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2012 . April . 4

Protótipo Revista Café 1o trimestre

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Ano 1 1ª Edição 01 revista café A polêmica que dominou o início de 2012 COMPARTILHAMENTO ONLINE ARCTIC MONKEYS MÚSICA Conheça a história da banda de Sheffield O Black Keys no topo do rock MICHAEL KIWANUKA Entrevista concedida ao The Guardian conta tudo sobre a revelação da Soul Music COMPORTAMENTO Criticar o Big Brother Brasil te torna mais culto? O glamour e os transtornos David Bowie Ziggy Stardust E MAIS! REVISTA CAFÉ REVISTA CAFÉ CARTA AO Editor-Chefe Evandro Cruz DIFICULDADE E PRESUNÇÃO As questões que regem a nova fase do ‘Café’ D questão que sempre ocupou nossas mentes é o significado que esse blog/revista tem na vida todas as pessoas que participam, leitores, editores e os eventuais broders que escrevem conosco. É uma pergunta difícil e presunçosa, difícil porque é sempre um grande trabalho pensar o que algo é para outras pessoas (muitas vezes não sabemos o que significa para nós mesmos) e presunçosa porque é uma baita arrogância achar que o nosso Café significa mais do que uma mera publicação de conteúdo. Mas a gente nunca deixou de ser presunçoso. E é essa presunção que nos impulsiona a escrever mais a cada dia, e escrever melhor. Nós nunca tivemos a intenção de ser uma "mera publicação de conteúdo. O objetivo do Café e Analgésicos é se tornar uma parte importante na vida de nossos leitores, gerar discussões, apresentar novas culturas e pontos de vista, e para isso, nós temos que ser presunçosos, ou pelo menos arrogantes o suficiente para não ligar para as críticas usuais que este campo tão rico e tão imaturo que é internet costuma fazer a projetos novos. É com essa presunção que ignoramos as sempre venenosas perguntas do tipo "quem são vocês para dizer isso?" ou as declarações de arcaico recalque como "vocês são muito novos para isso." ESPECIAL COMPARTILHAMENTO ONLINE Editor de música Allan Assis Os Editores 12 p Contato cafeeanalgesicos@gmail.com www.cafeeanalgesicos.com.br No ano que precede o próximo Fim do Mundo um novo tipo de guerra teve início, a batalha entre a grande indústria fonografica tradicional e as redes independentes de compartilhamento online movimentou o primeiro trismestre de 2012. WEB STUFF Todos os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da revista. A reprodução total ou parcial dos mesmos é autorizada, mediante apresentação de créditos. Todas as imagens reproduzidas são de propriedade de seus autores. Na primeira edição da Revista Café você irá encontrar a seleção do que pensamos ser os melhores textos deste primeiro trimestre de vida nova do Café e Analgésicos, a diagramação impecável do nosso editor Pedro, o bom gosto de Cuba e outras matérias de nosso time, como o grande sucesso da Daniela Amadeu e as listas que são os resultados de todas as influências que nos cercam. Mas além de tudo, você irá encontrar uma grande amizade e talvez essa seja a definição que mais se aproxima de algum significado real do que é o Café e Analgésicos: uma grande amizade, é como a gente se sente quando escreve e esperamos que você sinta o mesmo quando nos leia. Sem mais delongas, nós do Café e Analgésicos orgulhosamente apresentamos a primeira edição da Revista Café, aproveitem! revista CAPA Co-Editor/Arte Pedro Farci Ignoramos tais tipos de declaração por um motivo muito simples: não precisamos respondê-las, o Café nunca "será alguém" porque ele é todo mundo ao mesmo tempo, leitores, editores e autores constroem a identidade e o conteúdo a cada dia, a cada comentário, a cada post. E depois, nós não somos muito novos, também não somos muito velhos, em nossa missão de interpretar o passado e antecipar o futuro acabamos por nos perder um pouco do presente, as vezes parece que nós escrevemos isso há anos e em outros dias, parece que tudo começou ontem. 02 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br café CAFÉ ANALGÉSICOS LEITOR ESDE O PRIMEIRO POST PUBLICADO NO NOVO FORMATO DO CAFÉ E ANALGÉSICOS a 01 ADAPTAÇÕES DE LIVROS PARA O CINEMA p 04 As adaptações de livros para as telas são uma constante na história do cinema e foi responsável por confeccionar grandes obras cinematográficas até os dias atuais. ADAPTAÇÕES DOS QUADRINHOS QUE FOGEM DO ÓBVIO p 33 2012 será um ano de estréia de grandes adaptações do quadrinho para o cinema. COMPORTAMENTO 06 p 09 p entretenimento música cultura crítica 1º trimestre I 2012 POR QUE TRABALHAMOS TANTO? SER ‘CULTO’ E CRITICAR O BBB MÚSICA 24 p 28 p p 26 ENTREVISTA COM MICHAEL KIWANUKA GERAL [04] WEB STUFF [24] MÚSICA [06] COMPORTAMENTO [30] CONHEÇA MÚSICA [12] ESPECIAL [32] WEB STUFF DAVID BOWIE ZIGGY STARDUST O BLACK KEYS NO TOPO DO ROCK 03 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 CAFÉ LISTAS 10 ADAPTAÇÕES DE LIVROS PARA O CINEMA QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR Além do jargão convencional de que ‘‘a vida imita a arte’’ podemos dizer que a própria arte imita a si mesma. As adaptações de livros para as telas são uma constante na história do cinema e foi responsável por confeccionar grandes obras cinematográficas até os dias atuais. Trilogia Poderoso Chefão Blade Runner O longa que para muitos é o melhor filme de todos os tempos vem da adaptação da obra de Mario Puzzo pelas mãos do diretor Francis Ford Coppola. Marlon Brando e Al Pacino dividem tela em atuações que beiram a perfeição, sendo envoltos por uma produção impecável e um enredo muito bem trabalhado, que formam apenas alguns motivos da crescente adoração que este filme suscita em seus fãs. O grande marco no cinema de ficção cientifica é fruto de uma adaptação do livro Será "Ciborgues Sonham com Ovelhas Elétricas?" de Philip K. Dick. O filme estrelado por Harrison Ford, além de ser profundamente filosófico, com um roteiro profundo e digno de se assistir repetidas vezes, também foi o ultimo longa de ficção filmado sem nenhum recurso de computador. Sim, todos os carros voadores, cidades gigantes e outras efeitos apresentados são feitos à mão, o que só aumenta a admiração sobre a obra. O Iluminado Trilogia O Senhor dos Anéis Levante a mão aquele que declara não ter medo deste filme e então nós teremos um mentiroso. O Iluminado é assustador, e talvez um dos poucos filmes que mereçam este adjetivo, ainda mais nos tempos de hoje com filmes de terror que beiram o ridículo. A adaptação do livro de Stephen King foi feita pelas mãos do lendário Stanley Kubrick (que só faz adaptações e por isso só vai aparecer uma vez nessa lista) e estrelada por Jack Nicholson. Com uma produção impecável, a Saga do Um Anel ganhou tantos Oscars que foi preciso uma van para transportar as estatuetas. A adaptação de Peter Jackson para a jornada de Tolkien ganhou fãs por todo o planeta e volta este ano com a produção do prólogo Hobbit. Harry Potter A Lista de Schindler Talvez a combinação mais eficaz entre sucesso comercial e qualidade cinematográfica encontrada nos dias de hoje. Os 8 filmes baseados nos 7 de J.K. Rowling conseguiu fazer centenas milhões em bilheterias e propaganda, além de aumentar exponencialmente a legião de fãs e revelar para o cinema bons talentos como Daniel Radcliffe e Emma Watson. Na época em que todos achavam que Steven Spielberg