Moore com o mesmo nome. Em V de Vingança, somos apresentados a
uma Londres futurista, em que uma grande ditadura censura e controla a maioria das atividades dos
cidadãos, em meio a esse cenário ditatorial, "V" um vigilante mascarado surge com ataques às principais
instituições da cidade, incitando a população a uma revolução.

Old Boy
Old Boy é o filme que destoa de todas a outras adaptações de quadrinhos feitas até hoje. Primeiro fato
que ele é uma adaptação séria de mangá (o que sabemos, é bem raro de acontecer) e segundo porque a
história não é sobre um herói ou sobre a superação de um mocinho, Old Boy é um filme tenso. O plot do
filme se baseia na vida de Oh Dae Su, o jovem é sequestrado e mantido em carcere por 15 anos, quando é
subitamente solto. Quando Dae volta a realidade, vê seu nome como principal suspeito de um homicídio
cometido na época de seu rapto, e agora tem como missão descobrir quem o sequestrou e porquê está
sendo acusado de um crime que não cometeu.

Anti-Herói Americano
Mais uma adaptação de quadrinho que foge do padrão "herói vs vilão", a história do Anti Herói Americano
é uma biografia em quadrinhos que foi adaptada para o cinema. O biografado em questão é Harvey
Pekar, um arquivista que já casou três vezes e tem uma visão extremamente pessimista. Pekar decide
criar uma biografia e conta com a ajuda do cartunista Robert Crumb para realizar o projeto, na
construção da sua história de vida, Pekar nos apresenta uma viagem introspectiva, com os motivos e
frustrações que o levaram a ser tão descrente da vida.

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