seria apenas mais um cineasta industrial para gerar dinheiro em bilheteria, nos é entregue uma das grandes histórias do cinema. A Lista de Schindler é uma adaptação do romance homônimo de Thomas Kennealy e tem no papel principal o ator Liam Neeson como Oskar Schindler, homem responsável por salvar a vida de 1200 judeus na Alemanha nazista. Um Sonho de Liberdade O Sliêncio dos Inocentes Os mais desavisados podem não saber, mas Um Sonho de Liberdade, o filme estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman, que é um grande elogio a esperança e a superação também é uma adaptação de um livro de Stephen King. Sim! O autor americano não faz apenas filmes sobre monstros e psicopatas, e a obra adaptada por Frank Darabont surpreender por nos apresentar um King sensível e humano. Nos tempos em que os serial killers realmente colocavam medo em alguém, o livro de Thomas Harris fora adaptado pelo diretor Jonathan Demme para criar um verdadeiro icone do cinema mundial. O doutor Hannibal Lecter é uma das figuras eternas da sétima arte e ainda hoje amedronta marmanjos que se arriscam a re-assistir a fita dos anos 90. Clube da Luta Casablanca Chuck Palahniuk foi o autor do livro que originou uma das ultimas revoluções no cinema americano das quais se tem notícia. Com a direção de David Fincher e elenco com núcleo centrado em Eduard Northon, Brad Pitt e Hellena Borran-Carter, o filme de 1999 é um dos grandes marcos cinematográficos da nossa geração, gerando discussões até hoje sobre qual seria a grande mensagem final do filme. 04 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 Outro que também figura diversas listas de melhor filme de todos tempos, Casablanca é um épico dirigido por Michael Curtiz e baseado no livro de Murray Burnett e Joan Allison. O longa relata a história de pessoas que tentavam fugir da europa durante a ocupação nazista, e suas consequências, a obra é até hoje lembrada pelas atuações excepcionais de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. 05 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 CAFÉ OPINIÃO CAFÉ OPINIÃO POR QUE TRABALHAMOS TANTO? SEUS ASSUNTOS TE TORNAM INSUPORTÁVEL? Por Pedro Farci Agência Café Por Evandro Cruz Agência Café É uma questão que a primeira vista parece óbvia: a gente trabalha muito porque é assim que as coisas são, o trabalho faz o mundo se movimentar, produz coisas e da sentido às nossas vidas. Todas as respostas seriam compreensíveis se a pergunta fosse direcionada ao trabalho em si, mas o que eu quero discutir aqui é o porquê de nós trabalharmos tanto. Contrariando a máxima de que o Brasil é uma terra de vagabundos, a jornada semanal do trabalhador brasileiro é uma das maiores na média mundial com pouco mais de 44 horas semanais de serviços prestados em troca de algum tipo de remuneração. Essa carga de trabalho é absurda e desnecessária. A jornada de trabalho tão extensiva que estamos habituados causa uma série de malefícios que afetam desde o individuo em si, até aspectos mais globais como o meio ambiente e a economia. Sim, trabalhar demais prejudica a economia de um país. Pela perspectiva individual, uma jornada de trabalho extremamente intensa pode causar uma série de problemas fisiológicos como lesões por repetição, altos índices de stress, além de uma gama de problemas cardíacos e respiratórios, devido a grande poluição 06 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br gerada nas cidades (que também é culpa do excesso de trabalho, como veremos adiante). Mas além da saúde, e ouso dizer que seja até mais importante, o excesso de horas trabalhadas priva o ser humano de trabalhar o lado cultural e emocional, hoje um pai de família tem pouquíssimo tempo para passar com seus entes queridos ou praticar alguma atividade de lazer, tornando sua qualidade de vida bem pior. O dano ambiental do excesso de trabalho não está localizado nas indústrias, obviamente, elas são fundamentais para o funcionamento do país e os gases gerados são um efeito colateral um tanto quanto esperado. O vilão aqui é a quantidade gigantesca de carros que ocupam as grandes cidades, emitindo gases poluentes, esses carros são obrigados a se movimentar devido ao ritmo incessante da nossa jornada de trabalho, e se nosso país quer realmente se tornar uma potência mundial, políticas ambientais devem ser tratadas como uma das prioridades. E por final, a jornada de trabalho muito extensa prejudica a economia por dois motivos muito simples: desvaloriza a hora de trabalho e gera desemprego. Quanto mais extenso o tempo que alguém permanece no trabalho, mais esse tempo se torna desvalorizado. Em um cálculo simples: se você recebe R$5,00 por hora e trabalha oito horas por dia, provavelmente você poderia fazer a mesma atividade em 4 horas e receber os mesmos R$10,00. Essa diminuição de carga horária abriria mais espaço no mercado de trabalho, diminuindo o índice de desemprego. Quem trabalha ou já trabalhou em regimes fechados de trabalho sabe, sua hora de trabalho é desvalorizada e o seu trabalho dificilmente demanda o tempo que é acertado em contrato, tempo esse que muitas vezes é gasto em procastinação ou na execução de tarefas que parecem sem sentido. Em alguns países como a Holanda a solução tomada foi simples: a redução da jornada de trabalho para 7 horas por dia, em cinco dias da semana, o país se destaca pela sua valorização cultural e preservação do meio ambiente. Será que trabalhamos tudo aquilo que seja necessário? A questão volta: Por que nós trabalhamos tanto? Agora sim, depois do carnaval ninguém mais tem motivo pra ficar de preguiça e procrastinar todos os pedidos do chefe e muito menos ficar à toa no Facebook compartilhando aquelas imagens com setas e esse tipo de coisa inútil. As aulas nas faculdades começaram pra valer (se a sua não começou ainda você é um tremendo de um sortudo) e tudo vai tomando seu rumo normal, longe das aclamadas e famigeradas micaretas regadas a cachaça, animação e saliva alheia. Normalmente, é nessa época do ano, já em aulas e com o trabalho “a toda”, que as relações interpessoais entram mais em evidência se comparamos esse período com as férias ou com a época que os procrastinadores chamam de inútil, situada entre o ano novo e o carnaval (eu discordo completamente, mas “a voz do povo é a voz de Deus”). Relações interpessoais, como vocês devem saber, resultam em interações, que resultam em conversas. Simples. Existem conversas desagradáveis, existem conversas edificantes, conversas motivadoras; enfim, todo tipo de assunto pode ser tratado entre duas pessoas (ou mais). Mas então, os assuntos que você costuma tratar são realmente interessantes? Em tempos de Oscar, BBB, novela e futebol como assuntos em evidência na nossa sociedade (tendo em vista que a acessibilidade a estes está cada vez mais fácil), mesmo fazendo uma triagem de temas de conversas do cotidiano, é cada vez mais complicado selecionar algo que nos acrescente experiências interessantes. Refletindo um pouco, a relação de tópicos do início deste parágrafo terceiro é o que de ‘menos pior’ temos hoje em dia. Explico. Texto publicado no site em 29 de fevereiro Evandro Cruz escreve às quartas-feiras. 1º trimestre I 2012 Fala-se de tudo em qualquer lugar. Deixando de lado as fofocas, futricos e mexericos referentes à vida alheia, nossas conversas se enchem, cada vez mais, de hipocrisia e ninharias repletas de futilidade. Ostentação 07 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br Nossas conversas se enchem, cada vez mais, de hipocrisia e ninharias repletas de futilidade desnecessária sobre os milhares de reais gastos em gesso e cimento de primeira linha para reformar a casa dentro do condomínio fechado (sem deixar de citar o valor do imóvel antes de depois da reforma), a viagem pela Europa com roteiros detalhados e fotos mostradas num iPad, e até mesmo, quem diria, projeções para o futuro (na maioria das vezes provenientes de devaneios) que não correspondem nem de perto à realidade vivida no momento. Algumas conversas numa roda de companheiros de trabalho acabam se tornando grandes Guerras Frias, tendo em vista que à medida que os “causos” (oh...) são contados, outros visam sair por cima da discussão, ainda que precisem desenterrar a história do cunhado, que viajou para Paris 18 anos atrás e pegou 8 horas de fila para visitar a Torre Eiffel. E não pense que a discussão sobre religião e política (geralmente iniciada após 8 copos de chopp ou algumas doses de Scotch) sai por cima de tudo isso, viu. Defender interesses com argumentos elaborados e baseados em Nietzsche, Marx e companhia limitada é extremamente edificante, mas só quando temos um propósito claro para isso; e, adivinhe, a maioria das pessoas não tem como componente diário as opiniões formadas a partir de discussões de pontos tão delicados como crença e posição política. você ouvir a secretária do escritório dizendo que planeja uma aplicação de botóx. E é óbvio. Todos esses assuntos enumerados até aqui neste humilde texto podem se tornar interessantes caso seu interlocutor esteja engajado em tal e deseje dar prosseguimento à discussão. Arrisco-me a dizer, todavia, que não é o que acontece em boa parte dos casos. O bom-senso é de extrema importância na hora da conversa. Dizer por aí quanto você pagou na caríssima bolsa da sua esposa em forma de ostentação é tão piegas quanto citar Dostoievski a leitores habituados com a Turma da Mônica. Não se engane, mas os assuntos os quais você aborda podem te tornar insuportável, mesmo quando nada daquilo se trata de Big Brother, novela ou futebol. Texto publicado no site em 2 de março Pedro Farci escreve às sextas-feiras. E antes de chamar de ranzinza este que vos escreve, encare estes fatos como uma constatação da realidade na próxima vez que 1º trimestre I 2012 CAFÉ OPINIÃO CAFÉ OPINIÃO A MODA DO ‘MACHO ALFA’ Por Evandro Cruz Agência Café valores” este tipo de cultura geralmente tem como objetivo resgatar a imagem de macho alfa, da força e da retidão destes homens. Porém, o que se apresenta é um grande retrocesso cultural, com sites, revistas e culturas em gerais propagando o modo de vida “machão ignorante” que segue a risca o estereótipo do homem machista, truculento e que relega a mulher ao simples papel de “companheira”. ‘O que se apresenta é um grande retrocesso cultural’ Os indícios podem ser vistos pelos canais de comunicação, desde imagens supostamente engraçadas que desrespeitam diretamente o gênero feminino (vadia isso, vadia aquilo, vadia burra, etc), até publicações direcionadas apenas para dar apoio a um modo de vida machista (“você não pode ter dúvidas, não pode ser sensível nem calmo, você é homem, homem!”). Esta cultura de prepotência parece apenas confirmar o que já diziam há algum tempo : as mulheres são realmente mais inteligentes que nós. A imagem do comportamento masculino sempre passou por mudanças ao longo da história, mas a imagem de que o homem seria um ser mais forte se tornou uma constante na maioria das culturas, as tornando consequentemente mais machistas, isso parecia estar caminhando para uma mudança, mas o otimismo, mais uma vez, provou-se errado. A partir do momento em que a primeira mulher queimou o primeiro sutiã foi dado o primeiro grito de uma frase que ressoaria pelo que até então conhecemos como eternidade : a mulher existe. E existe por si só desassociando sua imagem da obrigatoriedade de ser esposa de alguém, ou seja: a partir daquele momento a mulher era independente do homem e a luta por emancipação teve como um dos principais aspectos o ataque a visão do mundo que via o homem como mais forte, mais inteligente. E com a dissociação da mulher em relação ao homem criou-se o o que se chama de “cultura”: um grupo de pessoas com interesses semelhantes e potencial de consumo. A “cultura da mulher” foi o campo que provavelmente mais cresceu durante a segunda metade do século: as mulheres queriam ser “mulheres” e a adesão as aspas significava a adesão de um estilo de vida, representado pela nossa sociedade capitalista como os bens de consumo que se possui, causando uma enxurrada de produtos, discursos e modos de agir especificamente direcionados ao público feminino. ‘Este fenômeno cultural acabou por criar uma imensa lacuna: Se existe tanta coisa para dizer o que é ser mulher, então o que é ser homem?’ Antes da segunda metade do século XX era fácil ser homem: a mulher ocupava um lugar extremamente limitado e submisso, logo, era só não fazer o que as mulheres faziam e pronto, estava lá um homem. Porém, hoje não há separação e nós homens, fracos como somos, não resistimos a presença da mulher em cada aspecto da sociedade, o que gerou uma reação que profere a disseminação da cultura de um homem truculento, simplista e insensível, o tal do “macho alfa” Enquanto em grande maioria consegue conviver com as diferenças de comportamento em seu gênero, nós permanecemos intolerantes, tentando achar um “ideal de homem” e recriminando – quando não ofendendo – quem tem uma orientação sexual, comportamento ou opiniões diferentes da “certa”. Esta onda de ideais machistas recobertos com uma camada de falsa retidão está nos deixando cada vez menos profundos e mais simplórios. Esta obsessão em tentar definir o que é coisa de homem e o que não é nos leva ao modo mais fácil de se perder, que é achar que apenas um caminho é o certo, quando na verdade as opções são inúmeras. Texto publicado no site em 31 de janeiro Evandro Cruz escreve às quartas-feiras. Vemos hoje em dia uma crescente corrente de uma cultura masculina de volta e preservação do que consideram como “bons SOBRE SER ‘CULTO’ E CRITICAR O BBB Por Pedro Farci Agência Café Pra você que está passando férias em Marte e ainda concentra no Orkut todos os seus contatos de rede social, no mês de janeiro começou a décima segunda edição do Big Brother Brasil, esta epopeia televisiva que já perdura e resiste há 11 anos nesta caixa de surpresas que é a tv brasileira (sim, estamos na edição 12, no ano 11). Os clichês são os mesmos de sempre, as carinhas bonitas, o gay (que não é o Bial) e o Pedro Bial. Com o começo do programa, aquilo de chamamos de Elite Intelectual do país já preparou todas as suas armas para atacar aqueles que assistem a obra dirigida por Boninho. A propósito, essa questão de Elite Intelectual á bem relativa, viu. A moda hoje é ser culto, pegar o metrô com o Dostoiévski embaixo do braço, citar frases de referências respeitadas pelo pensamento acadêmico, colocar em dúvida o existencialismo, a diferença social. Houve uma época em que se você tirava mais de 7 numa prova da escola, era inteligente o bastante pra ser deixado out of the box. A moda já foi ser burro, e quem não era se passava como um. A moda hoje é exercer a sociologia como segunda ocupação. Tem que dar pitaco em tudo. Aí é que entra o nosso querido BBB. Mas a questão principal vai do princípio de que os reclamões da web não assistem ao que eles mesmos chamam de ‘estupro mental’ (acreditem, eu li isso), para continuar compartilhando imagens do “Melhor do Mundo”, “Risos no face”, dentre outros tradutores dos posts do 9gag. Tudo gira em torno do respeito por pessoas que buscam o entretenimento em determinada hora do dia, seja no “Risos no face” (bleh) ou no Big Brother Brasil. O show business nunca acrescentou nada (eu disse NADA) além de uma ocupação nas tardes de domingo. Seu pai pode ser a pessoa com o pensamento mais ordenado e são de todo o universo, com inúmeras graduações; mas tenha certeza que ele se divertia com o show de calouros do programa do Chacrinha. Há algum tempo (desde que ser cult é ser cool) foi criada a ilusão da “cartilha cultural”, que traz uma relação de todas as expressões de arte/entretenimento consideradas boas (veja só, são apenas consideradas boas, não construtivas e que acrescentam conhecimento empírico realmente relevante para sua vida), e seja lá o que for que não estiver relacionado ali, não é bom; e se estiver em evidência na sociedade então, presta menos ainda. A impressão passada aqui é de que a nossa “Elite Cultural” prega, com veemência (e distorção), o conceito criado por Nelson Rodrigues de que “toda unanimidade é burra”. Deixemos de lado, por favor, essa ilusão supérflua de intelectualidade diferenciada, porque, afinal de contas, ninguém passa 24 horas do dia lendo Zygmunt Bauman. Não que o Facebook seja o sítio mais legal do mundo durante o dia, mas na hora da transmissão do reality show em TV aberta ele fica insuportável. E, por mais incrível que pareça, ele não fica insuportável pelos comentários “a Maria do BBB pegou o José”, ou “Estou torcendo pro Dourado ser o líder”. É quando a vanguarda pseudo-culta da nossa geração dá as caras que o buraco fica mais embaixo. Críticas e mais críticas a quem assiste ao programa, colocando em xeque a capacidade/inteligência dos espectadores. O primeiro ponto aqui, é que cada um faz o que bem entender de sua vida (argumento simples, mas válido). Texto publicado no site em 12 de janeiro Pedro Farci escreve às sextas-feiras. Chacrinha e BBB: separados por um bacalhau 08 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 09 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 GUEST POST O GLAMOUR E OS TRANSTORNOS Por Daniela Amadeu Guest Post Qual a razão de uma pessoa normal querer adotar para si sintomas de certos transtornos? ESCREVA PARA O CAFÉ E ANALGÉSICOS Há quem goste da ideia de ter um cérebro quimicamente desbalanceado e desfrutar dessa característica como forma de enxergar o mundo sobre uma ótica menos normalóide, padronizada e ainda “herdar” algumas qualidades ditas tragas por esse desbalanceamento químico. Com a popularização de personagens fora do comum que enaltecem uma certa genialidade e idiossincrasia, pessoas têm dado mais atenção a certos sintomas de alguns transtornos e os adotado para suas vidas como forma de dizerem-se "diferentes". House e o charme do desvio (Foto: Reprodução) Misantropia, personalidade dissocial e bipolaridade são alguns exemplos. Às vezes até a esquizofrenia que de bela não tem nada acaba sendo adotada por pessoas extremamente sadias. Mas qual a razão de uma pessoa normal querer adotar para si sintomas de certos transtornos? Por que descrever-se como doente e ter a ideia de que isso é legal? Primeiro fator a se observar é que há um certo glamour em alguns transtornos, devido a ideia de que tais transtornos aperfeiçoam qualidades que pessoas normais não têm. Segundo que a sociedade exige muito um comportamento fora do normal, e nesse comportamento entram certas características de alguns transtornos que passam a ser considerados qualidades. Como a euforia fora do comum que um bipolar pode ter, a capacidade de viver bem sozinho que um misantropo possui, ou então, o hiperfoco que só um TDAH pode usufruir. Mas para casos como esse, é importante enfatizar que uma qualidade em um doente 10 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br não é suficiente para compensar todo o desequilíbrio emocional que este carrega. E tais qualidades exigidas pela sociedade não suprem a ausência ou deficiência de algumas características em um doente, como o controle emocional ou impulsivo, por exemplo. Antes de ‘‘adotar tais transtornos como estilo de vida’’, é interessante saber o quanto um doente pode tirar vantagem de seu problema se comparado a uma pessoa sadia. Pessoas bipolares podem ser criativas, mas oscilam entre mania e depressão. E devido a depressão, podem deixar um trabalho supercriativo inacabado, ou dependendo do caso, entrarem numa hipermania e exagerarem no senso de criatividade transformando o trabalho em algo incompreensível e confuso; assim como TDAHs podem ter o hiperfoco acima do comum, porém este foco pode não ser controlável e para todas as atividades que ele precisa fazer em um dia, são em poucas que ele consegue se concentrar. ‘Uma pessoa sadia tende a ser estável emocional e psicologicamente, um doente não’ Filmes e séries costumam dar visibilidade a essas personalidades e uma distorção e glamourização acaba ocorrendo. Geralmente os personagens são estereotipados e com características clássicas de tais transtornos para que estes possam ser percebidos. Já os defeitos que acompanham os transtornos, muitas vezes são excluídos ou pela produção ou pelo próprio público. Uma pessoa sadia tende a ser estável emocional e psicologicamente, um doente não. E ainda que uma qualidade oscile muito de maneira positiva em um doente, defeitos podem ser potencializados devido a um transtorno e isso prejudica a qualidade de vida do indivíduo. Portanto, não há beleza em classificar-se como doente por modismo ou como meio de enfatizar uma qualidade. Depender de medicamentos e psicoterapia para ter um cérebro estável, descobrir meios de entender a doença e aprender a controlarse não é bonito, não é atraente e não pode ser encarado como modismo. É desrespeitoso ao doente que precisa aprender todos os dias a conviver com seu problema de maneira sadia, não prejudicar a si mesmo e nem as pessoas a sua volta. Daniela é dona do blog ‘Unknown Blogueira’ www.unknownblogueira.com 1º trimestre I 2012 MAIS INFORMAÇÕES EM BIT.LY/ESCREVACAFE ESPECIAL Tudo sobre COMPARTILHAMENTO ONLINE Enganos, exageros, SOPA, PIPA e as opiniões de quem está ligado ao meio. Entenda a polêmica com o ECAD nas terras tupiniquins. N O ANO QUE PRECE O PRÓXIMO FIM DO MUNDO um novo tipo de guerra teve início, a batalha entre a grande indústria fonografica tradicional e as redes independentes de compartilhamento online movimentou o primeiro trismestre de 2012. Se por um lado os grandes barões da indústria parecem ter sentido o golpe disferido pela expansão das redes de compartilhamento online, a reação demonstrou que os grandes grupos de mídia ainda detêm muito poder: fechamento de sites, votações de leis anti- compartilhamento e campanhas contra pirataria marcaram o início do ano. Em uma série de textos e matérias publicadas nos primeiros três meses do ano, o Café traz para você o conteúdo necessário para entender todos os aspectos dessa batalha que tem como principais antagonistas o direito de posse por aquilo produzido e o principio da liberdade de compartilhamento. Se informe, pense, interprete.. Por AGÊNCIA CAFÉ 12 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 ESPECIAL ESPECIAL ENGANOS E EXAGEROS O Compartilhamento online de arquivos realmente afeta a economia? Por Pedro Farci Agência Café para ir ao banheiro), para que desta forma, dependendo da sua avaliação, pagar o ingresso para ver o mesmo filme no cinema (e ver as mesmas pessoas dando risada, e, pior, ter que dar passagem encolhendo as pernas para os outros irem ao banheiro). Talvez este seja o caso que ilustre um dos argumentos dos que defendem o compartilhamento online. A situação já está resolvida, o projeto de lei SOPA foi arquivado no Congresso americano e o Anonymous fez com que os executivos que defendem a bruta aplicação de p r o p r i e d a d e intelectual estejam dormindo embaixo da pia. Mas aí vem aquela q u e s t ã o d o politicamente correto, a reflexão da O caso citado acima é liberdade, a questão b em verdade, e Shawn Fanning, criador do Napster -compartilhador pioneiro de arquivose arauto do caos (Foto: Reprodução) existencial e tudo c o m p r o v a d o mais: você está realmente prejudicando a economia do seu seria no Brasil) divulgou outra estimativa, que cientificamente (ah, as estatísticas...) na país ao baixar o mais novo single da Lady Gaga girava em torno de 58 bilhões de dólares. França e na Suíça (ver gráfico 1). Mas é uma pelo Ares? Também foram apontados inúmeros erros questão intrinsecamente cultural e de poder metodológicos que poderiam dobrar ou até aquisitivo. O caso que mais incomoda os Segundo o texto do projeto de lei que por triplicar os números. Afinal de contas, qual é defensores de propriedade intelectual é o que pouco não foi votado nos Estados Unidos, a o prejuízo real? Como já foi constatado, é eles chamam de ‘vendas perdidas’. É o pirataria online é tida como grande problema, impossível falar em dados. cidadão que baixa a discografia do Bob Dylan, que (ainda segundo o projeto de lei) custa à a filmografia do Tarantino e todos os livros do economia deles por volta de 200 a 250 bilhões É bom deixar clara a obrigação em utilizar Charles Bukowski em extensão PDF. Olha, de dólares por ano, além da ‘perda’ de 750 mil dados americanos para ilustrar o início do você leitor provavelmente se identificou com empregos americanos. texto ao invés de estimativas brasileiras, que, isso. Vivemos num país com a economia completamente distinta dos Estados Unidos, e basicamente, não existem. por isso o download de músicas pelo iTunes Os números são realmente assustadores. Fazendo uma conta simples, esses 250 bilhões Mas então, qual o real prejuízo para o sistema não pegou. são quase 800 dólares por cabeça (incluindo econômico como um todo? homens, mulheres e crianças americanas). Os músicos já perceberam a algum tempo que Segundo dados, 750 mil é praticamente o Por aqui, na terra Tupiniquim, o download a principal fonte de renda não é mais a venda dobro de pessoas empregadas em toda a pago de músicas não pegou. Até porque, a de CDs. Talvez o último a gerar fortuna com indústria cinematográfica no ano de 2010. venda de música pelo iTunes chegou aqui venda de discos tenha sido o Zezé Di Camargo oficialmente nada mais nada menos que cinco e Luciano (sim, são uma pessoa só). Os A boa notícia, é que essas estimativas são anos depois. Não que o comportamento fosse sucessos atuais, mais novas revelações da equivocadas. Ainda no ano de 2010, o ‘pegar’ aqui se chegasse antes, mas ajudaria. música, só fazem sucesso graças à internet. Government Accountability Office (órgão A nossa visão da internet é um pouco Michael Kiwanuka e Skrillex (que você viu aqui responsável pela Auditoria, Avaliações e diferente da americana. Ainda pensamos no ‘Café’) são provas vivas (evitei citar Michel Investigações do Congresso dos Estados uma, duas, três vezes antes de comprar algo Teló). O mercado musical está se adaptando à pela internet (isso quando não desistimos); o tecnologia de compartilhamento online. É Unidos – seria equivalente no Brasil à que é justificável, uma vez que o sistema mais do que claro que, no caso específico das Controladoria Geral da União) divulgou um brasileiro de compras online é horrível. gravadoras, a meta é não deixar de ganhar relatório reportando que esses números não também com a venda de CDs. Resumindo: podem ser fundamentados ou rastreados até a você não compra o CD, mas ouve uma música obtenção de uma fonte de dados subjacente e Mas existem casos e casos de pirataria. do cara no SoundCloud e fica maluco pra ir a metodológica, ou seja, não podem ser rastreados mesmo. Existem aqueles que baixam o filme um show; e você geralmente vai, pagando no lançamento pelo uTorrent, em (péssima) ingresso uma quantia no mínimo 4 vezes Recentemente, o IPI (Institute for Policy qualidade TS ou R5 (gravada no cinema, com maior do que o preço do CD. Innovation – não tenho a menor ideia do que risadas da plateia e o Seu José levantando 14 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 Gráfico 1 ilustra a relação entre o conteúdo baixado na internet e os gastos em produtos legítimos na França Ironia do destino, o compartilhamento de arquivos acaba por impulsionar a indústria de entretenimento de forma muito mais efetiva do que a publicidade formal, por exemplo. A Dilma decerto acharia legal todos comprando produtos importados, já que isso seria sinal de uma economia madura o bastante para tal. Como essa não é a realidade, ela fica feliz com o fato de você baixar a valiosa discografia remasterizada do Pink Floyd (que tem o preço proporcional à sua qualidade) e gastar um valor equivalente em outro produto que faça circular capital interno. Como Mark Twain disse uma vez, existem três tipos de mentiras: mentiras, mentiras descaradas, e estatísticas. Em alguns casos as estatísticas podem representar muito, mas podem trazer um grande desfalque de entendimento do assunto se interpretadas da maneira equivocada. Ao contrário de roubar um carro, baixar uma música pelo LimeWire não te faz um criminoso. É importante observar que o conceito de pirataria defendido aqui neste artigo é o de compartilhamento online. Não o “da banquinha na esquina”. Os filmes e softwares (“adquiridos” também pela internet) e gravados em mídia para serem comercializados a cinco reais no mercado informal são, em sua maioria, convertidos em investimentos que sustentam outras atividades realmente ilícitas, como o tráfico de drogas. Além do que, este é o dinheiro que seria gasto comprando outro produto que contribuiria de forma benéfica para a economia através de impostos e as demais legalidades. Texto publicado no site dia 27 de janeiro Pedro Farci escreve às sextas-feiras Kim Schmitz, fundador do site de compartilhamento online Megaupload. Foi preso como bode expiatório do virtual prejuízo de 58 bilhões de dólares. Foto: Reprodução 15 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 ESPECIAL PRENDA-ME SE FOR CAPAZ As diferentes visões sobre o compartilhamento de músicas via internet A gravadora Trama inovou e lançou TODO o seu catálogo para download gratuito no site da distribuidor. Nele há a possibilidade de baixar os discos de artistas como Móveis Coloniais de Acajú, CSS, Cachorro Grande e muitos outros mediante um cadastro comum (nome, email...) pelo qual o usuário ainda recebe notícias das gravações de outros artistas. Outras gravadoras entretanto acabam não conseguindo lidar tão bem assim com uma mídia e participação em lucros mais descentralizada, o exemplo fica à cargo de Mallu Magalhães, vinda do My Space. No Por Allan Assis Agência Café Em tempos de SOPA, PIPA e de fechamento do site de compartilhamento online Megaploud pelo FBI, fica a dúvida sobre o que os artistas que tem seus discos, EPS e afins expostos na internet pensam não só sobre a questão do copyright, mas sobre a tecnologia como um facilitador ou até sabotador de seus trabalhos de modo geral. Segue aqui, uma lista de opiniões de musicos que conseguem lidar com os direitos autorais e de outros que não. Metallica – Quem viu “A Rede Social” do diretor David Fincher e estranhou Justin Timberlake fazendo um nerd que expande os negócios de Mark Zuckerberg já deve saber um pouco sobre Sean Parker, co-fundador do Napster, o primeiro site de compartilhamento online da rede. Assim como Zuckerberg, Shaw Fanning criou o site de um computador comum em sua faculdade, disponibilizando um espaço onde fãs podiam compartilhar seus arquivos em MP3. A ideia durou até os integrantes do Metallica descobrirem que havia músicas suas que podiam ser baixadas gratuitamente na internet. Os empresários entraram à pedido da banda com um processo contra o Napster, que teve de fechar seus servidores. Thom Yorke (Radiohead) – É de “In Rainbows”, o titulo de primeiro disco baixado à preço de escolha pelo cliente, os valores do álbum do Radiohead variavam entre U$ 10, 00 e U$ 0,00. A ideia de Thom era justamente mostrar que no fundo o que importava era a divulgação da arte, além de colocar em voga a discussão sobre qual o seu valor nos dias de hoje. “In Rainbows” converteu uma nova leva de fãs de internet que se tornaram fãs de Radiohead também, fazendo com que as músicas da banda fossem disseminadas à pessoas que haviam se esquecido ou mesmo não conheciam a banda que teve seu auge nos anos 90. 16 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br redes sociais, o grande negócio da nova década, para se beneficiar e mostrar suas músicas. Com o advento do Pay with a tweet e Pay with a facebook like em que o usuário só precisa divulgar a fã page do artista e ganha o download do disco na faixa. Entre os adéptos estão o rapper Criolo e a banda Dorgas. A internet tornou-se uma aliada natural de músicos iniciantes. Postando músicas e vídeos, é assim que conseguem conquistar algum público. Com Gaby Amarantos não foi diferente, sua música “Hoje eu tô solteira” versão em technobrega para Single Ladies da cantora Beyoncé ganhou milhares de acessos no youtube e deu chance para que a artista fizesse shows. Gaby atualmente grava seu primeiro álbum “Treme” e já noticiou que pretende vazá-lo para download gratuito em entrevista à MTV. No primeiro clipe para o single do mesmo disco, a cantora aparece numa brincadeira com o começo de sua carreira vendendo CDs e DVDs piratas, mas o chamariz fica na tirada sarcástica no fim do vídeo em que aparece o aviso: “A pirataria é crime e pecado. Não transgrida a lei de Deus.” Emicida – O rapper que ganhou fama e maturidade após se tornar figurinha carimbada e repetida nas rinhas de MC em São Paulo, notou que seu próximo passo era gravar um disco, no entanto sem recursos ou gravadoras em vista, criou seu próprio estúdio dentro de casa, o “Laboratório Fantasma”, e na hora da distribuição não teve dúvidas: foi de loja em loja vendendo sua mixtape à 2 reais, e EXIGINDO que as lojas o revendessem à 5. A explicação do rapper morador de favela é simples: se não for barato, o povo não compra. Mesmo depois da fama o sistema é o mesmo, o CD é vendido a preços módicos na cidade de São Paulo e as pessoas que moram em outros estados podem encomendá-lo à 10 reais ou baixar gratuitamente pelo site. Muitos artistas tem utilizado também as Os projetos de lei Sopa (Stop Online Piracy Act) e (Pipa Protect IP Act) foram suspensos por tempo indeterminado pelo congresso americano. De qualquer forma subentendese que a caça às bruxas pelos direitos autorais deve continuar (como sempre continuou) e acabarão surgindo outras formas da disseminação da ARTE via internet (como sempre foi). Texto publicado no site dia 5 de março Allan ‘Cuba’ Assis escreve às segundas-feiras A discussão (polêmica) sobre copyrights finalmente chega ao Brasil. E agora, José? Bom, senhores, para quem achava que SOPA, PIPA e projetos afins que seriam votados lá na ‘gringa’ eram as maiores ameaças para com a liberdade de compartilhamento na internet, saibam que, como diz o populacho, “o inimigo mora logo ao lado”. Aliás, mora bem aqui. Segundo noticiou o jornal O Globo da última quarta-feira (07/03), os responsáveis pelo blog Caligraffiti foram notificados pelo ECAD de que deveriam pagar ao órgão uma quantia de R$352,59 mensais para continuar com a permissão do compartilhamento de vídeos de fontes como Youtube e Vimeo, que contenham trilha sonora de terceiros; de modo a “pagar os devidos direitos autorais aos detentores dos mesmos”. Primeiro, o que é o ECAD? ECAD é a sigla de “Escritório Central de Arrecadação e Distribuição”, e, além de ter um site com péssima estruturação (com direito a intro personalizada e com música ligada no autoplay), é uma sociedade de natureza privada e instituída por lei Federal e mantida por Leis de Direitos autorais (vou 1º trimestre I 2012 Não é só de vendagem física, felizmente, que sobrevive o mercado fonográfico. Hoje a disseminação do pagamento online é cada vez maior, mas em países que ainda não foram agraciados por alternativas de venda barata de músicas, ou que o receberam há pouco tempo, como é o caso do Brasil com a Apple Store, há as limitações com relação ao catálogo de músicas, a reticência de alguns artistas mais velhos em vender sua obras pela internet ou mesmo a distribuição de obscuridades que invariavelmente acabam se perdendo com a mudança de mídias. A POLÊMICA COM O ECAD Na falta de um, ou dois, temos inúmeros pontos discutíveis (e absurdos) na decisão tomada pelo ECAD. Então, ao maior estilo Jack, o Estripador (AKA Jack, The Ripper), vamos analisar esse fuzuê. Emicida em seu estúdio caseiro (Foto: Reprodução) momento em que começou a receber prospostas para o lançamento de suas músicas em estúdio, Mallu escutou que teria de abrir mão de uma parte do que ganharia em shows, já que muitas de suas músicas já haviam sido disponibilizadas na internet e, como uma espécie de “moeda de troca” pela gravadora gastar seus recursos sabendo que não obteria retorno financeiro tão satisfatório quanto antigamente. Resultado: A cantora de então 16 anos decidiu continuar independepende e só assinou contrato em seu 2° disco, quando já havia se tornado um sucesso iminente. A dúvida fica quando pensamos em quantos músicos tomam a mesma atitude que Mallu, mas não tem a mesma sorte que ela, permanecendo desconhecidos pelo grande público. 17 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br poupá-los dos números das leis). A sua função, laconicamente, é recolher os valores de direitos autorais de músicas (que tenham seus direitos reservados) reproduzidas publicamente e repassá-los da forma devida aos seus detentores – os artistas. Como funciona Sites como Youtube e Vimeo que hospedam vídeos que tem trilha sonora cujos direitos pertencem ao autor da mesma são chamados de transmissores. De acordo com Lei Federal (poupá-los-ei do número da mesma, de novo), “toda pessoa física ou jurídica que utiliza músicas publicamente, inclusive através de sites na Internet, deve efetuar o recolhimento dos direitos autorais de execução pública junto ao ECAD”. Youtube, Google, Vimeo, Facebook e outros sítios que terão, de forma quase que iminente, vídeos e músicas com propriedade intelectual compartilhados por seus usuários devem pagar os valores devidos. Eles pagam, e não pagam barato. Porque a medida tomada é um absurdo No caso que virou notícia, o blog Caligraffiti assim como todos os outros da blogosfera, inclusive este ‘Café’ - atua como retransmissor do conteúdo com propriedade autoral disponível na rede. Seja um vídeo do Youtube ou uma música do SoundCloud. Como fora explícito no parágrafo acima, tais sites que hospedam o conteúdo e atuam na primeira fase da transmissão dos mesmos já pagam os valores devidos. É completamente sem sentido fazer esse tipo de cobrança em retransmissores. Como sempre, a gente explica: Se existe uma única razão para os artistas e empresários aceitarem um acordo com Youtube’s da vida para que estes possam reproduzir o conteúdo protegido por autoria, é o potencial que a internet tem de divulgar (às vezes de forma massiva) os conteúdos disponíveis nestes sites sejam eles os virais do ‘Sou Foda’ (dig din, dig din) ou a música do PitBull. Nos primórdios do pioneiro site de vídeos que é o YT, era proibido postar um vídeo cuja trilha sonora não era de autoria do próprio usuário. O próprio site proibia já que, convenhamos, promoção do trabalho dos outros de graça ninguém aqui quer fazer, né. Após o número assustador de visitas ao site, as próprias gravadoras passaram a entrar em contato com o host de vídeos, para viabilizar a postagem de vídeos com músicas. O acordo selado entre YouTube, proprietários de direitos autorais, o próprio ECAD (no Brasil) e gravadoras garante as postagens de clipes 1º trimestre I 2012 ESPECIAL e/ou vídeos com trilhas sonoras, mediante pagamento dos direitos pelo ‘hospedeiro’ (que expressão horrível). Cuidado para não se perder no raciocínio, então se atente ao fato de que o valor pago pelo Youtube para publicar esses vídeos é ínfimo perto do que é ganho pelo mesmo através de patrocínios e acessos. (e que grandes lucros, hein?). Entretanto, cobrar trezentos paus por mês de um blog de caráter colaborativo, com o intuito exclusivo da divulgação da arte e cultura (existem poucos assim hoje em dia, viu) é o que chamamos de covardia. E tudo isso por um dinheiro que para os arrecadadores de direitos autorais é absolutamente insignificante. EUREKA. Vocês, leitores inteligentes, educados em Harvard, já devem ter percebido a incoerência aqui, não é? Mas eu vou explicar do mesmo jeito, já que eu ainda não atingi o número mínimo de caracteres instituído pelo editor-chefe desta grandiosa online magazine. Mais uma perspectiva que pode ser feita caso a medida seja seguida à risca (duvido e torço para que não seja) é a de que com a censura – sim, isso é censura – aos vídeos ‘embedados’ em blogs, a divulgação através do que chamamos de mídia espontânea cairá ainda mais, e afetará de forma mais do que direta os proprietários de direitos autorais. É perfeitamente compreensível o fato de que o ECAD cobra os direitos de reprodução das músicas de sites grandes, com fins lucrativos No final da tarde do dia 9 de março, Marcelo Leonardi, diretor de políticas públicas e governamentais do Google soltou um memorando em resposta às cobranças realizadas pelo ECAD, aqui vai um trecho: “O ECAD não pode cobrar por vídeos do YouTube inseridos em sites de terceiros. Na prática, esses sites não hospedam nem transmitem qualquer conteúdo quando associam um vídeo do YouTube em seu site e, por isso, o ato de inserir vídeos oriundos do YouTube não pode ser tratado como “retransmissão”. Como esses sites não estão executando nenhuma música, o ECAD não pode, dentro da lei, coletar qualquer pagamento sobre eles”. Texto publicado no site dia 9 de março Pedro Farci escreve às sextas-feiras ARCTIC De Sheffield para o mundo: graças à internet MONKEYS Por Pedro Farci Agência Café Concurso PEIXE GRANDE Ajude o Café e Analgésicos a se tornar um PEIXE GRANDE da blogosfera! bit.ly/votecafe 18 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 19 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 ESPECIAL O Ano era 2002 e o local ficava nos arredores de Sheffield, na Inglaterra. Dois garotos de dezesseis anos fanáticos por rock são presenteados com guitarras, Alexander David Turner e Jamie Cook, além de vizinhos, estudavam na mesma escola e já eram amigos de longa data, relação construída a partir de inúmeras tardes inteiras ouvindo, admirando e venerando discos de Led Zeppelin e Queens of the Stone Age. As guitarras, no entanto, não eram nem de perto a Gibson Les Paul e a Gibson ES-335 usada por ambos (respectivamente) nos shows feitos como um consagrado e inovador grupo de rock 10 anos depois. A Jamie e Alex se juntaram Andy Nicholson - que mesmo sabendo tocar baixo havia menos de um ano, já era o mais experiente do grupo - e Matt Helders, a quem, literalmente, restou a bateria. Sem ter um estilo definido, após covers frustrados de “Payback” de James Brown e mais algumas faixas de Soul, foi o estilo Indie que a banda adotou. Jamie Cook se considerava um fanático pelo ritmo que ascendia no início da década através de bandas como The Strokes e Oasis, além das raízes de The Smiths e obviamente o Queens of the Stone Age. A faixa I bet you look good on the dancefloor foi topo das paradas Britânicas por meses e meses consecutivos. O fato curioso, é que meses antes da música estourar Alex declarava em off que apesar de uma melodia contagiante e um destaque gigante para a bateria de Helders, a letra não o agradava (apesar dele mesmo ter escrito) e ele realmente não esperava que aquela fosse a música que o carregasse ao sucesso. No embalo do sonhado mainstream, é lançado o EP Who the Fuck are the Arctic Monkeys com cinco músicas ainda mais rock n roll que as contidas no primeiro álbum. O disco também marcou a introdução do novo baixista, Nick O’Malley, substituindo Andy Nicholson, que deixou a banda. Em junho de 2003 os Arctic Monkeys se apresentaram em público pela primeira vez, numa casa pequena no centro de Sheffield. Após uma série de apresentações no mesmo ano, as letras das músicas ganhavam fãs da região, que não se importavam com o fato da banda não fazer parte do chamado mainstream. O ritmo do rock de garagem empolgava e, além de tudo, dava destaque para o baterista Matt Helders com sua precisão e agilidade. De Sheffield para a Internet Cinco meses depois, com a prática dos instrumentos mais aperfeiçoada, a banda, sob o nome de Bang Bang, estava em busca de um vocalista. Até então, Glyn Jones (também amigo de Alex e Jamie) improvisava os vocais dos covers indie, já que Alex afirmava não gostar da própria voz. Alex Turner assumiu os microfones de forma definitiva, além de sugerir o nome Arctic Monkeys, que anos mais tarde seria adotado pela banda. Apesar de ter um nome, um vocalista e o ritmo definidos, faltavam músicas. Discussões sem fim sobre quais músicas tocar, quais covers seriam feitos, uma vez que a banda não tinha composições próprias. (Na verdade eles tinham, mas não sabiam) Há pouco tempo atrás Alex Turner deu entrevistas, assumindo que escrevia letras desde os 15 anos de idade, apesar de ter mantido o fato em segredo durante muito tempo, mesmo depois da criação da banda. 20 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br Pouco a pouco as composições de Turner tomavam o espaço dos covers na setlist do grupo. Em 2004 eles decidiram gravar seu primeiro disco demo. O Beneath the Boardwalk continha 18 faixas e era vendido no backstage ao final dos shows pelo preço de 3 Libras Esterlinas. À medida que os eventos lotavam, mais discos eram vendidos ou distribuídos. Quantidade insuficiente, no entanto, para alcançar sucesso absoluto, mas foi o próprio lançamento do álbum demo proporcionou a ‘digitalização’ da música do grupo, que teve suas músicas compartilhadas por fãs em programas como Ares e Lime. A banda se tornou um fenômeno na internet quando um grupo de admiradores criou uma página da banda no MySpace.com, e esse talvez seja o fato que mais contribuiu para a disseminação de suas músicas. Da Internet para o Mundo Finalmente, em Maio de 2005, o Arctic Monkeys (sob o nome de Bang Bang) lança seu primeiro EP. Five Minutes with Arctic Monkeys tinha apenas duas faixas: Fake Tales of San Francisco e From the Ritz to the Rubble. A primeira faixa do curto EP chamou a atenção da rádio BBC One, que passou a executá-la com certa frequência. Um ano e três meses após o disco de estreia, o Favourite Worst Nightmare vem com músicas no mesmo estilo acelerado pelos resquícios do rock de garagem de I bet you look good on the dancefloor e Still Take You Home, além da introdução da influência New Wave ao utilizar sintetizador em algumas músicas. Brianstorm, Teddy Picker e Fluorescent Adolescent perseguiam a todos em todos os lugares. As três estiveram entre as dez músicas mais tocadas no ano de 2007 na Inglaterra. O sucesso fabuloso credenciou o grupo para uma de suas mais memoráveis apresentações, no palco principal de um dos mais almejados festivais do mundo: Glastonbury. Apesar da clara evidência da manutenção de influências antigas, já era notável àquela altura a metamorfose ambulante que se tornaria o estilo de música indie do Arctic Monkeys. A faixa 505 (última do disco) traz um som de órgão tocado por Alex Turner acompanhado pela guitarra do amigo Miles Kane, e introduz ao público o estilo do terceiro álbum, Humbug, que mesmo assim surpreendeu. A fase do Humbug O lançamento previsto do disco era para o ano de 2008, mas segundo informações Alex teve sua caderneta de letras e arranjos roubada (ou perdida?) alguns meses antes do início de sua produção, e isso, segundo o próprio Alex, teve um efeito benéfico para o novo disco. O resultado teve letras e ritmos completamente novos, uma discrepância gigante se comparados à “primeira versão” composta, que obviamente jamais será publicada. A ideologia já demonstrada em 505, entretanto, seria a mesma. Milhares de fãs irritaram-se com o novo estilo adotado pelo quarteto, com muito mais cadência e letras ainda mais elaboradas, assim como os arranjos. Por mais curioso que possa parecer, o mesmo disco que reverteu a opinião de inúmeros fãs a respeito da banda fez com que a crítica finalmente classificasse o Arctic Monkeys como uma das grandes bandas da década. O Humbug (produzido por James Ford, que a propósito teve forte colaboração de Josh Homme - guitarrista do Queens of the Stone Age) traz um Alex Turner maduro, até então no seu prime da afinação, respeitando as pausas das músicas, além do visual com um cabelo longo (dir.), que passava a impressão clara de que sua fase imatura foi deixada para trás junto com suas composições simples. Crying Lightning, Cornerstone e Pretty Visitors são os retratos perfeitos da “nova fase”. Com um tanto de obscuridade e vocabulário complexo, o disco conquistou (além da crítica) uma nova legião de fãs, que posteriormente também se apaixonou pelos trabalhos anteriores. Até mesmo o “ranzinza” Noel Gallagher (Oasis) elogiou o trabalho da banda. No dia 23 de Janeiro de 2006 chega às lojas um CD com capa que leva uma foto em preto e branco de um sujeito fumando um cigarro. Todas as trezentas e sessenta mil cópias produzidas do Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not se esgotaram em apenas uma semana. Tal marca ainda é o recorde quando se trata de um álbum de estreia. Das treze faixas do disco, nove integraram o demo gravado em 2004 (algumas com outro título). As críticas vieram tão rápido quanto o sucesso. Os especialistas britânicos rechaçavam a falta de ritmo do vocalista de cara infantil que usava um cabelo redondo e, por suas palavras, “apenas falava com um pouco de ritmo cantando tão bem quanto um amador”. A falta de acordes mais criativos e variados no decorrer dos sons irritava os entendedores, que apontavam Matt Helders como o único talento do grupo. Ainda em 2006, o fotógrafo Mark Bull (que também disponibilizara o Beneath the Boardwalk para download em seu site) registrou um show feito numa pequena casa de show de Londres, de onde extraiu o vídeo da performance de Fake Tales of San Francisco e o transformou no primeiro videoclipe oficial do grupo, com o consentimento da gravadora Domino Records. Arctic Monkeys durante show realizado em Paris, no início de 2012 (Foto: Reprodução) 1º trimestre I 2012 21 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br 1º trimestre I 2012 ESPECIAL 1 CAFÉ no facebook O Suck it and See O topete adotado por Alex Turner para toda a turnê do disco lançado em 2011 já anuncia: É a hora de assumir o rock clássico. O Suck it and See é a combinação perfeita de todos os pontos positivos que consagraram o Arctic Monkeys ao longo da carreira: letras inteligentes (com um toque romântico digno 22 Café e Analgésicos I cafeeanalgesicos.com.br de Elvis Presley), ritmo cativante (que em alguns momentos chega a ser completamente dançante, como foi em Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not) e solos de guitarra desenvolvidos de maneira inédita pelos garotos de Sheffield. A variedade de ritmos dentro do próprio CD é imensa. Desde as mais carregadas como Don’t sit down ‘cause I’ve moved your chair, Brick by Brick e Library Pictures até as mais leves e agradáveis como The Hellcat Spangled Shalalala e She’s Thunderstorms. O disco inclui o single Piledriver Waltz, lançado anteriormente no EP solo de Alex Turner, Submarine, trilha sonora de filme homônimo, dirigido por Richard Ayoade (que também dirigiu os videoclipes das músicas Fluorescent Adolescent, Crying Lightning e Cornerstone). 1º trimestre I 2012 facebook.com/cafeeanalgesicos CAFÉ MÚSICA DAVID BOWIE ZIGGY STARDUST Por Allan Assis Agência Café Sabe quando voc ...

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